Evento reúne as artes de Manaus e Belém, dois maiores centros culturais representativos do território amazônico
Rio de Janeiro, RJ - A exposição Amazônicas: Poéticas femininas, que fica aberta ao público até 16 de novembro de 2026, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), na região central da cidade, mostra a força da arte contemporânea em 80 obras de 21 de mulheres protagonistas e pioneiras de diferentes gerações dos estados do Pará, Acre e Amazonas, incluindo a Ilha de Marajó.
A inauguração, na última quarta-feira, ocorreu na semana em que se comemora o Dia da Amazônia,criado em 2007 e celebrado em 5 de setembro.
Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a mostra ocupa todas as salas do segundo andar do CCBB RJ, após passar por Belém, Fortaleza e Brasília. A diretora artística Sissa Aneleh disse que a curadoria partiu de seu mestrado e do doutorado em arte, baseados em pesquisas sobre a produção de mulheres da Amazônia, na qual identificou uma tradição.
A exposição tem obras da década de 70 e outras mais antigas na região, que vão completar 100 anos. Também foram incluídas algumas peças de arte moderna do norte do Brasil.
“Fui encontrando as artistas e identificando as principais. É muito forte a pintura e a performance, outras tem produção em menor quantidade, como esculturas, objetos e vídeo-arte”, disse em entrevista à Agência Brasil.
A curadora destacou que pela primeira vez uma exposição reúne as artes de Manaus e Belém, que são dois centros culturais representativos do território amazônico. “O que pude conferir é que a Amazônia é muito artística. A gente fala muito da fauna e da flora mas tem uma população lá que já tem um capítulo da história da arte brasileira”, disse.
A seleção das artistas para participarem da exposição foi a partir do conjunto da obra que tivesse uma permanência do universo amazônico e por extensão a presença muito forte do universo feminino.
“Temos uma obra da Val Sampaio, que é uma foto performance com objeto. Ela é uma indígena escravizada que, ao se libertar, foi para a cidade, construiu família, e é a matriarca, porque cuidou dos netos e filhos sozinha”, afirmou.
Enquanto Belém tem uma representação forte do matriarcado, Manaus, segundo a curadora, tem uma presença feminina interessante. “A gente tem o registro do primeiro grafite em grande escala feito por uma mulher, em homenagem à mulher indígena mãe, e não tem um exemplo feito por um homem. A Wɨra Tini é uma grafiteira que está com pintura e um vídeo, que é um registro da tia, mãe, filha e avó dela. É bem interessante. Elas vão nesses lugares da presença feminina histórica.”
A pesquisa mostrou que as artistas têm um apego pelo território que virou temática. “A Amazônia é suporte, é motivo, é a própria obra de arte”, disse.
Sissa destacou o trabalho da Keila-Sankofa em uma obra pautada na identidade afro-indígena do norte do Brasil que é muito forte. “No geral, o Brasil separa a cultura indígena da cultura afro. Na Amazônia isso chega a ser um mito e uma identidade muito forte.”
Ancestralidade
Para a curadora, a mostra traz ancestralidade, biografia, território feminino e ineditismo com a inclusão de três obras da Pinacoteca do Estado do Amazonas, em Manaus. Pela primeira vez as obras estão sendo expostas no Brasil.
“São obras de duas mulheres pioneiras: a Rita Loureiro, pintora que desde a década de 60, 70 comprovou que existia uma profissão de pintura em Manaus; e Maria Auxiliadora Zuazo, gravurista que também tem obras da década de 70.”
A mostra foi dividida em quatro núcleos temáticos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas que tratam de questões de gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade.
Os trabalhos feitos em pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte são obras das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.
A acessibilidade também está presente na exposição que tem recursos como obra tátil, audiodescrição de obras e intérprete de libras. ”Ao longo do período da mostra, serão realizadas visitas guiadas com a curadora e palestra com algumas artistas. Também foi lançado o catálogo da mostra”, informou o CCBB.
O vídeo Mensagem para a Amazônia é outra parte da exposição. A obra coletiva está sendo construída ao longo da itinerância da mostra com a participação do público. De acordo com a curadora é um convite para deixar uma mensagem do público sobre a importância da preservação ambiental.
Metaverso
Além de apreciar as obras, o público pode se divertir no Espaço Petrobras Amazônicas. Em cenário com realidade aumentada - com o uso de óculos 3D - os visitantes podem experimentar uma viagem espacial imersiva e assistir a um filme em realidade virtual. “É possível ter uma visão em 360 graus, cenário em realidade aumentada e visualizar algumas obras de forma totalmente imersiva e inovadora”, informou o CCBB.
Atividades
Quem for à exposição, pode participar de oficinas presenciais de economia criativa, feitas para incentivar o desenvolvimento profissional de mulheres em áreas técnicas e artísticas das artes visuais e plásticas.
Há uma programação formativa em economia criativa do programa Avanço das Mulheres do museu foi preparada. A ideia é buscar o “desenvolvimento de carreira e mais atuação de mulheres no setor cultural nas áreas de produção executiva, projetos coletivos de arte e produção de exposições de artes visuais.”
Para o público infanto-juvenil foi preparada uma programação educativa: a atividade Sons da Natureza dirigida à “criação de memória sensorial, vivência lúdica com réplicas de esculturas da exposição inspiradas em sementes e sons de animais do Marajó”.
O CCBB informou que, durante a temporada, são realizadas visitas mediadas para escolas públicas e privadas, grupos diversos e programação educativa inspirada no projeto.
Segundo a curadora, as oficinas de economia criativa “foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos”.
Exposição
A exposição fica aberta de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h. Fecha na terça.
Evento foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural e conta com patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB.
A entrada é gratuita e os ingressos podem ser obtidos no site bb.com.br/cultura ou retirados na bilheteria do CCBB, na Rua Primeiro de Março, 66, Centro.
Foto: Tomaz Silva
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.