Enquanto antigos modelos econômicos enfrentam limites e contradições, uma força discreta, porém poderosa, vem se destacando como alternativa viável: o cooperativismo. Com raízes na colaboração, na inclusão e na sustentabilidade, esse modelo já movimenta comunidades inteiras e emprega 280 milhões de pessoas ao redor do planeta.
O reconhecimento não tardou: a ONU declarou 2025 como o Ano Internacional do Cooperativismo, com o tema Cooperativas Constroem um Mundo Melhor - um marco que celebra sua capacidade de transformar realidades de forma concreta e resiliente.
Com mais de 3 milhões de cooperativas espalhadas por 150 países, o cooperativismo responde por um em cada oito postos de trabalho no planeta. No Brasil, o movimento também é robusto: segundo o anuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) são mais de 4,5 mil cooperativas reunindo cerca de 23,45 milhões de cooperados - o que equivale a 11,55% da população brasileira, segundo o último Censo do IBGE - e gerando mais de 550 mil empregos diretos.
Trata-se de uma força que movimentou R$ 692 bilhões no país em 2023, com impacto profundo nas economias locais e papel decisivo na inclusão produtiva de milhões de pessoas.
Diferente das empresas tradicionais, cuja riqueza costuma se concentrar nas mãos de poucos acionistas, o modelo cooperativista distribui seus resultados entre os próprios cooperados. Essa lógica descentralizada promove uma geração de valor mais justa, estimula o desenvolvimento regional e fortalece a economia de forma estruturada.
Globalmente, o faturamento das cooperativas gira em torno de US$ 2,5 trilhões anuais, revelando que, embora esse modelo possa parecer mais modesto que grandes indústrias, sua potência está na perenidade e na redistribuição de oportunidades.
Um dos grandes diferenciais do cooperativismo é sua resiliência. Apesar da escassez de dados amplos comparativos com empresas tradicionais, especialistas destacam como pilares a governança participativa, o vínculo com a comunidade e o propósito coletivo.
Em tempos de crise, cooperativas costumam manter suas atividades e preservar o sustento dos cooperados, ao contrário de muitas empresas convencionais, que recorrem a demissões em massa ou encerramentos.
No Brasil, essa vocação para resistir e reconstruir se faz ainda mais visível em áreas rurais e cidades de pequeno porte, onde o cooperativismo muitas vezes representa a principal força econômica e social. Nessas regiões, as cooperativas criam empregos, retêm talentos, promovem acesso a crédito, fortalecem laços comunitários e oferecem perspectivas reais de futuro.
Naturalmente alinhadas aos princípios do ESG, as cooperativas colocam em prática esses valores diariamente. Um exemplo concreto é a Unimed-BH, cooperativa de trabalho médico que, além de prestar serviços de saúde a mais de 1,5 milhão de clientes, apoia a Rede Sol, uma cooperativa de catadores de recicláveis.
O apoio incluiu modernização da gestão, autonomia comercial e contratação formal da cooperativa, elevando em mais de 50% a renda dos catadores. Esse é o princípio da intercooperação em ação: cooperativas que ajudam cooperativas, criando um ecossistema virtuoso de impacto social positivo.
Além da resiliência, o cooperativismo também promove inclusão, dando voz a grupos historicamente sub representados, como mulheres, jovens e comunidades tradicionais. Fundamentado na equidade, oferece um ambiente democrático, em que todos participam das decisões, fortalecendo o tecido social e contribuindo para uma sociedade mais justa.
O ano de 2025 será uma oportunidade real de dar visibilidade a um modelo que resiste ao tempo, se reinventa e oferece respostas concretas para os desafios do nosso século. O cooperativismo aponta caminhos em que o lucro é consequência da colaboração, da solidariedade e da busca por equilíbrio.
É ainda o momento de engajar as novas gerações. Apesar da imagem tradicional, iniciativas como o Dia C e o Dia Internacional do Cooperativismo mostram sua conexão com comunidades e com a juventude. Celebrá-lo é reconhecer sua força histórica e projetar um futuro mais justo. E nesse futuro, quem coopera, lidera.
Foto: Divulgação
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Rosana da Silva Chaves é Conselheira Estratégica da Associação Brasileira de Recursos Humanos, ABRH.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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