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DINHEIRO RÁPIDO

Operadores saem dos estacionamentos para explorar academias de alto padrão

Os empresários Henrique Nassar e André Luiz Paiva são sócios na Academia Nexa, mas seguem sob investigação do Ministério Público.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/08/26 12:00
Operadores saem dos estacionamentos para explorar academias de alto padrão
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crescimento acelerado das academias de alto padrão em Belém tem despertado questionamentos sobre a sustentabilidade econômica desse segmento. Empreendimentos que demandam investimentos milionários em imóveis, equipamentos importados e infraestrutura sofisticada, em alguns casos, não aparentam possuir um fluxo de clientes capaz de justificar, por si só, o volume de capital empregado.

Empresários são alvo de inquérito civil instaurado pelo MP que apura um suposto esquema de fraudes em licitações públicas/Fotos: Divulgação.
Nesse contexto, chama atenção a composição societária da Academia Nexa, prevista para ser inaugurada no Portal da Amazônia e já classificada, antes mesmo de começar a funcionar, como uma das mais caras e conceituadas da capital paraense. Entre os sócios figura o empresário Henrique Mendes da Silva Nassar, conhecido como o “Rei dos Estacionamentos” de Belém.

Origem dos recursos

O grupo econômico controlado por Henrique e por seu sócio, André Luiz Rodrigues de Paiva, é alvo de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Pará, que apura um suposto esquema de fraudes em licitações públicas destinado a comprometer a competitividade de certames e assegurar contratos para exploração de estacionamentos em equipamentos públicos estaduais, como o Porto Futuro I e II, o Estádio Mangueirão, entre outros.

A participação de Henrique no empreendimento inevitavelmente desperta questionamentos sobre a origem dos recursos empregados, sobretudo porque o setor de academias é frequentemente apontado por especialistas em prevenção à lavagem de dinheiro como um segmento que pode apresentar vulnerabilidades relacionadas à ocultação de ativos. Ao mesmo tempo, sobretudo para uma academia como a Nexa, o valor investido é expressivo dada a qualidade do que será utilizado e o público que se espera atrair.

Modelo de lavagem

Trata-se de um modelo de negócio baseado em receitas recorrentes, grande volume de pagamentos e dificuldade de verificação externa da quantidade efetiva de clientes, especialmente quando os controles internos são deficientes. Na prática, torna-se difícil aferir se uma academia possui, por exemplo, 1.200 ou 2.000 alunos ativos, enquanto variações expressivas no faturamento podem ser justificadas por novos planos, promoções ou expansão das operações.

Em tese, esse tipo de estrutura poderia ser utilizado para conferir aparência de legalidade a recursos de origem ilícita. Como exemplo meramente ilustrativo, um estabelecimento que efetivamente fatura R$ 400 mil por mês poderia registrar contabilmente receitas de R$ 600 mil, atribuindo os R$ 200 mil excedentes a mensalidades de alunos inexistentes. Uma vez incorporados à contabilidade da empresa, esses valores passam a ostentar aparência de origem lícita, podendo posteriormente ser distribuídos como lucros.

Alerta segue ligado

Não há uma definição legal se a participação de Henrique e de André é permitida do ponto de vista jurídico no negócio, uma vez que o processo se encontra em fase de inquérito civil já oferecido pelo Ministério Público à Justiça. Mas a precaução jurídica sobre o investimento e a participação societária de ambos no empreendimento é inevitável, sob o risco de, mais à frente, qualquer valor obtido sob suspeita em negócios anteriores simplesmente exaurirem no ar como álcool em vidro destampado.

Papo Reto

Encerradas as convenções, está desenhado o primeiro mapa da disputa pelos governos estaduais. São 174 candidatos nas 27 unidades da Federação, quase uma “Guerra e Paz” eleitoral, com menos páginas e mais santinhos. Os nomes ainda precisam passar pelo crivo da Justiça Eleitoral. 

•Entre diplomatas, a "grosseria" dos EUA virou piada. A demora do Brasil em aceitar o embaixador indicado por Donald Trump - e o consequente cancelamento do visto de Maria Luiza Viotti - não foi acaso, dizem nos corredores do Itamaraty: foi jogo de cena para Lula usar contra Trump no palanque.

O agrément foi retido de propósito e a resposta americana veio dura, mas o constrangimento, reconhecem até aliados, foi caseiro.

•Em plena "Guerra da Lagosta", a França negou agrément a Vasco Leitão da Cunha. O Brasil engoliu em silêncio. Hoje, o mesmo Itamaraty chama de "grosseria inaceitável" o que os EUA fizeram com Viotti. A diferença: em 1963, não havia palanque eleitoral para alimentar.

Zero que não zera: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, jurou que o governo "zerou o déficit", mas esqueceu de explicar como o rombo acumulado no mandato de Lula continua beirando os R$ 200 bilhões.

•Os roubos de combustível em embarcações na Região Norte recuaram 34% no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Instituto Combustível Legal: o volume subtraído caiu de 500 mil para 330 mil litros na comparação com o mesmo período de 2025. 

Apesar da queda, o problema continua concentrado na região: o Amazonas responde por cerca de 55% dos ataques estimados entre 2020 e 2026, seguido pelo Pará, com 24%.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.