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ECONOMIA PRATEADA

Envelhecer custa cada vez mais caro para os brasileiros, aponta levantamento da FGV

Alimentação, saúde e despesas domésticas pressionam o orçamento da terceira idade, enquanto o mercado amplia a oferta de produtos e serviços voltados à longevidade.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 29/07/26 17:00
Envelhecer custa cada vez mais caro para os brasileiros, aponta levantamento da FGV
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Brasil envelhece em ritmo acelerado e essa transformação demográfica já produz um efeito cada vez mais perceptível no bolso das famílias. Viver mais continua sendo uma conquista da medicina e das políticas públicas, mas manter qualidade de vida na terceira idade tornou-se um desafio financeiro crescente.

 

Pessoas com 50 anos ou mais responderam por 35% de todo o consumo de produtos e serviços de saúde no país em 2024/Fotos: Divulgação

Levantamentos da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) mostram que os idosos enfrentam uma inflação diferente daquela sentida pela população em geral. Isso ocorre porque a cesta de consumo das pessoas com mais de 60 anos concentra despesas difíceis de reduzir ou substituir, como alimentação, medicamentos, planos de saúde, energia elétrica e serviços de apoio.

Em junho, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,24% no grupo alimentação, o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) apontou alta de 0,56% para os mesmos produtos. No acumulado de 12 meses, os alimentos consumidos pelos idosos subiram 4,81%, acima dos 3,82% registrados pelo IPCA.

A diferença reflete hábitos de consumo próprios dessa faixa etária. Produtos como leite e derivados, frutas, verduras e outros alimentos naturais, recomendados para prevenção de doenças e manutenção da saúde, representam parcela mais significativa do orçamento dos idosos do que da média da população.

Saúde pesa mais

Os gastos com assistência à saúde tornam-se ainda mais expressivos com o avanço da idade. Além dos planos de saúde e medicamentos, pesam no orçamento despesas com exames, consultas, cuidadores, empregados domésticos e serviços de transporte por aplicativo ou táxi, muitas vezes utilizados por quem já apresenta dificuldades de locomoção.

Também cresce o consumo de energia elétrica e gás de cozinha, consequência natural de uma rotina com mais tempo dentro de casa e maior utilização de eletrodomésticos, fogão e aparelhos de climatização.

Embora a gratuidade no transporte público e menores despesas com educação e lazer aliviem parte do orçamento, esses fatores não compensam integralmente o avanço dos custos considerados essenciais.

Em junho, por exemplo, a inflação medida pelo IPC-3i fechou em 0,38%, mais que o dobro dos 0,16% registrados pelo IPCA.

Mercado em alta

O envelhecimento da população também movimenta um mercado cada vez mais especializado. Segundo o estudo Economia Prateada no Brasil, da consultoria Data8, pessoas com 50 anos ou mais responderam por 35% de todo o consumo de produtos e serviços de saúde no país em 2024. A projeção é que essa participação alcance 43% até 2034.

A participação da saúde no orçamento cresce conforme a idade avança. Entre brasileiros com menos de 50 anos, representa cerca de 8% das despesas. Entre pessoas de 60 a 64 anos, esse percentual sobe para 14%; entre 70 e 74 anos, chega a 18%; e, acima dos 80 anos, alcança 21% do orçamento familiar.

Especialistas alertam, contudo, que muitos levantamentos ainda não conseguem medir com precisão o peso de novos serviços que acompanham o envelhecimento da população, como cuidadores, assistência domiciliar e outras atividades voltadas à longevidade.

O desafio final

O Brasil conseguiu aumentar a expectativa de vida de sua população nas últimas décadas. Agora, o desafio é fazer com que viver mais não signifique apenas acumular anos, mas preservar autonomia, saúde e qualidade de vida.

Afinal, para milhões de brasileiros, a longevidade já deixou de ser apenas uma conquista da medicina. Tornou-se também uma equação econômica cada vez mais difícil de fechar.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.