Coluna

Polícia Federal desmantela esquema que previa vender 22 mil toneladas de manganês para China

Denúncia da coluna foi publicada no último sábado; operação da PF confirma que extração ilegal de minério é recorrente no Pará.

06/06/24 07:43 /

Polícia Federal desmantela esquema que previa vender 22 mil toneladas de manganês para China


abe aquela operação do transporte de 22 mil toneladas de manganês extraído ilegalmente de uma mina em Marabá e transportada para o Porto de Itaqui, no Maranhão, onde embarcaria para o mercado chinês? Não aconteceu.

Em uma operação sem precedentes, uma vez que a denúncia exclusiva da Coluna Olavo Dutra foi publicada no último dia 1, às 11 horas, a Polícia Federal apreendeu a carga - agora avaliada em 23 mil toneladas, o equivalente a mais de R$ 30 milhões - ainda no Porto de Itaqui, mas já embarcada no navio mercante “Stellar Alazani” que, se Deus não mandar bom tempo, deve fazer a viagem de volta vazio e desolado.

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Operação vapt-vupt

Na ação tempestiva deflagrada ontem, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no âmbito da “Operação Dólos”. Conforme a coluna antecipou, tratava-se de um carregamento de manganês extraído ilegalmente no sudeste do Pará que deixaria o País sem pagamento de impostos e com notas fiscais “esquentadas” em nome da mineradora Três Marias, do empresário Jamil Silva Amorim. A operação teve participação de agentes do Pará e do Maranhão. Veja abaixo a informação oficial divulgada ontem.

Denúncia confirmada

A Polícia Federal divulgou nesta quarta-feira, 5, a apreensão de uma carga de 23 mil toneladas de manganês ilegal, avaliada em quase R$ 30 milhões, extraída na região do sudeste do Pará e que tinha como destino a China. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no Porto do Itaqui, em São Luís, no Maranhão, durante a “Operação Dólos”.

Durante as investigações, a Polícia Federal descobriu que a carga de minério foi transportada pela Estrada de Ferro Carajás, da qual a Vale S.A. tem concessão junto ao governo Federal. Tendo em vista a facilidade do transporte e dificuldade de fiscalização, a recorrência na apreensão de minérios em rodovias paraenses leva os criminosos a buscarem alternativas com menor controle.

A operação foi desencadeada pela Polícia Federal em Marabá, que contou com apoio de colegas no Maranhão. A carga já estava a bordo de um navio mercante quando foi apreendida.

 Os policiais identificaram, dentre as irregularidades, falta de pagamento de impostos e que a mineradora responsável pela extração está com a licença suspensa desde maio de 2024, mas “esquentava” notas fiscais em nome de outra empresa, pertencente a um detentor de pólos de exportação em Marabá e no Porto de Vila do Conde, em Barcarena. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

O manganês apreendido ficará sob responsabilidade da administradora do Porto do Itaqui, como depositária fiel, até que a Justiça defina o destino do minério.

Porteiras abertas

No Pará, a prática da extração ilegal de minério é recorrente e o combate feito pela Polícia Federal aos garimpos na região é constante. As operações atuais são desdobramentos de outras recentes, como a “Operação Farra do Manganês”, “Pertinácia I” e II” e “B8”, deflagradas em 2023 e 2024.

A Vale foi procurada para comentar a citação à Estrada de Ferro Carajás, mas não respondeu até esta publicação.

Papo Reto

•  Não há porto nem dia seguros para a veiculação de uma informação no Pará. Tudo pode acontecer, inclusive nada.

• É o caso em que o jornalismo desliza sobre uma frágil e perigosa linha de segurança, de onde pode escorregar, inapelavelmente.

É difícil conviver em um regime onde proliferam as “rainhas da Inglaterra”, aquelas que reinam, mas não governam, como entenderão os bons entendedores, mas, Deus salve a rainha!

 • Em tempo: na “tradução tupiniquim”, a expressão “rainha da Inglaterra” também pode ser traduzida para “laranja”, no singular ou no plural; tanto faz.

 • Leitor assíduo da coluna informa que a empresa Círios detém dois gordos contratos para asfaltamento de ruas em Marituba.

•  Daí que a prefeita do município, Patrícia Alencar (foto), andou se queixando, dias atrás, ao governador Helder Barbalho da "péssima qualidade" do serviço da empresa.

Faz meio que sentido; meio: é que a empresa Círios, de quem a coluna já cobrou explicações, dá outra versão para a buraqueira na cidade aberta menos de três meses depois do serviço. Tem sujo e mal lavado nisso.  

• Em plena era da tecnologia digital, ninguém suporta mais tantos "pontos cegos" no sistema de telefonia móvel da Vivo ao longo da Arthur Bernardes.

Ontem, nada menos do que 16 carretas e bitrens fechavam completa e impunemente quase 1 km da ciclofaixa da avenida Arthur Bernardes, à altura de Miramar, obrigando centenas de ciclistas a se exporem aos riscos do trânsito maluco. E a Semob finge que nem vê.

•  Servidores dos dois principais órgãos ambientais do País, o Ibama e o ICMbio, aproveitaram o Dia Mundial do Meio Ambiente, ontem, para fazer uma paralisação nacional e entregarem os cargos de chefia para pressionar o governo federal a reestruturar suas carreiras. O movimento já dura seis meses.

 


Polícia Federal desmantela esquema que previa vender; 22 mil toneladas de manganês para China