o longo da história, poucos temas foram tão recorrentes quanto a ideia de que preservação da riqueza natural e desenvolvimento estão em lados opostos. São muitos os exemplos de regiões abundantes em recursos e localização estratégica, mas vulneráveis economicamente. Enquanto outras, com limitações evidentes, alcançaram elevados níveis de prosperidade.

No início do século XVII, o italiano Antônio Serra, referência da economia moderna, observou que a prosperidade de uma sociedade não dependia apenas da disponibilidade de riquezas, mas principalmente da capacidade de transformar recursos em atividades produtivas de maior valor agregado.
Ao comparar Nápoles e Veneza, constatou que a primeira, apesar do vasto território e abundância de recursos, apresentava baixos níveis de desenvolvimento econômico. Já Veneza, construída sobre um pântano, havia se transformado em uma das maiores potências comerciais de seu tempo graças ao investimento em conhecimento, tecnologia, comércio e manufatura.
Mais de quatro séculos depois, tal reflexão continua atual. Em 2025, o Pará exportou US$ 24,24 bilhões, com superávit comercial de US$ 21,49 bilhões, o terceiro maior do Brasil. Somos líderes em exportações na Região Norte.
No entanto, do total exportado, aproximadamente 81% dos produtos são de origem mineral. Quando observamos também o desempenho da soja, da carne bovina e dos bovinos vivos, percebemos que grande parte da riqueza produzida no Pará ainda está baseada em commodities, produtos cujo preço, demanda e acesso aos mercados são definidos fora de nossas fronteiras.
Outro detalhe: a China absorveu quase metade de tudo o que exportamos (45,56%). Considerando os outros mercados importadores, podemos afirmar, sem titubear, que decisões tomadas em Pequim ou Washington têm impacto imediato sobre a economia paraense. Das tarifas de importação dos EUA à ameaça ao agro brasileiro com a divulgação do plano de segurança alimentar da China que tem como base a autossuficiência.
Não se trata de criticar mercados ou parceiros comerciais. O problema está na dependência. E não se trata de falta de potencial e, muito menos, de vontade.
O Pará possui vantagens competitivas extraordinárias: energia limpa advinda de recursos hídricos renováveis, minerais estratégicos para a transição energética global, um dos maiores potenciais de bioeconomia do mundo, protagonismo na produção agropecuária da Amazônia e localização privilegiada para o comércio internacional. Mas precisamos avançar na agregação de valor às cadeias minerais, agropecuárias e florestais. A base para isso está também na ampliação de investimentos em infraestrutura logística, energia, pesquisa e inovação, redução de gargalos regulatórios, aumento da segurança jurídica e criação de um ambiente favorável à atração de novos investimentos.
E justamente nessa direção que a Federação das Indústrias do Estado do Pará, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), construiu o Mapa Estratégico da Indústria do Pará até 2032. Mais do que planejamento, uma agenda concreta para enfrentar gargalos históricos.
O mapa nasce de um processo rigoroso de diagnóstico, levantamento de ações existentes, entrevistas com lideranças e ampla articulação para a convergência definitiva entre setor produtivo, poder público e instituições de desenvolvimento.
As mais de 600 iniciativas abrangem desde a modernização regulatória e a digitalização de processos até a promoção da bioeconomia, a verticalização da produção mineral e agroindustrial, o fortalecimento das cadeias produtivas e a ampliação da presença da indústria paraense nos mercados nacional e internacional. São propostos mecanismos de monitoramento, indicadores de desempenho e maior integração entre os envolvidos.
É um caminho estruturado para que o Pará avance na construção de uma economia mais diversificada, resiliente e inovadora. A lição que atravessa séculos permanece a mesma: a riqueza de uma região não deve ser medida apenas pelo que ela extrai ou produz, mas pela capacidade humana de transformar recursos em desenvolvimento, com empregos qualificados, inovação e oportunidades para todos.

•Está no BID: o prefeito de Augusto Corrêa, Estrela Nogueira (foto), atacante e artilheiro peladeiro, está inscrito pelo Urumajó para Segundinha.
•Francisco Queiroz Nogueira,53 anos, promete estrear neste sábado no jogo do acesso contra o Paragominas, em casa.
•Essas patuscadas costumam produzir efeito contrário; tomara seja só brincadeira do prefeito.
•Cerca de 80% dos brasileiros utilizam o pix em seus negócios diários e isso incomoda os banqueiros dos EUA que têm sistema similar, mas com taxa em cada transação, como era aqui no passado.
•O problema é que alguns países querem implantar o pix tirando dinheiro dos trustes americanos.
•Atenção fumantes e consumidores de álcool e refrigerantes. Todos esses produtos, considerados prejudiciais à saúde, serão sobretaxados ainda mais a partir de 2027.
•Diretor da Agência Nacional de Mineração, o paraense José Fernando Gomes Jr, participa, nesta semana, em Brasília, do Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração.
•Computadores a bordo dos veículos modernos ligados à IA vão identificar motorista estressado, sonolento, distraído e cometendo abusos no trânsito, anuncia a indústria automobilística chinesa.
•Até utensílios e bebês esquecidos no interior do veículo serão lembrados.
•O Brasil tem 210 milhões de habitantes e 170 milhões de animais de estimação, a maioria cães e gatos, mas também pássaros, aranhas, hamsters, ofídios e peixes. E muitos são elevados ao posto de membros da família.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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