Fraudes chegam ao Pará e provocam investigação aberta pelo STJ no TRT 8 Ponta do Cururu, em Alter do Chão, vai a leilão e pode "roubar" pôr do sol de turistas Após voto vencido, juiz critica cobertura da imprensa sobre julgamentos no TRE
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Fraudes chegam ao Pará e provocam investigação aberta pelo STJ no TRT 8

Caso envolvendo advogadas de Parauapebas acusadas de usar comandos ocultos em petição judicial entrou no radar nacional.

  • 87 Visualizações
  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 24/05/26 17:00
Fraudes chegam ao Pará e provocam investigação aberta pelo STJ no TRT 8
O


uso da inteligência artificial no sistema de Justiça brasileiro entrou definitivamente em zona de tensão institucional. Na quarta-feira, 20, o Superior Tribunal de Justiça determinou a abertura de investigação para apurar tentativas de fraude em seu sistema eletrônico por meio do uso de comandos ocultos destinados a manipular ferramentas de inteligência artificial utilizadas na tramitação processual.

 

Investigação apura tentativas de fraude em sistema eletrônico por meio do uso de comandos ocultos manipulados/Fotos: Divulgação.

A decisão foi tomada pelo presidente do STJ, Herman Benjamin, após técnicos identificarem petições contendo mecanismos conhecidos como prompt injection, técnica usada para induzir sistemas de inteligência artificial a ignorarem filtros, critérios técnicos e barreiras automáticas de admissibilidade.

Na prática, os comandos escondidos tentam “orientar” a IA do tribunal a favorecer determinada parte do processo.

Referência nacional

O alerta ganhou dimensão ainda maior porque um dos episódios mais rumorosos do País ocorreu justamente no Pará. Duas advogadas que atuam em Parauapebas foram acusadas de inserir comandos invisíveis em uma petição destinada ao sistema Galileu, ferramenta de IA utilizada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.

Segundo a decisão judicial, o texto oculto orientava a inteligência artificial a contestar a petição “de forma superficial”, sem impugnar documentos nem aprofundar argumentos. O comando teria sido inserido em letras brancas sobre fundo branco, invisíveis numa leitura comum, mas detectáveis por sistemas automatizados.

O juiz Luiz Carlos de Araújo Santos Júnior classificou a prática como “ato atentatório à dignidade da Justiça”. As advogadas Luanna de Sousa e Cristina Medeiros acabaram multadas em mais de R$ 84 mil.

A reação da OAB

A repercussão nacional levou a Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará a suspender cautelarmente as duas advogadas por 30 dias enquanto o caso é analisado pelo Tribunal de Ética da entidade. Segundo a OAB, a medida busca preservar a credibilidade da advocacia diante da gravidade das acusações.

As advogadas negam tentativa de manipular decisões judiciais. Em nota, afirmaram que o objetivo seria impedir eventual uso inadequado de IA pela parte adversa, e não interferir no trabalho do magistrado.

O episódio, porém, atravessou rapidamente as fronteiras do Pará e passou a ser tratado como marco nacional nas discussões sobre ética digital no Judiciário.

Mira dos tribunais

O debate cresceu ainda mais após outro caso explosivo surgir no Maranhão. Parecer da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão apontou indícios de uso massivo de inteligência artificial pelo juiz Tonny Carvalho Araújo Luz em decisões judiciais.

Segundo relatório técnico, a produtividade do magistrado saltou de média mensal de 80 sentenças para 968 decisões em apenas um mês de 2024. A investigação identificou textos padronizados, fundamentos genéricos, precedentes inexistentes e até erros na reprodução de súmulas do STJ - sinais típicos de uso automatizado sem revisão humana adequada. O magistrado admitiu utilizar ferramentas de IA, mas alegou boa-fé e afirmou seguir diretrizes do Conselho Nacional de Justiça.

Fronteira de risco

Os dois episódios expõem o avanço acelerado da inteligência artificial dentro do sistema de Justiça brasileiro - tanto nos escritórios de advocacia quanto nos próprios tribunais.

Se de um lado a tecnologia promete agilizar julgamentos e reduzir custos, de outro passa a abrir uma nova fronteira de fraudes, manipulações processuais e decisões produzidas sem controle humano efetivo.

O caso do Pará acabou transformando o Estado em referência nacional num debate que apenas começou: até onde a inteligência artificial pode entrar no Judiciário sem comprometer a própria credibilidade da Justiça?

Papo Reto

O CEO da Master Motors, Luiz Pinheiro (foto), ampliou operações na travessia do Marajó: além das lanchas rápidas “Golfinho” e “Campeão”, entrou no transporte por ferryboat de veículos e passageiros. O grupo também controla o Hotel Casarão da Amazônia.

•“Enquanto a prefeitura não fiscalizar diariamente por pelo menos um mês, com multas pesadas, a ocupação criminosa da ciclofaixa da Arthur Bernardes continuará”, resume a leitora Antonieta Amorim. E resume bem.

A Organização Mundial da Saúde estima agora que a covid-19 esteve associada a 22,1 milhões de mortes no mundo entre 2020 e 2023 - mais que o triplo do total oficialmente registrado.

•O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a criação do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, celebrado em 12 de março, data da primeira morte registrada no País.

O Atlas da Violência revelou aumento superior a 1.000% nos casos de violência contra a população LGBT na última década. Muitas agressões continuam disfarçadas de “brincadeira”.

•Se depender do senador Davi Alcolumbre, a CPMI do Banco Master continuará estacionada por tempo indeterminado no Congresso.

O Congresso derrubou vetos de Lula e liberou novamente doações e transferências a municípios em período eleitoral. Em Brasília, chamam de articulação. No interior, chamam de festa.

•O Supremo Tribunal Federal começou a julgar mudanças na Lei da Ficha Limpa. Dependendo do entendimento da Corte, condenados poderão voltar ao jogo eleitoral mais cedo.

A Fundação Oswaldo Cruz produzirá para o SUS medicamento de alto custo contra esclerose. Boa notícia em meio ao colapso permanente da saúde pública.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.