Filho da governadora atua pela empresa compradora; relato aponta suposta pressão sobre o Judiciário, ainda sem provas
venda da Chácara Cedro continua cercada de questionamentos que exigem respostas. Como a coluna já relatou, a alienação por R$ 5,54 milhões à Castanhal SPE foi homologada pelo juiz Marco Antônio Lobo Castelo Branco, da 8ª Vara Cível e Empresarial de Belém, em procedimento conduzido pelo leiloeiro Dereck Bentes Donis.

Segundo os interessados, questionamentos à atuação do
magistrado e à condução de procedimentos pelo leiloeiro já resultaram em
reclamações encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça, o CNJ. A existência,
o objeto e o andamento dessas reclamações precisam ser identificados
individualmente, porque o simples protocolo de uma reclamação não significa
reconhecimento de irregularidade, muito menos aplicação de sanção.
O caso ganhou outro componente, ainda mais delicado, com um
relato encaminhado à coluna. Segundo a informação, Délio Dalla, filho da
governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, passou a atuar como advogado da
Castanhal SPE, empresa beneficiada pela homologação da alienação. O mesmo
relato afirma que a governadora teria pressionado integrantes do Judiciário em
favor da causa defendida pelo filho.
Até o momento, porém, a coluna não dispõe de elementos que
comprovem essa acusação. Portanto, trata-se de uma alegação que precisa ser
rigorosamente apurada e não pode ser apresentada como fato. O vínculo familiar
envolvendo o caso não prova interferência da governadora no processo, mas, a
natureza da acusação e dos valores envolvidos cobra esclarecimento objetivo dos
diretamente citados.
Nos autos da alienação, a defesa do espólio sustenta que
nulidades reiteradamente suscitadas continuam sem enfrentamento efetivo.
Afirma, ainda, que questões consideradas essenciais foram classificadas como
“irrelevantes” pelo juízo de primeiro grau, enquanto os embargos de terceiros
apresentados por Norton Kataoka e as impugnações do Basa e dos executados,
segundo os interessados, permanecem sem resposta suficiente.
Em contrapartida, os interessados sustentam que pedidos
formulados pela Castanhal SPE vêm recebendo apreciação e deferimento em
intervalos consideravelmente menores. Se a diferença de tratamento processual
puder ser demonstrada objetivamente nos autos, ela também merece explicação.
A questão central é simples: comprovar a publicidade
exigida, esclarecer o horário efetivo de recebimento da proposta vencedora e
justificar, de maneira individualizada, o afastamento dos vícios apontados
pelas partes. Classificar uma questão como irrelevante exige demonstrar por que
ela não compromete a validade do ato.
O dever de fundamentação das decisões judiciais pressupõe o
enfrentamento dos argumentos capazes, em tese, de alterar a conclusão adotada.
Contraditório, ampla defesa, devido processo legal e segurança jurídica também
se aplicam à condução de uma alienação por iniciativa particular. Rapidez
processual não dispensa igualdade de tratamento, fundamentação e análise
efetiva das impugnações.
Diante das objeções apresentadas e da acusação de suposta
interferência política, o caminho é um só: documentos, fundamentos e respostas
dos envolvidos. A validade da venda da Chácara Cedro precisa ser demonstrada à
luz das regras aplicáveis e das provas constantes dos autos. É exatamente isso
que os interessados estão pedindo.

· Não, não foi a oposição, foi Lula (foto): há uma
“promiscuidade” estabelecida na Suprema Corte brasileira. Quando até o
presidente que indicou ministros ao STF usa essa palavra, a confusão já não
cabe debaixo da toga.
· Michel Temer, o "padrinho" de Alexandre de
Moraes, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, justificando que
"Sociedade quer reconexão".
· No Rio, defesa de Garotinho retira recurso do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) e abre caminho para Ruas levar o governo no primeiro
turno.
· A Anvisa aprovou o registro do Ordexa, um remédio similar
para TDAH, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, à base de
dimesilato de lisdexanfetamina.
· O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal
Federal (STF), deve analisar a solicitação de soltura do ex-presidente Jair
Bolsonaro após a realização do segundo turno das eleições.
· Investigação da BBC encontrou apartamentos de habitação
popular em São Paulo sendo alugados pelo Airbnb. Em um empreendimento, o
corretor estimou que até metade das unidades estaria na plataforma.
·É o puro retrato do escárnio: enquanto milhões esperam por
um teto, moradia popular subsidiada acaba virando hospedagem para turista e
negócio para especulador. O pobre entra na fila, o contribuinte banca e
investidor fatura. A política habitacional vira Airbnb.
· Chegou a conta: o governo quer de volta R$ 478 milhões do
auxílio emergencial pagos indevidamente a 177 mil beneficiários. Depois da
torneira aberta, vem o boleto, porque dinheiro público não é brinde - e a conta
da farra sempre encontra alguém para pagar.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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