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Êxodo preocupante: empresas abandonam o Brasil em busca de previsibilidade

Fenômeno prejudica arrecadação brasileira, já que o faturamento de grandes operações está girando em torno de R$590,9 milhões no terceiro trimestre de 2025

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 31/05/26 10:00
Êxodo preocupante: empresas abandonam o Brasil em busca de previsibilidade

Muito mais sintomático que o fato de, até o início deste ano, 232 grandes empresas brasileiras terem migrado para o Paraguai é o silêncio sepulcral de Lula da Silva e sua equipe econômica. A verdade é que contra fatos não sobrevivem argumentos.


Elas, as empresas, já não suportam mais a absurda carga de tributária brasileira - a maior do planeta - e que, aliás, por si só já vem provocando a maior taxa de falências da história recente deste País.


O movimento já é de longe uma das principais tendências da integração produtiva no Mercosul a atingir principalmente os setores têxtil, de autopeças e plásticos. As empresas só querem se livrar dos exageros do "Custo Brasil". Acabaram por revolucionar completamente o setor industrial de Ciudad del Este.


Especialistas são unânimes: a excorchante carga tributária no Brasil é o fator primordial dessa migração, já que enquanto uma indústria no Brasil é obrigada a pagar de 40% a 65% do seu faturamento em tributos, uma empresa no Paraguai tem um custo total, entre impostos e encargos, de cerca de apenas 12%.


Além disso, o custo para contratar um trabalhador no Paraguai é de 30% a 40% menor, mesmo com um salário-mínimo similar ou superior ao brasileiro, devido à grande diferença nos encargos trabalhistas.


Ou seja, a simplificação tributária paraguaia, que opera no modelo "triplo 10", a energia industrial até 60% mais barata (graças à Itaipu) e os benefícios fiscais por até 20 anos (que significa segurança jurídica) têm criado um ambiente muito mais previsível do que a complexidade brasileira.


O governo silencia, mas o Brasil enfrenta significativa perda de arrecadação fiscal, já que o faturamento de grandes operações girando em torno de R$590,9 milhões no terceiro trimestre de 2025.


A grande verdade é que os investimentos brasileiros acumulados, que chegam a US$1,5 bilhão, têm transformado o Paraguai em um polo exportador para todo o Mercosul, gerando cerca de 25 mil empregos diretos, sem que o país tenha enfrentado a necessidade de construir uma base industrial "do zero".


Sim, o rápido crescimento industrial do Paraguai pode desaguar em pressões trabalhistas e ambientais, mas o governo de Santiago Peña, do partido Colorado, parece lidar com a situação de forma pragmática, aproveitando o cenário que não pediu para ser criado. Ele foi cirúrgico criando uma teia de incentivos fiscais e fatores de competitividade de custos capazes de estimular quem de fato só quer produzir.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.