Entidade alerta para risco de colapso logístico durante estiagem, com prejuízos bilionários ao escoamento de grãos, aumento de custos e impactos sobre comunidades da região.
s vésperas do período de estiagem na Amazônia e diante da previsão de um novo evento climático extremo associado ao chamado "Super El Niño", a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entrou na pressão sobre o governo federal para que autorize a dragagem emergencial do rio Tapajós, no Pará.

A Hidrovia do Tapajós, com cerca de 280 quilômetros entre Itaituba e Santarém, é estratégica para o transporte da produção agrícola do Centro-Oeste rumo aos portos do Arco Norte. Além da movimentação de cargas, o rio garante o deslocamento de passageiros, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e indígenas e o acesso a serviços públicos.
Em 2025, a hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior. Soja e milho responderam por 88,4% desse volume, mas a rota também é fundamental para o transporte de fertilizantes, combustíveis e outros produtos essenciais ao abastecimento da região.
Segundo o Coinfra, sem a dragagem emergencial, a redução da navegabilidade poderá comprometer o escoamento de até 5,5 milhões de toneladas de grãos em 2026, gerando custos logísticos adicionais estimados em R$ 500 milhões.
O impacto não seria apenas econômico. O deslocamento dessas cargas para rodovias aumentaria significativamente as emissões de gases de efeito estufa, com estimativa de acréscimo de cerca de 55 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂).
A entidade ressalta que a proposta de dragagem foi redimensionada justamente para minimizar impactos ambientais. O projeto prevê a retirada de aproximadamente 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos em apenas sete pontos críticos entre Miritituba e Santarém, abrangendo menos de 2% da extensão navegável da hidrovia.
A execução dos serviços levaria entre 90 e 100 dias e, segundo a CNI, seria integralmente financiada pela iniciativa privada, cabendo ao poder público apenas a fiscalização e o acompanhamento ambiental da obra.
Cobrança ao governo
Embora defenda o cumprimento das exigências ambientais, o diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais e o monitoramento rigoroso das intervenções, o Coinfra afirma que esses procedimentos não podem servir de justificativa para a paralisação de uma medida considerada urgente.
Na avaliação da entidade, a ausência de uma decisão rápida pode comprometer não apenas o agronegócio, mas também o abastecimento regional e a mobilidade de milhares de pessoas que dependem da hidrovia.
A manifestação amplia a pressão sobre o governo federal para reavaliar a decisão e encontrar uma solução que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e manutenção da navegabilidade de um dos principais eixos logísticos da Amazônia.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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