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FUNTELPA

Gestão Miro Sanova exibe sequência de questionamentos e compromete cultura

Contratos de digitalização, gestão de pessoal, polêmicas editoriais e viagens oficiais ampliam desgaste do presidente da fundação.

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  • DA Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 02/03/26 08:00

Uso de IA para reformulação do programa “Catalendas”, da TV Cultura, provocou reação negativa do público/Fotos: Divulgação.


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 ex-deputado estadual Miro Sanova iniciou a carreira política no PDT, partido pelo qual se elegeu vereador em Ananindeua e, depois, deputado estadual. Em 2009, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria Municipal de Cultura na gestão do então prefeito Helder Barbalho. Retornou à Câmara e, posteriormente, foi eleito deputado em 2014, reelegendo-se em 2018.

Em 2023, assumiu a presidência da Fundação Paraense de Rádio e Televisão (Funtelpa). No ano seguinte, trocou o PDT pelo PT para disputar a Prefeitura de Ananindeua. Derrotado, voltou ao comando da fundação em fevereiro de 2025, segundo declarou, “a convite do governador”. Desde o retorno, a gestão coleciona controvérsias.

Cultura artificial

Em 2025, ano em que Belém sediou a COP30, a direção da Fundação apresentou proposta de reformulação do tradicional programa “Catalendas”, da TV Cultura do Pará, com uso de inteligência artificial.

O material promocional divulgado nas redes, com personagens descaracterizados, gerou reação negativa de parte do público. Após a repercussão, a iniciativa foi suspensa.

Outra polêmica ocorreu quando o filho adolescente do presidente participou como comentarista esportivo no programa “Esporte 93”, analisando a campanha do Clube do Remo no Parazão 2026. A participação foi defendida pelo gestor como reconhecimento ao interesse e conhecimento do jovem sobre futebol, mas provocou questionamentos internos sobre critérios editoriais.

Crise nos bastidores

Durante a atual gestão, dois diretores foram afastados após denúncias de assédio moral e sexual contra servidores. Em um dos casos, o processo foi arquivado por falta de provas, após as acusações não serem sustentadas judicialmente.

Há ainda questionamentos envolvendo servidor classificado como “assistente II”, que teria sido designado para executar serviços técnicos especializados no interior do Estado - atividade que, segundo relatos internos, demandaria qualificação específica. Um pedido de 13 diárias e meia para deslocamento a municípios do oeste paraense chegou a ser formalizado em 2023, mas foi posteriormente revisto. Documentos indicam que o valor previsto ultrapassava R$ 3 mil.

Há ainda relatos de trabalhadores contratados como auxiliares administrativos, via empresa terceirizada, que exerceriam funções jornalísticas ou técnicas - situação que, se confirmada, pode configurar desvio de função.

Acervo digital

O ponto mais sensível envolve contratos para digitalização do acervo histórico da emissora, que reúne mais de três décadas de registros audiovisuais do Pará. Dois pagamentos à empresa Mídia Center somam mais de R$ 200 mil, referentes a serviços de “gravação, edição e digitalização de acervo analógico”, realizados entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. Servidores ouvidos pela coluna afirmam que não há material digitalizado disponível para consulta interna.

Procurada, a empresa informou que atua por meio de adesão à Ata de Registro de Preços, com execução sob demanda e valores tabelados. Sustenta que os preços seguem parâmetros de mercado e nega qualquer irregularidade. Não detalhou, contudo, o volume de horas efetivamente convertidas. Também há relatos de inserções publicitárias e merchandising na programação sem divulgação clara de contratos correspondentes, o que levanta dúvidas sobre o fluxo formal de receitas.

Agenda em Brasília

Viagem oficial a Brasília, em fevereiro de 2024, registrou publicamente encontro com o senador Beto Faro e a deputada federal Dilvanda Faro, ambos do PT. Não houve divulgação de agenda técnica adicional vinculada à missão institucional.

A lei do silêncio

A Funtelpa não é apenas uma estrutura administrativa. É guardiã da memória audiovisual do Estado. Quando contratos, funções e decisões editoriais passam a ser questionados, o problema deixa de ser político e passa a ser institucional - e memória pública não admite edição seletiva.

A coluna solicitou esclarecimentos formais ao presidente da fundação sobre os pontos mencionados, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

Papo Reto

·Em Minas, o governador Romeu Zema (foto) determinou que presos entrassem no mutirão de ajuda ao povo afetado pela tragédia das enchentes.

·Horas mais tarde, postagens petistas na internet já acusavam Zema de não oferecer “aos meninos" melhores condições de trabalho.

·Do jornalista Cláudio Humberto: "O fascínio da esquerda por criminosos chega a ser patológico".

·Uma coisa é certa, segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto: se eleito presidente da República, Flávio Bolsonaro vai reduzir a maioridade penal, espécie de "clamor nacional".

·Ligeirinho como um bólido, o governo Lula deu a cara a bofete ao condenar os ataques dos EUA e Israel ao Irã pregando “máxima contenção”.

·A nota do Itamaraty em favor do aliado de Lula afirma que “a diplomacia é o único caminho viável para a paz".

·Preferencialmente - para eles, claro -, garantindo aparato nuclear aos grupos terroristas do mundo...

·Aliás, a nota do Itamaraty promete: o deputado federal Rodrigo Valadares promete convocar nesta segunda o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para se explicar junto à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.

·O Pix por aproximação completou um ano apresentando baixíssima adesão: só 0,01% das transações em janeiro.

·Chrysalis, projeto de nave geracional com gravidade artificial, planeja manter 2.400 pessoas vivas e estáveis em voo espacial de 400 anos.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.