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ONS defende horário de verão e alerta para risco no pico de consumo

Recomendação foi feita na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico - CMSE

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  • 09/07/25 21:00
ONS defende horário de verão e alerta para risco no pico de consumo

Brasília, DF - O Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, recomendou, na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, CMSE, a adoção do horário de verão para o fim deste ano. A medida - quando os relógios são adiantados em uma hora, geralmente entre outubro e fevereiro - está suspensa desde 2019.


Segundo o ONS, o horário de verão faz parte de um conjunto de medidas para mitigar possíveis déficits (falta) de energia no momento de maior consumo de eletricidade durante o chamado período seco - entre março e abril, podendo se estender até novembro, a depender do ano -, quando o baixo volume de chuvas afeta o nível dos reservatórios. No ano passado, o ONS havia recomendado a volta do horário, mas a decisão foi vetada pelo governo.


Em nota, o ONS voltou a destacar que a adoção de um novo horário “é uma decisão política do governo”. Porém, lembrou que, a depender das projeções de atendimento para os próximos meses, a adoção do horário de verão pode, eventualmente, ser recomendada ao CMSE como uma ação imprescindível.


Fazem parte do Comitê representantes do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), além do próprio ONS.


Além do horário de verão, o ONS sugeriu medidas adicionais, como a antecipação da entrada em operação de térmicas contratadas no leilão de reserva de capacidade de 2021, que inicialmente entrariam em operação em 2026. A expectativa é que essa ação possa suprir a demanda com cerca de 2 GW a partir de agosto de 2025. Há ainda outras ações sugeridas, como a preservação dos recursos hídricos para atravessar o período seco e a necessidade de conclusão de quatro linhas de transmissão com previsão de entrega ainda em 2025.


Segundo o ONS, o tema foi abordado ontem, após a apresentação do Plano da Operação Energética 2025-2029. O relatório estima um crescimento da carga de energia de 14,1% nos próximos cinco anos - uma média de 3,4% ao ano -, atingindo cerca de 94,6 GW médios em 2029, já contemplando a micro e minigeração distribuída (MMGD), com destaque para as placas solares.


Ainda segundo o ONS, a micro e minigeração distribuída deve responder por 32,9% da matriz elétrica em 2029. Assim, a crescente participação das fontes renováveis no atendimento à demanda de energia “tem exigido maior flexibilidade das fontes convencionais, especialmente das hidrelétricas, que são mais controláveis e apresentam resposta rápida na regulação da potência entregue”.


Aproveitamento do sol


Márcio Rea, diretor-geral do ONS, destaca que é preciso cada vez mais flexibilidade no sistema, com fontes como hidrelétricas e térmicas. Ele cita a necessidade de preparar o sistema para elevados montantes de despacho termelétrico no segundo semestre, principalmente a partir de outubro.


“Precisamos de fontes de energia controláveis, que nos atendam de forma rápida para termos o equilíbrio entre a oferta e a demanda de energia, especialmente nos horários em que temos as chamadas rampas de carga. Isso é fundamental para garantir a segurança e a estabilidade do sistema elétrico brasileiro.”


Hoje, a principal preocupação de analistas e do próprio ONS é com o atendimento nos horários de maior consumo. Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, diz que há um aprofundamento “do déficit estrutural para atendimento”. Por isso, a recomendação é organizar leilões anuais para contratar recursos e aumentar a oferta, a fim de atender a esses momentos de pico de consumo (chamado de potência).


Para Clarice Ferraz, economista e diretora do Instituto Ilumina, faz sentido o pedido do ONS. Segundo ela, a preocupação é com a segurança energética, já que a expansão da geração não aconteceu de forma equilibrada entre as fontes nos últimos anos.


“Cerca de 80% da expansão ocorreu a partir de fontes que não são controláveis. E a solar é a que cresce mais. Com o horário de verão, você consegue aproveitar uma hora a mais de sol. Estamos sem potência, e ter o aproveitamento máximo da solar ajuda a amenizar o aumento de consumo que ocorre ao fim do dia”, diz ela.


Foto: Agência Brasil
(Com O Globo)

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.