vereador Zezinho Lima, do PL-Ananindeua, andou se atrapalhando durante
pronunciamento na tribuna da Câmara. Nas redes sociais, depois do
pronunciamento, o parlamentar recebeu prontas mensagens de apoio de internautas
aparentemente evangélicos e críticas de pessoas que se sentem alijadas da sua
pregação, isto é, do seu discurso em defesa dos “interesses da população de
Ananindeua, dos valores da família, da pátria e liberdade”. É um discurso muito
conhecido.
Durante
sua fala, um grupo de umbandistas que tentou protestar foi gravemente advertido
pela direção da sessão de que não se deve interromper o pronunciamento de um
parlamentar, seguido do gesto de um homem vestido de preto - aquela figura que
remete a um segurança -, e virou de costas para a tribuna. Foi um protesto
silencioso, mas foi.
A
questão, pelo que se depreende da leitura dos comentários em uma rede social do
vereador, envolve a presença de umbandistas na Praça da Bíblia, construída,
como se sabe, em favor da comunidade evangélica. É como se em Ananindeua, em
Belém, no Pará e no Brasil esta fosse a única praça construída exclusivamente
para a comunidade evangélica e o resto da população, menos para os praticantes
de cultos afros.
Os
nomes do elevado Gunnar Vingren, na avenida Júlio Cézar, e da antiga 1º de
Dezembro, hoje João Paulo II, são homenagens de governos a dois líderes
religiosos bastante conhecidos.
Fala com panos quentes
O
vereador Zezinho Lima tentou ser politicamente correto no seu pronunciamento,
mas não deixou claro suas reais intenções, exceto para quem estava no contexto
do plenário. Ao publicar trecho de um vídeo na sua rede social, tratou de se
resguardar, editando apenas sua “defesa dos interesses da população”, “respeito
a todos, mas também quero respeito, colocando todos no seu devido lugar” e
advertindo que “não podemos generalizar situações” impondo “nomes como
intolerância religiosa, homofóbico, genocida, misógino”... “Estou aqui para
fazer meu papel de vereador e não tenho medo tenho de cara feia”.
Vou logo avisando
O
preconceito ou o sectarismo explícito do parlamentar - afinal, a praça não é do
povo”? - é admitido, mas não deveria, no seu ambiente de trabalho, a Câmara,
para a qual, aliás, foi eleito pelo voto popular, ou para o púlpito que
frequenta, menos pela sociedade dos dias atuais, onde não cabem nem a
intolerância religiosa, nem a homofobia, nem o genocídio e nem a misoginia, dos
quais ele tentou se esquivar durante sua fala.
Um passado recente?
Para
quem não se lembra, em dezembro do ano passado, quando já fazia discursos dessa
natureza - em “defesa dos interesses da população, dos valores da família e da
pátria” -, Zezinho Lima entrou no radar da comunicadora Bruna Lorrane, segundo
quem o vereador mantinha um suposto romance com um padre, que foi obrigado a
deixar a batina. Imagem publicada pela coluna à época mostra inclusive a
despedida do religioso com Zezinho Lima em um abraço muito caloroso, de tão
apertado - ou muito apertado, de tão caloroso.
Em suas postagens de então, Bruna Lorrane afirma que o
vereador Zezinho Lima vivia um romance que chegou a ser um “trisal”, quando há
três pessoas no relacionamento, sem citar a suposta terceira pessoa. “Não sei
se a notícia é triste ou libertadora” - diz a comunicadora - “para que ele
possa curtir a vida do jeito que exigem as atribuições do cargo”.
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