Cultura em Belém afunda: improviso, apadrinhamento e suspeitas em série Deputado do MDB chama desafeto de "palhaço" e ameaça em nome do governo MP apura suposta conivência de órgãos públicos em obras de restaurante irregular
EM MOSQUEIRO

MP apura suposta conivência de órgãos públicos em obras de restaurante irregular

Ação pede retirada das estruturas construídas irregularmente, a recuperação das áreas degradadas e indenização por dano moral coletivo.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 17/05/26 08:00
MP apura suposta conivência de órgãos públicos em obras de restaurante irregular
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epois de ‘enquadrar’ o Restaurante Jurubeba, em Mosqueiro, Distrito de Belém, por obras irregulares, o Ministério Público do Estado quer saber porque o projeto que avançou sobre áreas de uso coletivo e de proteção ambiental foi licenciado por quem não tem poder de liberação e ainda num prazo tão célere que chega a deixar quem procura o mesmo tipo de licença a ver navios.

 

Processo tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública dos Direitos Difusos, Coletivos e Individuais de Belém/Fotos: Divulgação.

De acordo com o MP, as obras teriam ultrapassado os limites autorizados originalmente, com construção de restaurante, hotel e piscina em área de praia. Moradores do balneário do Ariramba formalizaram reclamações junto ao Ministério Público. O empreendimento também possui uma segunda estrutura na Praia do Marahú

Suposta facilitação

O problema é que o cenário aponta para um suposto esquema de beneficiamento dos proprietários do empreendimento, comandando pela ex-vereadora de Belém Eduarda Louchard, e seu marido, Paulo Louchard. O projeto Jurubeba teve início quando a ex-parlamentar ainda possuía mandato. À época, seu marido era diretor do sistema prisional em Mosqueiro.

O Ministério Público investiga se, à época, a então vereadora utilizou o poder de influência que o cargo confere para conseguir liberações e iniciar a obra por meio a Agência Distrital de Mosqueiro, que não possui legalidade e, muito menos, competência para liberar esse tipo de empreendimento.

De acordo com o promotor de Justiça Emério Mendes Costa, autor da ação, as autorizações emitidas desrespeitaram competências atribuídas a órgãos municipais responsáveis pelo ordenamento urbano, patrimônio histórico, meio ambiente e saneamento.

O Ministério Público também destacou a rapidez incomum na tramitação administrativa do procedimento de autorização, concluído em menos de 30 dias, apesar da complexidade das análises técnicas necessárias nas áreas urbanística, ambiental e sanitária.

A ação destaca, inclusive, que a própria Secretaria de Urbanismo já havia embargado as obras e reconhecido a ilegalidade das intervenções, o que não intimidou o casal Louchard. As obras avançaram e foram concluídas tão rapidamente quanto a própria liberação.

Município omisso

O Ministério Público afirma que, no caso do Jurubeba, houve omissão do município de Belém diante do descumprimento dos embargos e da continuidade das obras irregulares, sem adoção de medidas efetivas para impedir o avanço das intervenções. Daí o caso ter sido alvo de ação civil pública. O processo tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública dos Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Belém.

O MP pede, na ação, a proibição de emissão de novas autorizações irregulares pela Agência Distrital de Mosqueiro, a retirada das estruturas construídas irregularmente pelos donos do Jurubeba, a recuperação integral das áreas degradadas e pagamento de indenização por dano moral coletivo, com destinação dos valores ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

 Ocupações sem limite

O caso Jurubeba levou o MP a realizar vistorias em todas as praias de Mosqueiro. O resultado foi a identificação de ocupações irregulares em áreas de preservação permanente e em faixas de areia consideradas bens públicos de uso comum, em outros bares e restaurantes da ilha.

Entre essas obras irregulares estão piscinas em área de praia, barracas e quiosques com estruturas em concreto, fossas sépticas próximas à faixa de areia e cercamentos e obstáculos que restringem o acesso público às praias. Essas irregularidades resultaram em uma segunda ação civil pública contra o município de Belém. 

Em caráter liminar, o MP requer que a Prefeitura de Belém elabore e execute um plano de fiscalização das áreas de praia e orla sob pena de multa diária de R$ 5 mil, além da adoção de medidas para embargo, demolição das construções irregulares e recuperação das áreas degradadas.

O pedido liminar aguarda análise da 5ª Vara da Fazenda Pública de Belém. Caso a medida seja deferida, o município de Belém deverá apresentar, em prazo a ser fixado pela Justiça, um plano de fiscalização e controle das ocupações irregulares nas praias e orlas de Mosqueiro.

Papo Reto

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.