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ROUBO NO INSS

CPI explode, quebra sigilo de Lulinha e descamba no braço na Câmara mista

Decisão atinge filho do presidente, tensiona governistas e oposição e transforma comissão em ringue político em ano eleitoral já inflamado.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 27/02/26 08:00
CPI explode, quebra sigilo de Lulinha e descamba no braço na Câmara mista
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CPI mista que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social atravessou nesta quinta-feira um daqueles momentos que definem a temperatura de Brasília. Por maioria, o colegiado aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Parlamentares governistas avançam em direção à mesa diretora para protestar contra decisão que atinge filho e expõe presidente Lula/Fotos: Divulgação.
O gesto é político - e dos grandes. Não se trata apenas de um procedimento investigativo - comum em CPIs quando há requerimento aprovado. Trata-se de atingir o entorno familiar do chefe do Planalto em plena vitrine nacional. A oposição sabe o peso simbólico do movimento. E o governo, acuado, reagiu como pôde.

Confusão é o resultado

Logo após a proclamação da votação, parlamentares governistas avançaram em direção à mesa diretora para protestar. Empurra-empurra, gritos, troca de acusações. No meio do tumulto, nomes conhecidos se envolveram diretamente na confusão: Rogério Correia, Alfredo Gaspar, Evair de Melo e Luiz Lima. Houve relato de soco. Houve pedido de desculpas. Houve sessão suspensa e sobretudo, exposição.

O deputado do Novo afirmou ter sido atingido. O petista admitiu ter reagido no empurra-empurra e pediu desculpas. A cena, transmitida e replicada em segundos nas redes, resume o estágio atual da política nacional: a investigação vira palanque; o palanque vira confronto físico; e o confronto físico vira combustível para a narrativa de ambos os lados.

No mérito, a decisão da CPI abre um flanco delicado para o Planalto. Quebra de sigilo é medida invasiva e costuma produzir manchetes mesmo antes de qualquer conclusão. Ainda que nada se comprove, o desgaste é imediato. A oposição ganha discurso. O governo ganha dor de cabeça.

No ambiente pré-eleitoral que já se desenha para 2026, cada episódio desse tipo é acumulativo. Não importa apenas o conteúdo das investigações, mas a imagem projetada. E a imagem desta quinta-feira é a de um Congresso tensionado ao limite.

Conflito ampliado

Há também um componente estratégico: ao mirar o núcleo familiar do presidente, a CPI eleva o patamar do embate e dificulta qualquer tentativa de distensionamento entre Executivo e Legislativo. O clima de cooperação eventual, necessário para votações estruturantes, sofre abalo. A sessão foi retomada minutos depois, como manda o rito, mas o estrago político já estava feito.

CPIs têm natureza investigativa, mas, no Brasil, raramente escapam de sua vocação teatral. Quando a investigação alcança o sobrenome presidencial, o roteiro ganha dramaticidade máxima - e Brasília, como sempre, transforma tensão institucional em espetáculo público.

A pergunta que fica não é apenas o que sairá da quebra de sigilo. É até onde essa escalada vai. 

Papo Reto

O Castanhal fez bonito na Copa do Brasil ao despachar o Guarani, dentro de Campinas, com o empate em 1 a 1 no tempo normal e 5 a 3 nos pênaltis.

•O “Japiim” faturou quase R$ 1 milhão por ter passado à segunda fase da competição e, como semifinalista do Parazão, também já assegurou vaga no brasileiro da Série D ano que vem.

Depois de registrar lucro de R$ 270,9 bilhões em 2024, o Banco Central também apresentou prejuízo em 2025: R$ 119,97 bilhões.

•As tensões entre Estados Unidos e Irã elevaram o preço do petróleo ao patamar de US$ 71.

Washington impôs novas sanções contra o transporte de óleo iraniano, enquanto o presidente Donald Trump exige o fim do programa nuclear de Teerã.

•Analistas alertam que um bloqueio no Estreito de Ormuz pode levar o barril a superar a casa dos US$ 100.

O desembargador Magid Nauef Láuar, do TJ-MG, acolheu recurso do Ministério Público do Estado e restabeleceu a condenação de homem de 35 anos por estupro de vulnerável contra menina de 12 anos. 

•O presidente da Câmara, Hugo Motta celebrou a aprovação do PL Antifacção, classificando-o como "a medida mais dura de enfrentamento ao crime organizado do País". 

Partido Novo acionou o STF contra a aplicação reiterada de sigilo sobre documentos públicos dos Três Poderes. 

•A sigla afirmou que o objetivo é pôr fim ao que chama de "farra dos sigilos", prática que, segundo a legenda, teria se agravado no governo Lula. 

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.