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Cortes no seguro rural devem desestimular investimentos e a competitividade no setor agrícola

Com menos recursos disponíveis, os bancos podem reduzir a oferta de crédito ou simplesmente aumentar as taxas de juros.

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  • José Croelhas | Especial para o POD
  • 29/06/25 10:00
Cortes no seguro rural devem desestimular investimentos e a competitividade no setor agrícola

O recente corte no orçamento do seguro rural, imposto pelo governo Federal, representa um "balde de água fria" na "fervura" do produtor agrícola brasileiro, especialmente no presente cenário de incertezas climáticas, polarização política e instabilidades econômicas.


O seguro rural é uma ferramenta estratégica e fundamental para proteger o agricultor contra perdas causadas por intempéries naturais como secas, enchentes, pragas e outros eventos adversos.


Sem essa ferramenta, o produtor fica seriamente exposto e vulnerável a prejuízos que podem inviabilizar a safra e até mesmo sua atividade como um todo no médio e longo prazos.  


Sabemos que muitos financiamentos agrícolas exigem a contratação do seguro rural como garantia imprescindível. Com menos recursos disponíveis, então, os bancos podem reduzir a oferta de crédito ou simplesmente aumentar as taxas de juros.


A brutal insegurança certamente induzirá o produtor a diminuir o uso de tecnologias e insumos, reduzindo sua produtividade e a própria competitividade.  


A ordem natural das coisas, agora, será optar por plantios e culturas mais resistentes, comprometendo a diversificação e afetando o abastecimento de certos produtos.


As consequências da limitação de crédito para o seguro agrícola emperra o agronegócio nacional, podendo desaguar no aumento da desigualdades, na medida em que pequenos e médios produtores, que dependem mais do subsídio governamental, serão os mais afetados.  


A pressão por medidas emergenciais é uma outra face amarga da mesma moeda, pois em caso de grandes perdas, o governo pode ter que liberar auxílios "ad hoc", gerando custos absolutamente imprevistos.  


E os efeitos não param por aí: como o Brasil é um dos maiores exportadores agrícolas do planeta, a redução da proteção pode afetar a estabilidade da produção e enfraquecer a balança comercial.


Que alternativas restam na mesa? As parcerias público-privadas podem ser uma saída para ampliar a cobertura do plantio sem depender exclusivamente do orçamento federal.

As linhas de crédito emergenciais para safras afetadas por catástrofes climáticas também são alternativa interessante.

Finalmente, o corte no orçamento do seguro rural de fato aumenta a insegurança do produtor e pode ter efeitos desastrosos em toda a cadeia do agronegócio. Quem viver verá!


Foto: Agência Brasil

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.