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Justiça se arrasta, mandato passa e punição de Antônio Doido vira detalhe

Decisão tardia do Tribunal Regional Eleitoral do Pará expõe descompasso entre o tempo judicial e o ciclo político.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/04/26 08:00
Justiça se arrasta, mandato passa e punição de Antônio Doido vira detalhe
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confirmação da condenação do deputado federal Antônio Doido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, com imposição de inelegibilidade por oito anos, resolve o processo, mas não resolve o problema. Resolve no papel, não na prática.

 

Eleito deputado federal em 2022, parlamentar concorreu à Prefeitura de Ananindeua em 2024 e se prepara para se reeleger à Câmara/Fotos: Arquivo.

A decisão, tomada por maioria, reconhece abuso de poder político e econômico na eleição de 2024, mas chega depois do principal: o mandato já foi conquistado, exercido e incorporado ao jogo político. Antônio Doido foi eleito deputado federal em 2022, o julgamento se refere à eleição para a Prefeitura de Ananindeua, em 2024, mas o parlamentar já prepara as baterias para tentar a reeleição este ano.

O caso escancara um velho conhecido: o descompasso entre o tempo da Justiça e o tempo da política. Quer dizer, quando a resposta vem após o ciclo eleitoral, o efeito pedagógico se perde. A sanção passa a operar para frente, enquanto o passado - onde o fato ocorreu - permanece intocado. Na prática, cria-se um ambiente em que o risco é calculado: se a punição vier, virá depois.

Método repetido

Os elementos do processo não são inéditos. Uso de estrutura pública, eventos de grande porte e exposição massiva já haviam sido observados em disputas anteriores, sem resposta imediata capaz de interferir no andamento eleitoral. A repetição de estratégias indica algo mais profundo: não é falha pontual, é padrão que se consolida na ausência de resposta tempestiva.

Recursos e sobrevida

A própria decisão abre espaço para novos capítulos. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, o que, na prática, prolonga o efeito suspensivo típico desses casos. Enquanto isso, o calendário político segue. Pré-candidaturas são lançadas, articulações avançam e o processo eleitoral se reorganiza como se a decisão fosse apenas mais uma etapa - não um ponto final.

Efeito colateral

Situações semelhantes já foram observadas em outros casos no País, em que decisões judiciais não produziram impacto imediato sobre mandatos em curso. O resultado é uma percepção recorrente: a de que a responsabilização existe, mas chega tarde.

No fim, além de deixar o leitor atarantado, a questão deixa de ser jurídica e passa a ser estrutural, uma vez que, quando a Justiça decide depois que tudo já aconteceu, a punição continua existindo - mas o efeito, esse já passou - “Esse aí passou/esse aí passou/esse aí passou..., como no axé da banda É o Tchan.

Papo Reto

•Um problema que vinha sendo empurrado deve tensionar a campanha de Hana Ghassan (foto) ao governo: o reajuste de 6% dado pelo Estado.

•A medida caiu mal na caserna - e não foi só entre os militares. Na PM, a bronca maior é a tabela de soldos parada no tempo, enquanto outras PMs do Norte já avançaram. O resultado é tropa comparando contracheque - e perdendo.

Na Polícia Civil e na Polícia Científica, o clima também azedou. Promessas negociadas com o governo teriam ficado no papel, o que ampliou a sensação de desgaste interno.

•Para piorar, as queixas sobre estrutura precária nas unidades - capital e interior - voltaram à superfície. E ainda tem o fator aposentadoria: gratificações de função já não incorporam como antes, o que derruba a renda na reserva.

A edição extra do Diário Oficial só confirmou o que já corria nos corredores: insatisfação espalhada e crescente nas forças de segurança.

•Sessenta senadores estão de olho em candidaturas próprias em 2026. A maioria deles postula a reeleição, mas alguns fazem investidas aos governos estaduais. 

•Até o momento, 49 senadores estão com a pré-candidatura encaminhada. Os demais ainda discutem o que fazer. O mapeamento também mostra como a pré-campanha já reorganiza forças no Senado antes mesmo do início oficial da disputa. 

•Nos bastidores da política, indecisão quase sempre é só estratégia com prazo aberto. Há décadas, circula entre assessores a máxima de que ninguém espera o calendário oficial para começar a se mexer.

Primeiro se ocupam todos os espaços possíveis, depois se escolhe o destino. Não por acaso, em meio às articulações antecipadas, um assessor resumiu com ironia o espírito da pré-campanha permanente: "O senador ainda não decidiu o que vai disputar. Mas, por precaução, já começou a campanha para todas as opções."


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.