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FLORESTA PAGA

BNDES põe R$ 200 milhões em projeto de carbono no Pará

Projeto da Mombak prevê restaurar 7,2 mil hectares e gerar créditos de carbono; operação anterior eleva a R$ 360 milhões o financiamento do banco à empresa

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 13/10/26 12:00
BNDES põe R$ 200 milhões em projeto de carbono no Pará
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restauração de áreas degradadas na Amazônia é uma necessidade ambiental, mas, quando uma operação privada destinada a recuperar florestas também abre caminho para a geração e comercialização de créditos de carbono, o dinheiro público exige uma conta completa: quanto custa, quais resultados entrega e quem fica com os ganhos econômicos.

 

Empresa anuncia que captura de carbono poderá dar origem a créditos comercializáveis e nova uma fonte de receita/Fotos: Arquivo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 200 milhões para a Mombak, empresa especializada em projetos de remoção de carbono. O empreendimento prevê restaurar 7,2 mil hectares, principalmente no Pará, com investimento total estimado em R$ 457 milhões e prazo de financiamento de 25 anos.

Segundo o banco, o projeto poderá remover mais de 4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente ao longo de 50 anos, com potencial de gerar até 4,7 milhões de créditos de remoção de carbono. Esses ativos poderão ser negociados no mercado voluntário e, futuramente, em mercados regulados.

A operação foi anunciada pelo BNDES em 21 de setembro. O financiamento representa aproximadamente 44% do investimento previsto. Em uma conta direta, equivale a cerca de R$ 27,8 mil por hectare em recursos financiados pelo banco. Considerado o investimento total, o custo projetado chega a R$ 63,5 mil por hectare. Os números, isoladamente, não demonstram desperdício nem irregularidade. A restauração florestal envolve preparo do solo, aquisição de sementes e mudas, plantio, manejo, manutenção e monitoramento. O que eles justificam é uma pergunta objetiva sobre as condições financeiras e os resultados esperados de uma operação dessa dimensão.

Carbono é negócio

O projeto não se limita à recomposição da vegetação nativa. A captura de carbono prevista poderá dar origem a créditos comercializáveis, criando uma fonte potencial de receita para o empreendimento. É um modelo econômico que pode contribuir para a recuperação de áreas degradadas e para o enfrentamento das mudanças climáticas. Mas a combinação de financiamento público de longo prazo com receitas futuras provenientes de ativos ambientais também exige transparência sobre a distribuição dos riscos e dos benefícios.

Quais são os juros e as demais condições contratuais do financiamento? Que garantias foram exigidas? Quem será titular dos créditos gerados e como se dará sua comercialização? Se a captura de carbono ficar abaixo das projeções ou os preços dos créditos caírem, quem absorverá os prejuízos? São questões que não pressupõem qualquer irregularidade. Constituem, porém, parte necessária da avaliação de um empreendimento apoiado por uma política pública.

Segunda operação

O financiamento de R$ 200 milhões não é o primeiro concedido pelo BNDES à Mombak. Em agosto de 2024, o banco anunciou uma operação de R$ 160 milhões para projetos de restauração de 13 mil hectares na Amazônia.

Naquela primeira operação, os recursos foram divididos entre R$ 80 milhões do Fundo Clima e R$ 80 milhões da linha BNDES Finem. Portanto, não se deve confundir o valor total do financiamento com a parcela proveniente especificamente do Fundo Clima.

Com a nova operação, os financiamentos aprovados para a empresa somam R$ 360 milhões, enquanto os dois projetos preveem recuperar aproximadamente 20,2 mil hectares. Segundo o BNDES, até junho de 2026, 9,4 mil hectares do primeiro empreendimento já haviam sido implantados.

O dado permite avançar na apuração. Quais resultados ambientais já podem ser medidos? Quanto foi efetivamente desembolsado e qual é o cronograma dos recursos restantes? Que indicadores de sobrevivência das árvores, recuperação da biodiversidade e remoção de carbono estão sendo utilizados para avaliar o projeto anterior? E de que maneira esses resultados foram considerados na aprovação do novo financiamento?

Emprego e retorno

A previsão divulgada pelo banco é de até 440 empregos diretos e 65 indiretos durante a implantação do novo projeto. Depois dessa fase, a estimativa é manter aproximadamente 50 postos de trabalho, entre diretos e indiretos.

A diferença entre o emprego temporário e o permanente não invalida o empreendimento. Projetos de restauração podem produzir benefícios ambientais duradouros sem depender de uma grande estrutura permanente de pessoal. Ainda assim, é pertinente conhecer a parcela dos investimentos que permanecerá na economia paraense, a participação de fornecedores locais e as oportunidades abertas aos moradores das áreas abrangidas. A recuperação da floresta pode gerar benefícios muito além da captura de carbono, mas esses resultados precisam ser identificados e acompanhados.

Também importa saber onde estão as áreas contempladas, quais são as condições dos contratos com os proprietários e como serão monitorados os resultados ambientais ao longo das décadas previstas para a operação.

A Amazônia precisa de floresta em pé. Precisa igualmente de ciência, saneamento, infraestrutura, regularização fundiária, fiscalização, bioeconomia e geração de renda para quem vive no território. O desafio é impedir que a valorização econômica do carbono se descole dos interesses ambientais e sociais da região que o produz. Restaurar florestas com financiamento público pode ser uma política acertada. Mas o resultado não deve ser medido apenas pelo número de hectares recuperados ou de toneladas de CO₂ que se espera retirar da atmosfera.

É preciso saber quanto custará a recuperação, quais benefícios serão comprovados, como os riscos serão distribuídos e quem ficará com a receita gerada pelos créditos de carbono.

Papo Reto

•Os rumores chegaram ao fim no sábado, 10. A prefeita de Marituba, Patrícia Alencar (foto), anunciou nas redes sociais que está grávida de uma menina, fruto do relacionamento com o prefeito de Mãe do Rio, Bruno Rabelo. Agora é esperar a chegada da pequena - e desejar saúde à futura mamãe e à bebê.

•Deputados que andavam de olho na área da saúde do Estado podem tirar o cavalinho da chuva. A Sespa e o Iasep já teriam dono político na futura gestão: o governador eleito Daniel Santos e a deputada federal Alessandra Haber. Pelo visto, a fila das cotas já anda organizada antes mesmo de o governo começar.

•Os tradicionais carros das promessas, na Praça Santuário, devem sair de cena. A Diretoria da Festa do Círio estuda substituí-los por cestos para receber os ex-votos de quem não conseguiu entregá-los durante a procissão. 

•Peças históricas, algumas com muitos anos de criação, vinham sendo vandalizadas. No ano passado, encontraram até fezes humanas e restos de comida. A fé é sagrada; a falta de respeito, nem tanto.

•O Círio passou, mas o velho calvário do transporte público em Belém ficou. Poucos ônibus, veículos lotados e passageiros pendurados nas portas marcaram a volta para casa de muitos romeiros. 

•Por volta das 13h, ainda havia gente enfrentando longas caminhadas até encontrar condução. 

•A cidade recebe milhões de fiéis, mas o planejamento do transporte parece continuar rezando para dar certo.

•Luiza Erundina, do Psol, aos 91 anos, prepara-se para assumir em 2027 como a deputada estadual mais idosa já eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo. 

•A ex-prefeita recebeu cerca de 107 mil votos e terminou em 13º lugar entre os mais votados para a Casa. Noventa e um anos e ainda fazendo história na urna.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.