abe aquela operação do transporte de 22 mil toneladas de manganês extraído ilegalmente de uma mina em Marabá e transportada para o Porto de Itaqui, no Maranhão, onde embarcaria para o mercado chinês? Não aconteceu.
Em uma operação sem precedentes, uma vez que a denúncia exclusiva da Coluna Olavo Dutra foi publicada no último dia 1, às 11 horas, a Polícia Federal apreendeu a carga - agora avaliada em 23 mil toneladas, o equivalente a mais de R$ 30 milhões - ainda no Porto de Itaqui, mas já embarcada no navio mercante “Stellar Alazani” que, se Deus não mandar bom tempo, deve fazer a viagem de volta vazio e desolado.
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Operação vapt-vupt
Na ação tempestiva deflagrada ontem, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no âmbito da “Operação Dólos”. Conforme a coluna antecipou, tratava-se de um carregamento de manganês extraído ilegalmente no sudeste do Pará que deixaria o País sem pagamento de impostos e com notas fiscais “esquentadas” em nome da mineradora Três Marias, do empresário Jamil Silva Amorim. A operação teve participação de agentes do Pará e do Maranhão. Veja abaixo a informação oficial divulgada ontem.
Denúncia confirmada
A Polícia Federal divulgou nesta quarta-feira, 5, a apreensão de uma carga de 23 mil toneladas de manganês ilegal, avaliada em quase R$ 30 milhões, extraída na região do sudeste do Pará e que tinha como destino a China. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no Porto do Itaqui, em São Luís, no Maranhão, durante a “Operação Dólos”.
Durante as investigações, a Polícia Federal descobriu que a carga de minério foi transportada pela Estrada de Ferro Carajás, da qual a Vale S.A. tem concessão junto ao governo Federal. Tendo em vista a facilidade do transporte e dificuldade de fiscalização, a recorrência na apreensão de minérios em rodovias paraenses leva os criminosos a buscarem alternativas com menor controle.
A operação foi desencadeada pela Polícia Federal em Marabá, que contou com apoio de colegas no Maranhão. A carga já estava a bordo de um navio mercante quando foi apreendida.
Os policiais identificaram, dentre as irregularidades, falta de pagamento de impostos e que a mineradora responsável pela extração está com a licença suspensa desde maio de 2024, mas “esquentava” notas fiscais em nome de outra empresa, pertencente a um detentor de pólos de exportação em Marabá e no Porto de Vila do Conde, em Barcarena. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
O manganês apreendido ficará sob responsabilidade da administradora do Porto do Itaqui, como depositária fiel, até que a Justiça defina o destino do minério.
Porteiras abertas
No Pará, a prática da extração ilegal de minério é recorrente e o combate feito pela Polícia Federal aos garimpos na região é constante. As operações atuais são desdobramentos de outras recentes, como a “Operação Farra do Manganês”, “Pertinácia I” e II” e “B8”, deflagradas em 2023 e 2024.
A Vale foi procurada para comentar a citação à Estrada de Ferro Carajás, mas não respondeu até esta publicação.
Papo Reto

• Não há porto nem dia seguros para a veiculação de uma informação no Pará. Tudo pode acontecer, inclusive nada.
• É o caso em que o jornalismo desliza sobre uma frágil e perigosa linha de segurança, de onde pode escorregar, inapelavelmente.
• É difícil conviver em um regime onde proliferam as “rainhas da Inglaterra”, aquelas que reinam, mas não governam, como entenderão os bons entendedores, mas, Deus salve a rainha!
• Em tempo: na “tradução tupiniquim”, a expressão “rainha da Inglaterra” também pode ser traduzida para “laranja”, no singular ou no plural; tanto faz.
• Leitor assíduo da coluna informa que a empresa Círios detém dois gordos contratos para asfaltamento de ruas em Marituba.
• Daí que a prefeita do município, Patrícia Alencar (foto), andou se queixando, dias atrás, ao governador Helder Barbalho da "péssima qualidade" do serviço da empresa.
• Faz meio que sentido; meio: é que a empresa Círios, de quem a coluna já cobrou explicações, dá outra versão para a buraqueira na cidade aberta menos de três meses depois do serviço. Tem sujo e mal lavado nisso.
• Em plena era da tecnologia digital, ninguém suporta mais tantos "pontos cegos" no sistema de telefonia móvel da Vivo ao longo da Arthur Bernardes.
• Ontem, nada menos do que 16 carretas e bitrens fechavam completa e impunemente quase 1 km da ciclofaixa da avenida Arthur Bernardes, à altura de Miramar, obrigando centenas de ciclistas a se exporem aos riscos do trânsito maluco. E a Semob finge que nem vê.
• Servidores dos dois principais órgãos ambientais do País, o Ibama e o ICMbio, aproveitaram o Dia Mundial do Meio Ambiente, ontem, para fazer uma paralisação nacional e entregarem os cargos de chefia para pressionar o governo federal a reestruturar suas carreiras. O movimento já dura seis meses.