Médico Paulo Soares reforça a importância da prevenção e do monitoramento das formas crônicas das hepatites B e C, associadas a tumores hepáticos
Belém, PA - Inflamações no fígado causadas por vírus, associadas ao uso excessivo de álcool, drogas, medicamentos e até doenças autoimunes, as hepatites virais afetam milhares de brasileiros todos os anos, muitas vezes sem apresentar sintomas nas fases iniciais. As formas crônicas dos tipos B e C estão diretamente ligadas ao desenvolvimento do câncer de fígado, uma das neoplasias mais letais. A estimativa para o triênio 2023–2025 é de 10.700 novos casos de câncer hepático por ano no País, ou seja, 5 casos por 100 mil habitantes, sendo 6.390 entre homens e 4.310 entre mulheres, segundo o Ministério da Saúde (MS).
O alerta é do oncologista Paulo Soares, do Hospital Ophir Loyola (HOL), que reforça a urgência em ampliar a conscientização, o diagnóstico precoce e a prevenção. Segundo ele, o desconhecimento e a falta de rastreamento adequado ainda são os maiores obstáculos no combate à progressão dessas infecções perigosas, e a infecção crônica pelos vírus B e C causa alterações moleculares no organismo que favorecem o surgimento de tumores.
“Existe uma relação direta entre a infecção crônica por esses vírus e o desenvolvimento do câncer de fígado. A infecção persistente pode se estender por anos e alterar o DNA das células hepáticas. O vírus da hepatite B é o mais preocupante, pois tem a capacidade de integrar-se ao genoma da célula hospedeira, favorecendo a carcinogênese mesmo na ausência de cirrose, estágio avançado da doença. Com o tempo, o fígado desses pacientes evolui com fibrose e inflamação crônica decorrentes da agressão viral, e contribuem com formação precoce de neoplasias”, esclareceu Soares.
Conforme o oncologista, é fundamental que pacientes com hepatites B e C crônicas sejam submetidos a vigilância oncológica rigorosa, incluindo exames de imagem periódicos e monitoramento de marcadores tumorais. “A evolução da hepatite para o câncer ocorre, na maioria dos casos, por meio da cirrose hepática, condição em que o tecido saudável do fígado é, gradualmente, substituído por tecido cicatricial (fibrose), comprometendo o funcionamento do órgão e podendo levar à falência hepática”, enfatizou.
No Pará, o Hospital Ophir Loyola (HOL), referência em tratamento oncológico, registrou um aumento significativo nos casos de câncer de fígado nos últimos três anos. Em 2022, foram diagnosticados 95 casos (52 homens e 43 mulheres). Esse número subiu para 118 em 2023 (68 homens e 50 mulheres) e alcançou 162 em 2024 (90 homens e 72 mulheres). O crescimento de 70% no período reforça a necessidade de atenção às formas crônicas da doença e ao rastreamento precoce.
Além do diagnóstico e acompanhamento, o hospital oferece tratamentos especializados para pacientes com câncer de fígado. “O Hospital oferece diversas modalidades terapêuticas. Entre elas, destacam-se a quimioterapia convencional, as cirurgias hepáticas, e a quimioembolização, um procedimento em que injetamos o quimioterápico diretamente na artéria que irriga o tumor, provocando a interrupção do fluxo sanguíneo e levando à morte das células tumorais. Em alguns casos, também utilizamos a radioterapia. E, em breve, iniciaremos a técnica de ablação como mais uma ferramenta eficaz na destruição do tumor”, explicou Paulo Soares.
A detecção do câncer de fígado geralmente requer uma abordagem combinada, que inclui exames laboratoriais, como testes sanguíneos; métodos de imagem, a exemplo da ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética, e, em determinadas situações, a realização de biópsia. “A interpretação desses dados, aliada ao histórico clínico do paciente, permite confirmar o diagnóstico e determinar o estágio da doença”, informou o especialista.
Soares informa ainda que a vacinação contra a hepatite B contribuiu para uma redução significativa na incidência do câncer hepático relacionado a esse vírus. “ A imunização é oferecida, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a todas as pessoas que ainda não foram vacinadas, independentemente da faixa etária. No caso das crianças, a vacina integra o calendário nacional de imunização obrigatório. Vale destacar que a vacina é a primeira a prevenir um tipo específico de câncer. Por outro lado, ainda não há uma vacina disponível para a hepatite C.”
Foto: Agência Pará
(Texto publicado originalmente na Agência Pará)
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.