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Meio Ambiente

BNDES financia restauração no Pará com R$ 180 milhões do Fundo Clima

Projeto na APA Triunfo do Xingu, entre Altamira e São Félix do Xingu, terá investimento total de aproximadamente R$ 257 milhões

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  • Da Redação | Com a Agência BNDES
  • 09/09/26 18:00
BNDES financia restauração no Pará com R$ 180 milhões do Fundo Clima

Brasília, DF - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta terça-feira (8), financiamento de R$ 180 milhões, com recursos do Fundo Clima, para a concessionária Triunfo do Xingu Restauração Ecológica S.A. implantar projeto de restauração ecológica na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu (URTX), no sudoeste do Pará. A empresa Systemica, acionista da concessionária, é responsável pela estruturação do projeto de restauração e geração de créditos de carbono, em parceria com o Fundo ABF (Amazon Biodiversity Fund).


O anúncio foi realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, durante o evento Amazônia Protegida: Novos territórios para conservação e desenvolvimento sustentável, em celebração ao Dia da Amazônia. Na ocasião, o BNDES também anunciou o projeto Naturezas Quilombolas, com recursos do Fundo Amazônia, e o resultado do edital Bacia do Rio Xingu 2, da iniciativa Floresta Viva.


O investimento total do empreendimento é de aproximadamente R$ 257 milhões, e a iniciativa integra uma concessão florestal pública estadual, estruturada pelo Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio).

“Esta operação combina financiamento de longo prazo, restauração ecológica e geração de ativos ambientais em uma concessão florestal pública. É um modelo que permite estruturar investimentos em recuperação de áreas degradadas com perspectiva de sustentabilidade econômica, ao mesmo tempo em que envolve as cadeias locais ligadas à restauração e à bioeconomia”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.


O projeto prevê a restauração de 10.346 hectares de áreas degradadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada entre os municípios de Altamira e São Félix do Xingu. A concessão tem prazo de 40 anos e foi formalizada em julho de 2025. “A restauração em larga escala pode unir retorno ambiental, social e econômico. Esse modelo pode servir de referência, para ser replicado em outros territórios do Brasil", afirmou o CEO da Systemica, Munir Soares.


Os recursos do BNDES são concedidos no âmbito do programa Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos, com foco na recuperação da vegetação nativa, mitigação das mudanças climáticas e fortalecimento de economias sustentáveis na Amazônia. O apoio poderá cobrir até 80% dos investimentos durante os primeiros anos de implantação do projeto.


De acordo com o CDO da Systemica e diretor da Triunfa Xingu, Cyril Perrin, o projeto concilia o apoio à economia regional, empregos verdes e envolvimento da comunidade na recuperação da biodiversidade. “Esse financiamento consolida as condições necessárias para transformarmos territórios no Pará”.


Restauração, clima e biodiversidade


A iniciativa contempla técnicas modernas de restauração ecológica, incluindo plantio de espécies nativas, semeadura direta e condução da regeneração natural, utilizando exclusivamente espécies regionais da Amazônia. O projeto prevê o uso de cerca de 200 toneladas de sementes nativas de mais de 50 espécies, inclusive espécies ameaçadas, promovendo o aumento da biodiversidade, a recuperação de funções ecológicas e a proteção dos recursos hídricos locais.


Como resultado da restauração florestal, o projeto prevê remover aproximadamente 4,3 milhões de toneladas de CO equivalente ao longo dos 40 anos, contribuindo diretamente para as metas climáticas brasileiras e para compromissos internacionais assumidos pelo país, como a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) e o Acordo de Paris.


Impactos socioeconômicos


Além dos benefícios ambientais, o empreendimento apresenta impactos sociais e econômicos relevantes para a região. Durante a fase de implantação e a operação, a geração de empregos priorizará a contratação de mão de obra local e o envolvimento de comunidades do entorno.


O projeto também prevê investimentos contínuos em capacitação profissional, com ênfase em jovens e mulheres; bioeconomia e cadeias produtivas da restauração, como redes de coletores de sementes e viveiros locais; pesquisa científica e inovação, em parceria com universidades e instituições de pesquisa; e infraestrutura e ações socioambientais no território da APA Triunfo do Xingu.


Parte da receita operacional do projeto será destinada, de forma obrigatória, a ações sociais, ambientais e fundiárias na região, fortalecendo o desenvolvimento territorial sustentável.


Foto: Divulgação/IdeflorBio

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.