O desempenho também se refletiu no mercado de trabalho com a criação de 421 novos postos de trabalho entre janeiro e maio
São Paulo, SP - Alta de 8,2% no faturamento foi acompanhada por crescimento das exportações, arrecadação tributária e previsão recorde de investimentos até 2030, com destaque para minerais críticos.A mineração brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados positivos em praticamente todos os indicadores econômicos.
O setor faturou R$ 150,7 bilhões, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando a receita somou R$ 139,2 bilhões. Os números foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
O desempenho também se refletiu no mercado de trabalho. Em maio de 2026, a mineração empregava 229.614 trabalhadores diretamente, com a criação de 421 novos postos de trabalho entre janeiro e maio.
Na distribuição regional da receita, Minas Gerais manteve a liderança, respondendo por 38,2% do faturamento nacional. Em seguida aparecem o Pará, com 34,6%, e a Bahia, com 5% do total.
Na avaliação de Pablo Cesário, presidente do IBRAM, o desempenho da mineração reflete fatores estruturais. "A ampliação da participação no PIB, com aumento de investimentos, e esse resultado são muito impressionantes, porque não vieram só do preço, mas também do aumento da produção", afirmou.
Embora continue sendo o principal produto mineral brasileiro, o minério de ferro apresentou desempenho mais moderado. O mineral respondeu por 47,2% do faturamento do setor, equivalente a R$ 71,2 bilhões, mas registrou queda de 3,1% na comparação com o primeiro semestre de 2025
Mineração na Balança Comercial
No comércio exterior, a mineração ampliou sua participação na balança comercial brasileira. Foram exportadas 196,2 milhões de toneladas de produtos minerais, volume 2,4% superior ao registrado no primeiro semestre do ano anterior. Em valor, as exportações alcançaram US$ 25,1 bilhões, alta expressiva de 24,1%.
O minério de ferro permaneceu como o principal produto exportado, representando 53,6% das vendas externas do setor. A China consolidou sua posição como principal destino da produção mineral brasileira, absorvendo 70,1% das exportações em toneladas
As importações de produtos minerais também cresceram. O Brasil importou 20,9 milhões de toneladas, avanço de 6,7%, movimentando US$ 4,8 bilhões, valor 18,9% superior ao do mesmo período de 2025. Os principais fornecedores foram Estados Unidos (18,9%), Canadá (15,2%), Rússia (12,7%) e Austrália (11,6%).
Com esse desempenho, o saldo da balança comercial mineral atingiu US$ 20,3 bilhões, o equivalente a 48% do saldo total da balança comercial brasileira, que foi de US$ 42,36 bilhões no período.
A contribuição da mineração para as contas públicas também aumentou. A arrecadação de impostos e tributos totalizou R$ 52 bilhões, crescimento de 8,2% sobre o primeiro semestre de 2025. Já a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) alcançou R$ 3,8 bilhões.
Os dados também reforçam a perspectiva de expansão dos investimentos no setor nos próximos anos. O IBRAM estima que os projetos previstos para o período de 2026 a 2030 somem US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao projetado no ciclo anterior.
Investimentos em minerais críticos
Entre os destaques está o avanço dos investimentos destinados aos minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética e para cadeias industriais de alta tecnologia. A previsão é de US$ 21,3 bilhões em aportes até 2030, um aumento de 15,2%, refletindo a crescente demanda global por minerais utilizados na produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos de geração de energia renovável e tecnologias digitais.
Na avaliação do IBRAM, os resultados do primeiro semestre demonstram a resiliência da mineração brasileira e sua importância para a economia nacional. Além de fortalecer a balança comercial, o setor amplia sua contribuição para a arrecadação pública, gera empregos e intensifica os investimentos voltados à produção de minerais estratégicos, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais de recursos minerais.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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