Levantamento ouviu 800 paraenses, mostra defesa da alfabetização de todas as crianças e tem visão ampla sobre o que significa estar alfabetizado
Belém, PA – Garantir que as crianças aprendam a ler e escrever na idade certa está entre as principais demandas dos paraenses para a educação. Para 46% dos moradores do estado, assegurar que todas as crianças sejam alfabetizadas na idade certa deve ser uma das principais prioridades educacionais dos próximos anos, atrás apenas da melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores (48%).
Os dados fazem parte da pesquisa “O que a população pensa sobre a educação | 2026”, realizada pelo Instituto IDEIA e encomendada pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação. No Pará, o levantamento ouviu 800 moradores com 16 anos ou mais, entre 20 e 25 de maio de 2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro máxima estimada de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Três em cada cinco veem como possível a alfabetização de todas as crianças
A ideia de que a alfabetização deve alcançar todas as crianças é acompanhada pela confiança de que isso é possível: 64% dos paraenses concordam que é viável alfabetizar todas as crianças, independentemente de sua origem socioeconômica ou raça. O resultado mostra que, para a maioria da população, a origem da criança não deve ser uma barreira para que ela seja alfabetizada.
A pesquisa também revela uma percepção mais ampla sobre o que significa estar alfabetizado. No Pará, 53% discordam que uma criança que consegue ler palavras e escrever frases simples já possa ser considerada alfabetizada, mesmo que ainda tenha dificuldade para compreender textos. Apenas 24% concordam com a afirmação.
Apenas um em cada quatro vê as crianças aprendendo no ritmo esperado
Ao mesmo tempo em que a população do Pará aponta a alfabetização como uma prioridade, a percepção sobre o ritmo atual de aprendizagem revela um desafio. Apenas 26% concordam que os estudantes estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado, enquanto 44% discordam. Os dados evidenciam, portanto, uma distância entre a importância atribuída à alfabetização e a avaliação da população sobre o ritmo em que ela vem acontecendo.
Os dados oficiais do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) mostram que o estado avançou 10 pontos percentuais, apesar de não ter atingido a meta para o ano. O Pará saiu de 48% das crianças alfabetizadas no 2º ano do Ensino Fundamental em 2024 para 58% em 2025.
“Para seguir avançando rumo à garantia da alfabetização de todas as crianças, porém, é fundamental manter essa agenda entre as prioridades e desenvolver estratégias cada vez mais direcionadas aos territórios com maiores desafios de aprendizagem. Isso passa pelo fortalecimento do regime de colaboração entre o estado e os municípios e pela oferta de apoios específicos às redes que mais precisam, para que todas as crianças tenham a oportunidade de aprender”, afirma Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.
Foto: Agência Pará
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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