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SAÚDE PÚBLICA

Carne do rebanho apreendido pelo ICMBio gera dúvidas de controle sanitário

Abate e distribuição à população de Curralinho levantam questionamentos sobre inspeção, prazo de carência de medicamento veterinário e fiscalização.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 06/07/26 09:00

Denúncia aponta que carne era imprópria para consumo humano, pois cumpria prazo de carência da vacinação/Fotos: Divulgação.


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destino dado ao rebanho apreendido pelo ICMBio na propriedade do casal de produtores rurais conhecido como Pedro Coco e Dona Antônia ganhou um novo capítulo. Vídeos mostram carne sendo distribuída à população de Curralinho em sacolas plásticas, levantando dúvidas sobre o cumprimento das exigências sanitárias aplicáveis ao consumo humano.

A polêmica atuação do Instituto ocorreu na Estação Ecológica da Terra do Meio, entre Altamira e São Félix do Xingu, área de "proteção integral", onde a criação de gado é proibida, sob a alegação de que os animais eram criados ilegalmente e em local já embargado. Cerca de 436 cabeças de gado foram apreendidas e milhões em multas aplicadas.

Segundo o advogado Vinícius Borba, durante a operação um fiscal do ICMBio teria informado que o rebanho não possuía controle sanitário regular junto à Adepará. A defesa também afirma que os animais haviam sido recentemente vacinados e vermifugados antes da apreensão.

Perguntas sem resposta

A principal dúvida diz respeito ao período de carência do vermífugo utilizado. De acordo com a informação apresentada pela defesa, o medicamento exigiria 112 dias entre a aplicação e o abate para consumo humano. Diante disso, permanecem perguntas que merecem esclarecimento oficial: o prazo foi efetivamente respeitado? O abate ocorreu sob inspeção sanitária? Houve emissão de laudos atestando a qualidade da carne? Qual órgão acompanhou todo o procedimento até a distribuição do alimento?

Até que essas questões sejam respondidas, não é possível afirmar que tenha havido qualquer irregularidade. Entretanto, a divulgação dos vídeos e das alegações reforça a necessidade de manifestação oficial do ICMBio, da Prefeitura de Curralinho e, se participou da fiscalização, da Adepará.

|Se todas as normas sanitárias foram cumpridas, a documentação tende a encerrar a controvérsia. Caso contrário, caberá aos órgãos de controle apurar se houve risco à saúde pública na destinação da carne proveniente do rebanho apreendido.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.