Otimismo dos brasileiros com o hexa é menor do que o registrado em 2018, no pós-7 a 1
São Paulo, SP - A confiança dos brasileiros em relação à seleção nacional está baixa. A pouco menos de um ano do início da próxima Copa do Mundo, que ocorrerá nos Estados Unidos, no Canadá e no México, pesquisa Datafolha mostra que 33% da população aposta que a equipe comandada pelo italiano Carlo Ancelotti, recém-chegado, vai alcançar o troféu na América do Norte.
A marca representa o percentual mais baixo da série histórica, iniciada há três décadas, com questionamentos semelhantes sobre o tema feitos pelo instituto. Antes do último Mundial, disputado no Qatar em 2022, 54% apostavam suas fichas no elenco então comandado por Tite.
No levantamento mais recente, o Datafolha ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, distribuídas em 136 municípios de todo o Brasil. A pesquisa foi realizada nos dias 10 e 11 de junho de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Aferida pelo Datafolha desde 1994, a opinião dos brasileiros sobre o vencedor do Mundial tivera em 2018 a pior marca registrada até então para a seleção verde e amarela. Às vésperas da edição realizada na Rússia, 48% acreditavam que o título ficaria com a equipe pentacampeã mundial.
O número ainda refletia a frustração vivida pelos brasileiros na Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil jogava em casa e terminou sua campanha de forma desastrosa: na semifinal, a equipe comandada por Luiz Felipe Scolari foi massacrada pela Alemanha e perdeu por 7 a 1. Depois, na disputa do terceiro lugar, nova derrota, 3 a 0 para a Holanda.
Antes de 2018, o índice jamais havia ficado abaixo de 56%, registrado em 1994, às vésperas da edição em que o Brasil conquistou o tetracampeonato nos Estados Unidos. O maior otimismo foi registrado em 2006, antes do Mundial disputado na Alemanha: a equipe brasileira chegou com 83% de confiança, otimismo impulsionado com a conquista do penta, em 2002, e com bons resultados na sequência.
Depois de ter atingido seu ápice, a expectativa dos brasileiros em relação à seleção passou a cair, ainda que com algumas oscilações. O índice foi de 64% em 2010, 68% em 2014, 48% em 2018 e 54% em 2022 até atingir agora os 33%.
A equipe canarinho, que era quase uma unanimidade nacional, passou a gerar dúvidas em metade do país e desinteresse em outra parte. O número de brasileiros que não souberam opinar sobre quem vai vencer a Copa de 2026 também foi de 33%.
O percentual de indecisos é maior entre as mulheres, 43% contra 23% dos homens, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos nesse recorte.
A divisão por faixa etária mostra que os jovens, com idade entre 16 e 24 anos, apresentam maior confiança na seleção (39%) do que aqueles com 60 anos ou mais (28%). A margem de erro nesse recorte é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos.
Algumas pessoas do primeiro grupo nem eram nascidas ou tinham apenas um ano de idade na última vez em que o Brasil foi campeão mundial, em 2002. Depois disso, o país teve como sua campanha mais longa na Copa aquela que lhe rendeu o frustrante quarto lugar de 2014 e amargou quatro eliminações nas quartas: 2006, 2010, 2018 e 2022. Mesmo assim, o sentimento deles é mais otimista.
Os mais velhos, que guardam na memória não só os fracassos recentes, mas também os tempos de glória do passado, estão mais pessimistas.
O cruzamento entre preferências políticas e expectativa na Copa revela uma diferença importante. A confiança de que o Brasil será campeão entre aqueles que pretendem votar na próxima eleição presidencial em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é de 42% —a margem de erro é de quatro pontos.
Entre aqueles que declaram intenção de voto no ex-presidente Jair Bolsonaro, 29% citam o Brasil favorito - também com margem de erro de quatro pontos.
No grupo daqueles que pretendem ter voto em branco ou nulo, 26% apostam no Brasil campeão em 2026, e 47% não souberam responder. A margem de erro é de seis pontos nesse recorte.
Independentemente do campo político, além do Brasil, a equipe mais citada na pesquisa foi a Argentina, campeã do último Mundial, em 2022, com 9% dos palpites. A Espanha aparece em terceiro, com 8%. Vice na última Copa, a França foi a quarta mais citada, com 6%.
Das três equipes mais citadas além do Brasil, apenas a Argentina confirmou sua vaga na Copa do Mundo de 2026, com a melhor campanha da América do Sul. A equipe alviceleste lidera as Eliminatórias do continente, com 35 pontos em 16 jogos.
O Brasil também se classificou no começo do mês passado, na segunda partida de Ancelotti à frente da equipe, com vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai.
A classificação amenizou as críticas que ecoam desde a queda nas quartas de final do Mundial no Qatar e ganharam mais força ao longo do novo ciclo, no qual o Brasil passou a conviver com troca de técnicos em meio a uma crise institucional na CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
(Com a Folha)
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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