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Servidor do Estado nomeado para Comitê é acusado de tentar aplicar golpes em nome da COP30

Fontes do governo atribuem prática à “pilantragem”; Secretaria de Cidades não se manifesta e engenheiro não é localizado.

24/05/24 12:06 /

Servidor do Estado nomeado para Comitê é acusado de tentar aplicar golpes em nome da COP30


ecreto publicado no Diário Oficial do Estado no dia 14 de março altera decreto anterior, datado de 14 de junho de 2023, que instituiu o Comitê Estadual para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, com a seguinte redação: “Secretaria de Estado dos Povos Indígenas - Puyr dos Santos Tembé, membro titular, e Roberta Carvalho da Silva, suplente; Secretaria das Cidades e Integração Regional - Fernanda Regina de Pinho Paes, titular, e Wandercley Nascimento da Silva, suplente; Casa Militar da Governadoria do Estado - coronel Osmar Vieira da Costa Júnior, titular, e coronel Luiz André Menezes de Souza, suplente”.


O engenheiro e a secretária; suposta empresa de operações é muda, mas foto sugere atuação em Castanhal/Fotos: Divulgação.

 

Erramos: Um título para
ser esquecido; nossos
pedidos de desculpas

Veja em Papo Reto, abaixo

 

Sem protagonismo

 

A rigor, a Secretaria das Cidades nada tem a ver com a COP30. Em abril deste ano, a Secretaria, comandada por Fernanda Paes, completou um ano de fundação sem nada a comemorar. Criada com a missão de ser “a ponte” entre o Ministério das Cidades do governo Lula, cujo titular é o irmão do governador Helder Barbalho, ministro Jader Filho, a Secretaria busca uma missão e um protagonismo que parecem distantes da realidade imposta pelo tabuleiro político atual, mas, mesmo assim, várias tentativas vêm sendo colocadas no mercado.


Vantagens pessoais

 

Denúncias encaminhadas à Coluna Olavo Dutra apontam que a Secretaria das Cidades, supostamente com o conhecimento da secretária Fernanda Paes, mantém um engenheiro no cargo de diretor de Saneamento, servidor de carreira da Cosanpa,  fazendo do cargo uma espécie de trampolim para se beneficiar pessoalmente do evento das Nações Unidas, previsto para novembro do ano que vem, em Belém, no qual tanto o governo federal, quanto o estadual apostam todas as fichas jogando valores bilionários em obras e serviços, em nome da preparação do palco para a festa internacional.  

 

Nomeado por decreto

 

Trata-se do engenheiro Wanderkley Nascimento, que, no decreto, aparece como suplente da secretária de Cidades, Fernanda Paes, no Comitê Estadual para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esta informação oficial, de cara, desqualifica outra, dada à coluna, em ligação telefônica, pela própria secretária, segundo a qual a Secretaria nada tem a ver com a COP30 (veja o decreto abaixo):

 


 

Nem fala, nem atende

 

Embora procurado, inclusive no escritório da empresa Servpred Belém, da qual seria sócio, na travessa Lomas Valentinas, bairro do Marco, em Belém, o engenheiro Wanderkley Nascimento não foi localizado, nem o telefone da empresa atende. Fontes do governo, porém - que não a secretária Fernando Paes -, em contato com o redator da Coluna Olavo Dutra, apontam a suposta prática da qual o engenheiro é acusado de “pilantragem”.     

 

Elegância em pessoa

 

Denúncias encaminhadas à coluna dão conta de que o engenheiro Wanderkley Nascimento é um homem “elegante”. Assim, “sempre muito bem trajado”, tem visitado empresas de diversos segmentos - terraplenagem, passando por empresas com expertise predial, saneamento e ambiental - instaladas em municípios do Estado e na Região Metropolitana de Belém.

 

Investida frustrada

 

Segundo as denúncias, o engenheiro “alega ser membro do Comitê da COP30” e tenta negociar “empréstimo de acervo técnico oferecendo vasto portfólio de R$ 5 bilhões em obras para o evento internacional”. Um dos supostos alvos da desenvoltura do engenheiro foi uma empresa especializada em operações logísticas, em Barcarena, detentora de terminais portuários, mas a proposta foi prontamente recusada.

 


 

Para além do eixo

 

Em uma investida enviesada, conforme as denúncias, o engenheiro também esteve em Castanhal, supostamente garimpando vantagens em obras decorrentes de um convênio celebrado entre a prefeitura e Caixa Econômica no valor de R$ 40 milhões (foto acima), cujo patrono seria o deputado federal José Priante - além de outras agendadas pela Secretaria das Cidades, através do Ministério das Cidades. As informações não puderam ser confirmadas nem com o engenheiro, nem com a prefeitura.

 

Perguntas sem repostas

 

Ontem, a Coluna Olavo Dutra teve um breve contato telefônico com a secretária Fernanda Paes sobre as denúncias. Hoje, encaminhou expediente formal com pedido de esclarecimentos, mas não obteve resposta até o encerramento desta edição.

 

Além de aparecer ligado à Secretaria, o engenheiro Wanderkley Nascimento é apontado por empresários que costuma receber na Servpred Belém como “integrante de um escritório considerado anexo do Escritório da COP30”, sendo questionável a possibilidade de que a cúpula da Secretaria das Cidades e os Comitês Federal e Estadual da COP 30 não tenham conhecimento dessa estrutura”.

 

A palavra segue franqueada a quem interessar possa.

 

Papo Reto

 

·  Erramos: cometemos uma falha inominável na edição de ontem, sob o título “Helder se livra da Fiepa, de Alckmin e de Daniel e vai prestigiar evento produtivo em Salvador”, seguido de “Comitiva do prefeito de Ananindeua foi responsável por receber vice-presidente na Base Aérea de Belém; governador mandou representante”. Pedimos desculpas públicas pelo título, digamos, “retórico”.

 

· O jornalismo, mesmo praticado no curso da faixa de 50 anos, desde os primeiros passos, é um exercício empolgante, mas muito delicado, senão perigoso. Expõe situações e pessoas, ponto em que as falhas devem ser reparadas com humildade profissional e canina.

 

· É o caso que se apresenta. O governador não se livrou da Fiepa e de quem mais citamos no calor injustificável do título e nem se ateve a questões políticas paroquiais, como o prefeito de Ananindeua. Ao contrário, fez o dever de casa e foi acudir outras demandas do cargo.

 

· Deixou em Belém em vídeo uma calorosa saudação ao vice-presidente e destacou a importância da Fiepa no contexto do Estado e do País, como manda a praxe. Helder (foto) não desmereceu ninguém, nem nada, principalmente o maior evento da indústria do Pará.

 

· É raro, mas, no título, a coluna brigou com os fatos, omitiu nomes e autoridades, como a vice-governadora Hana Ghassan e o presidente da Assembleia Legislativa, Chicão Melo, e outras igualmente representativas. A todas elas, e à Fiepa, nossos sinceros pedidos de desculpas.   

 

· Experiente professor, com longa trajetória na UFPA, saiu da última assembleia da Adufpa, esta semana, dando tratos jamais dados à bola.

 

·   A reunião decidiu pela continuidade da paralisação, em resposta à proposta de 0% de aumento salarial já, mas o espantoso foram as manifestações contra o presidente Lula, jamais vistas por lá.

 

·  Veja o refrão após a votação: "A greve continua/Lula, a culpa é tua", além do "Fora Lula". Bem, para o professor, considerando que a maior parte dos presentes milita no PSTU, Psol e no PT, não deixa de ser inédito. 

 

·  É mais quem comenta:  o professor e pastor Adielson Teles, cedido pela Seduc a pedido do deputado Josué Paiva, só aparece na Emater de Monte Alegre no final do mês para receber o gordo salário.


·  Dizem que o pastor anda ocupadíssimo perseguindo não ovelhas, mas votos para a chapa que trará o irmão do parlamentar como vice-prefeito da cidade.

Servidor do Estado nomeado para Comitê é acusado; de tentar aplicar golpes em nome da COP30