Articulação fortalece ações de educação, pesquisa e desenvolvimento no Tapajós
Santarém, PA - “Estamos estabelecendo parcerias que vão render muitos frutos para as comunidades indígenas do Tapajós, porque nós sabemos o quanto a universidade é estratégica para os povos indígenas da região e queremos ter a Ufopa como parceira”. A afirmação é do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, que há dois dias cumpre extensa agenda nas aldeias São Pedro do Murucy e Bragança, na região do rio Tapajós.
Na manhã desta segunda-feira, 4 de maio, esteve em visita à Reitoria da Ufopa a comitiva do ministro, da qual fazem parte a presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lúcia Alberta Baré; o indigenista Geraldo Dias; o coordenador do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), Lukas Tupinambá; o coordenador regional da Funai do Tapajós, Hanz Kaba Munduruku; e o secretário Executivo do MPI, Marcos Kaingang.
Terena ressaltou que a parceria com a Ufopa é fundamental para os projetos que virão, seja nas áreas de “pesquisa”, “extensão” ou de “fortalecimento territorial”. O ministro ressaltou ainda que “já temos a parceria, mas queremos fortalecê-la”. Terena citou como uma dessas parcerias o fato de o escritório da Funai funcionar dentro das instalações da Ufopa.
A reitora da Ufopa, Aldenize Xavier, enfatizou a possibilidade de celebração de um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para o custeio de futuros projetos envolvendo professores indígenas que atuam na Ufopa. “É um momento muito estratégico, e importante a presença do ministro Eloy Terena dentro da Universidade”, concluiu.
Na avaliação do ministro, a comitiva está voltando para Brasília com muitos encaminhamentos, tanto para temas que dependem do MPI e da Funai quanto para temas que dependem de outras instâncias: “Esse é o papel do Ministério dos Povos Indígenas: fazer essa articulação com os outros ministérios, além da pauta territorial, que é nossa, e nós vamos trabalhar para avançar nos processos demarcatórios. Veio muito assunto da universidade indígena, que é acompanhado desde o início pela nossa presidenta Lúcia. Então, nós vamos ter esse olhar aqui para a região de Santarém”.
Terena também citou como demanda apresentada pelas lideranças indígenas a permanência dos estudantes indígenas e solicitou à reitora que repasse dados acerca desse tema de maneira formal para o MPI.
A presidenta da Funai falou sobre a ampliação da atuação da instituição na região de Santarém e citou a pauta da educação como prioritária. Lembrou, ainda, a votação sobre o mérito da Universidade Indígena no Senado Federal, a qual está prestes a ocorrer.
Lukas Tupinambá, jovem líder indígena, destacou o papel do CITA na defesa dos povos indígenas e lembrou que “somos 14 povos e 21 mil indígenas, só aqui no Baixo Tapajós”.
Terena se referiu ao CITA como um dos movimentos “mais respeitados nacional e internacionalmente” e finalizou sua fala afirmando que “seguir trabalhando com a universidade, a Funai e o movimento indígena é uma forma estratégica de defender os nossos direitos. É nosso dever qualificar essa luta e dar os aportes necessários para que essas comunidades continuem fazendo a defesa dos seus territórios com segurança e qualidade. Queremos que isso garanta não só o futuro delas, mas o nosso também, porque, mesmo estando nos grandes centros, nós dependemos dessa dinâmica sociocultural que as comunidades estabelecem em seus territórios”.
O ministro Eloy Terena é originário do estado de Mato Grosso do Sul e pertence à geração de jovens indígenas que tiveram acesso ao ensino superior por meio de políticas públicas. “Reconheço a importância desse transitar entre a aldeia e a universidade, e queremos potencializar isso. A nossa presença aqui na Ufopa é para sinalizar isso de forma concreta”.
Foto: Letícia Baracho
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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