ecreto publicado no Diário Oficial do Estado no dia 14 de março altera decreto anterior, datado de 14 de junho de 2023, que instituiu o Comitê Estadual para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, com a seguinte redação: “Secretaria de Estado dos Povos Indígenas - Puyr dos Santos Tembé, membro titular, e Roberta Carvalho da Silva, suplente; Secretaria das Cidades e Integração Regional - Fernanda Regina de Pinho Paes, titular, e Wandercley Nascimento da Silva, suplente; Casa Militar da Governadoria do Estado - coronel Osmar Vieira da Costa Júnior, titular, e coronel Luiz André Menezes de Souza, suplente”.

Erramos: Um título para
ser esquecido; nossos
pedidos de desculpas
Veja em Papo Reto, abaixo
Sem protagonismo
A rigor, a Secretaria das Cidades
nada tem a ver com a COP30. Em abril deste ano, a Secretaria, comandada por
Fernanda Paes, completou um ano de fundação sem nada a comemorar. Criada com a
missão de ser “a ponte” entre o Ministério das Cidades do governo Lula, cujo
titular é o irmão do governador Helder Barbalho, ministro Jader Filho, a
Secretaria busca uma missão e um protagonismo que parecem distantes da
realidade imposta pelo tabuleiro político atual, mas, mesmo assim, várias
tentativas vêm sendo colocadas no mercado.
Vantagens pessoais
Denúncias encaminhadas à Coluna
Olavo Dutra apontam que a Secretaria das Cidades, supostamente com o
conhecimento da secretária Fernanda Paes, mantém um engenheiro no cargo de
diretor de Saneamento, servidor de carreira da Cosanpa, fazendo do cargo
uma espécie de trampolim para se beneficiar pessoalmente do evento das Nações
Unidas, previsto para novembro do ano que vem, em Belém, no qual tanto o
governo federal, quanto o estadual apostam todas as fichas jogando valores
bilionários em obras e serviços, em nome da preparação do palco para a festa internacional.
Nomeado por decreto
Trata-se do engenheiro Wanderkley
Nascimento, que, no decreto, aparece como suplente da secretária de Cidades,
Fernanda Paes, no Comitê Estadual para a 30ª Conferência das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima. Esta informação oficial, de cara, desqualifica outra,
dada à coluna, em ligação telefônica, pela própria secretária, segundo a qual a
Secretaria nada tem a ver com a COP30 (veja o decreto abaixo):

Nem fala, nem atende
Embora procurado, inclusive no
escritório da empresa Servpred Belém, da qual seria sócio, na travessa Lomas
Valentinas, bairro do Marco, em Belém, o engenheiro Wanderkley Nascimento não
foi localizado, nem o telefone da empresa atende. Fontes do governo, porém -
que não a secretária Fernando Paes -, em contato com o redator da Coluna
Olavo Dutra, apontam a suposta prática da qual o engenheiro é acusado de
“pilantragem”.
Elegância em pessoa
Denúncias encaminhadas à coluna dão
conta de que o engenheiro Wanderkley Nascimento é um homem “elegante”. Assim,
“sempre muito bem trajado”, tem visitado empresas de diversos segmentos -
terraplenagem, passando por empresas com expertise predial,
saneamento e ambiental - instaladas em municípios do Estado e na Região
Metropolitana de Belém.
Investida frustrada
Segundo as denúncias, o engenheiro
“alega ser membro do Comitê da COP30” e tenta negociar “empréstimo de acervo
técnico oferecendo vasto portfólio de R$ 5 bilhões em obras para o evento
internacional”. Um dos supostos alvos da desenvoltura do engenheiro foi uma
empresa especializada em operações logísticas, em Barcarena, detentora de
terminais portuários, mas a proposta foi prontamente recusada.

Para além do eixo
Em uma investida enviesada, conforme
as denúncias, o engenheiro também esteve em Castanhal, supostamente garimpando
vantagens em obras decorrentes de um convênio celebrado entre a prefeitura e
Caixa Econômica no valor de R$ 40 milhões (foto acima), cujo patrono
seria o deputado federal José Priante - além de outras agendadas pela
Secretaria das Cidades, através do Ministério das Cidades. As informações não
puderam ser confirmadas nem com o engenheiro, nem com a prefeitura.
Perguntas sem repostas
Ontem, a Coluna Olavo Dutra teve
um breve contato telefônico com a secretária Fernanda Paes sobre as denúncias.
Hoje, encaminhou expediente formal com pedido de esclarecimentos, mas não
obteve resposta até o encerramento desta edição.
Além de aparecer ligado à Secretaria,
o engenheiro Wanderkley Nascimento é apontado por empresários que costuma
receber na Servpred Belém como “integrante de um escritório considerado anexo
do Escritório da COP30”, sendo questionável a possibilidade de que a cúpula da
Secretaria das Cidades e os Comitês Federal e Estadual da COP 30 não tenham
conhecimento dessa estrutura”.
A palavra segue franqueada a quem
interessar possa.
Papo Reto

· Erramos:
cometemos uma falha inominável na edição de ontem, sob o título “Helder
se livra da Fiepa, de Alckmin e de Daniel e vai prestigiar evento produtivo em
Salvador”, seguido de “Comitiva do prefeito de Ananindeua foi responsável por
receber vice-presidente na Base Aérea de Belém; governador mandou
representante”. Pedimos desculpas públicas pelo título, digamos, “retórico”.
· O jornalismo, mesmo
praticado no curso da faixa de 50 anos, desde os primeiros passos, é um
exercício empolgante, mas muito delicado, senão perigoso. Expõe situações e
pessoas, ponto em que as falhas devem ser reparadas com humildade profissional
e canina.
· É o caso que se
apresenta. O governador não se livrou da Fiepa e de quem mais citamos no calor
injustificável do título e nem se ateve a questões políticas paroquiais, como o
prefeito de Ananindeua. Ao contrário, fez o dever de casa e foi acudir outras
demandas do cargo.
· Deixou em Belém em
vídeo uma calorosa saudação ao vice-presidente e destacou a importância da
Fiepa no contexto do Estado e do País, como manda a praxe. Helder (foto) não
desmereceu ninguém, nem nada, principalmente o maior evento da indústria do
Pará.
· É raro, mas, no
título, a coluna brigou com os fatos, omitiu nomes e autoridades, como a
vice-governadora Hana Ghassan e o presidente da Assembleia Legislativa, Chicão
Melo, e outras igualmente representativas. A todas elas, e à Fiepa, nossos
sinceros pedidos de desculpas.
· Experiente professor,
com longa trajetória na UFPA, saiu da última assembleia da Adufpa, esta semana,
dando tratos jamais dados à bola.
· A reunião decidiu pela continuidade da
paralisação, em resposta à proposta de 0% de aumento salarial já, mas o
espantoso foram as manifestações contra o presidente Lula, jamais vistas por
lá.
· Veja
o refrão após a votação: "A greve continua/Lula, a culpa é tua", além
do "Fora Lula". Bem, para o professor, considerando que a maior parte
dos presentes milita no PSTU, Psol e no PT, não deixa de ser inédito.
· É
mais quem comenta: o professor e pastor Adielson Teles, cedido pela Seduc
a pedido do deputado Josué Paiva, só aparece na Emater de Monte Alegre no final
do mês para receber o gordo salário.
· Dizem que o pastor anda ocupadíssimo perseguindo
não ovelhas, mas votos para a chapa que trará o irmão do parlamentar como
vice-prefeito da cidade.