Manifestação foi protocolada a quatro dias da audiência de conciliação
Brasília, 11 - A Câmara dos Deputados e o Senado
Federal pediram nesta sexta-feira, 11, ao Supremo Tribunal Federal que declare
constitucional o decreto legislativo aprovado pelo Congresso que derrubou o
aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decretado pelo governo
Lula.
A manifestação foi protocolada a quatro dias da audiência de conciliação
marcada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes entre o Legislativo e o
Executivo, para que se encontre uma solução para o tema.
"A edição dos decretos executivos se deu com desvio de finalidade,
contrariando a finalidade extrafiscal que justifica a mitigação dos princípios
da legalidade e da anterioridade tributárias. Os elementos fáticos demonstram
motivação arrecadatória, revelada por pronunciamentos oficiais e pelo contexto
fiscal da medida, descaracterizando a finalidade regulatória exigida",
ressalta o Congresso no documento.
O parecer foi emitido no bojo das ações que tratam do IOF no Supremo,
considerando um prazo que foi dado para o Legislativo se manifestar sobre os
processos movidos por partidos políticos sobre o tema.
No documento, as Advocacias do Senado e da Câmara sustentam que os decretos
editados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva sobre o IOF tinham objetivos
"claramente arrecadatórios (harmonizar a política monetária fiscal,
preservando os objetivos do novo arcabouço fiscal, com medidas para equilibrar receitas
e despesas)".
"Não pode o Executivo, a pretexto de exercer função regulatória, utilizar
o §1º do artigo 153 - que trata da competência do Poder Executivo para alterar
as alíquotas de alguns impostos - com verdadeira finalidade de arrecadação, sob
pena de desvio de finalidade (também denominado desvio de poder) e, em última
análise, violação constitucional", registra o parecer.
O Congresso defende que aprovou a derrubada do decreto do Executivo por
"reconhecer a patente incongruência entre a finalidade pensada pelo
constituinte originário para a flexibilização das garantias do contribuinte e a
finalidade (real)", das medidas do Executivo.
O documento ainda destaca, à parte, o argumento de que os decretos do governo
Lula " exorbitaram os poderes da competência conferida ao Executivo em
razão de estenderem a tributação a hipóteses até então não tributadas".
Como mostrou o Estadão/Broadcast, líderes do Centrão sinalizaram que podem
aceitar um aumento do IOF apenas sobre modalidades que já eram tributadas antes
do decreto editado por Lula.
Fonte: Estadão conteúdo
Foto:
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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