Troca de marcas, pagamentos privilegiados e atrasos em cirurgias levantam suspeitas de favorecimento empresarial, mas cooperativa não se manifesta.
os últimos dias, o vazamento de documentos e depoimentos fizeram explodir uma nova onda de denúncias contra a Unimed Belém, desta vez no setor de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), no momento em que a Cooperativa completa um ano sob nova administração, iniciada em março deste ano.

As denúncias apontam para um esquema que beneficiaria empresas específicas. As informações, publicadas originalmente pelo Portal Nota Pública, foram confirmadas por fontes internas e externas e citam o gestor do núcleo e a executiva Andrea Bergamini, da AdviceHealth - empresa contratada para auditar o setor.
Relatos apontam que pedidos médicos estariam sendo modificados para incluir marcas mais caras sem justificativa clínica, e que apenas fornecedores “selecionados” recebem pagamentos com rapidez, enquanto outros enfrentam atrasos de meses, mesmo com toda a documentação entregue.
Médicos solicitam determinados modelos ou marcas de materiais, registrados e reconhecidos por sua qualidade, mas o núcleo de OPME altera o pedido para outro produto, frequentemente mais caro e sem vantagem técnica clara. Um cooperado afirmou, sob condição de anonimato, que ao questionar o motivo da substituição foi informado tratar-se de um “procedimento interno”.
Segundo os documentos, a troca de marcas segue um padrão que favorece sempre um grupo restrito de fornecedores. Representantes de uma dessas empresas teriam sido fotografados nas dependências da AdviceHealth, onde atuam Andrea Bergamini e Tatiane Barbosa, nomes ligados diretamente à auditoria do núcleo.
O processo de auditoria, sob responsabilidade da AdviceHealth, não estaria sendo aplicado de forma igualitária. Determinadas empresas têm seus pedidos analisados e pagos em tempo recorde, enquanto outras permanecem sem resposta por longos períodos, sem explicação plausível.
Ex-funcionários descrevem o clima interno como centralizador e hostil: decisões só avançam com autorização da chefia, e profissionais que questionam procedimentos são afastados de atividades relevantes.
Essa gestão desigual afeta diretamente a realização de cirurgias. Relatos de médicos e enfermeiros dão conta de que procedimentos têm sido adiados pela falta de materiais de fornecedores preteridos. Pacientes que necessitam de intervenções urgentes, especialmente os de alta complexidade, seriam os mais prejudicados.
As fontes ouvidas nos bastidores garantem que o setor de OPME tem sido o ponto crítico da gestão da presidente da Unimed Belém, Dra. Luciana Valente, que iniciou seu mandato em 2025 com metas de aprimorar a governança e melhorar os resultados administrativos e financeiros. A pressão cresce para que a direção tome medidas imediatas, incluindo o afastamento temporário dos envolvidos e uma auditoria independente. A demora em agir pode trazer prejuízos à imagem da cooperativa, riscos jurídicos e, principalmente, agravar o impacto aos pacientes.
Nem na primeira publicação de notícias da mesma natureza ou mesmo após houve qualquer manifestação ou tentativa de esclarecimento por parte da Unimed Belém ou das marcas que têm sido amplamente citadas pelas denúncias.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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