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No Pará, sorte e azar se misturam na intrincada teia entre o tarifaço e a exploração de petróleo

Entre a cruz e a caldeirinha: sorte é que, apesar de o Ibama continuar ‘amarrando’ a licença ambiental para a Petrobrás, o tarifaço de Trump não é tão pesado quanto parecia.

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  • 02/08/25 10:25

No caso das tarifas, Alex Carvalho adverte para riscos à cadeia produtiva do Estado, que segue dependendo do Ibama para chegar ao Eldorado do petróleo na Costa do Amapá/Fotos: Divulgação.


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o passo em que, na ponta do lápis, a indústria paraense ‘chora pitangas’ ante a postura renitente do Ibama de ignorar o conhecimento científico da Petrobrás e impede a exploração de gás e óleo em águas profundas na região conhecida como Foz do Amazonas, respira aliviada sobre o estudo recente segundo o qual o impacto das tarifas americanas ao Brasil terá efeito “apenas” moderado no Estado.

 A incerteza - ou a expectativa - sobre a exploração de óleo e gás na Costa do Amapá é recorrente e sofrida, incômoda e severa e depende apenas de uma decisão que não vem, pois está encravada em interesses inconfessáveis nos gabinetes de Brasília, senão em apenas um - o do Ministério do Meio Ambiente e seu “braço forte”, o Ibama. O sofrimento e o incômodo ficam para as populações que veem nesta alternativa distante uma mudança de paradigma do Amapá ao Pará.

A longa e lícita expectativa da sociedade amazônica virou um pesadelo em uma noite interminável de angústia, ante o fantasma chamado “licença ambiental” que garantiria consolidar as evidências geológicas de viabilidade econômica da exploração, que o Ibama parece não querer. Mas, dê-se a mão à palmatória: a Petrobrás fez todas as entregas de segurança operacional, centros de tratamento da fauna e estudos da movimentação de correntes marítimas.

Ao lado da angústia coletiva pela proibição de a população da Amazônia usar seus recursos e riquezas para reverter a crueza da própria realidade desfilam a má qualidade de vida, a carência em saneamento básico, água potável, escolas e hospitais, médicos e medicamentos, enquanto em certo país vizinho, usando os mesmos recursos, a realidade é outra.

Resumo da ópera: na Amazônia, o petróleo não é da Amazônia (Veja o vídeo acima).

Perde, mas nem tanto

Mas, felizmente, nem tudo está perdido neste jogo de interesses - que massacra a Amazônia e, em especial, o Pará: a tarifa de até 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros, com impacto nas exportações paraenses, será moderado, segundo levantamento da Fiepa, desde que o governo americano concedeu quase 700 exceções à lista de itens sujeitos à sobretaxa, incluindo os principais produtos que o Pará comercializa com o “Tio Sam”.

Segundo o estudo, entre os dez produtos mais exportados pelo Pará aos Estados Unidos, sete estão totalmente isentos das tarifas adicionais de 40%. É o caso da alumina calcinada, responsável por 32,1% da pauta exportadora paraense com os EUA, e de itens como ferro fundido bruto (14,9%), alumínio não ligado (5,46%), outros silícios (4,75%), bulhão dourado (3,21%) e ferro-níquel (3,05%).

O segmento de sucos de frutas terá aplicação parcial, enquanto o hidróxido de alumínio, sebo bovino fundido e madeiras tropicais perfiladas foram incluídos integralmente na taxação.

Considerando apenas os produtos efetivamente afetados, a estimativa é que o impacto sobre o volume exportado do Pará aos EUA seja de 20,1%, o que corresponde a uma retração de 1,1% nas exportações totais do Estado.

O estudo mostra que em um cenário com isenções, a queda nas exportações totais paraenses deve ser de 1,16%, resultando em uma retração de R$ 403 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Com isso, a projeção de crescimento do PIB para 2025 cairia de 3,5% para 3,38%, o que representa uma redução de 3,31% sobre a expectativa inicial.

Alerta para riscos

Já em um cenário mais severo, com a taxação total de todos os produtos exportados para os EUA, a queda nas exportações chegaria a -2,81%, com impacto estimado de US$ 306 milhões. Essa retração provocaria uma perda de R$ 973 milhões no PIB estadual e uma redução de 8% na projeção de crescimento econômico para 2025, que passaria de 3,5% para 3,22%.

Alex Carvalho, presidente da FIEPA, reforça que, embora os efeitos imediatos sobre o comércio exterior e o PIB estadual estejam parcialmente mitigados pelas isenções, o movimento do governo americano é um alerta para os riscos associados à cadeia produtiva do Estado.

“Apesar das estimativas indicarem um impacto expressivo com a lista de isenções, a indústria paraense permanece em alerta. A preocupação vai além das questões econômicas, há uma atenção especial aos impactos sociais. Precisamos compreender melhor, mesmo dentro desses 20% de itens que não foram isentos, como isso vai se refletir na geração de empregos e no número de empresas afetadas. Algumas dessas empresas têm quase 100% de suas exportações concentradas justamente nos produtos que continuam sendo tarifados”, destacou o presidente (Com informação do CIN-Fiepa).

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.