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SAÚDE PÚBLICA

Pediatras paralisam serviços no PSM e ampliam sequência da crise em Belém

Médicos estão sem receber salários de maio e junho; prefeitura convoca recém-formados para atendimento com pagamento antecipado.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 20/07/26 09:00
Pediatras paralisam serviços no PSM e ampliam sequência da crise em Belém
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saúde pública de Belém voltou a dar sinais de esgotamento. Depois de meses marcados por denúncias de superlotação, falta de leitos, decisões judiciais para garantir internações e sucessivas intervenções do Ministério Público, a crise chegou agora ao atendimento pediátrico do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14 de Março.

 

Profissionais reclamam da falta de diálogo com administração do hospital e com a Secretaria de Saúde/Fotos: Divulgação.

Desde a última sexta-feira, 18, médicos da Pediatria iniciaram uma paralisação gradual dos atendimentos após sucessivos atrasos salariais. A direção da unidade foi oficialmente comunicada da mobilização, que mantém apenas o atendimento mínimo previsto na legislação para serviços essenciais.

Continuam sendo atendidos normalmente os pacientes classificados como urgência e emergência, enquadrados nos protocolos de risco das cores vermelha e laranja. Os demais atendimentos passaram a sofrer restrições.

Pagamentos em aberto

Segundo os profissionais, permanecem em aberto os pagamentos referentes aos meses de maio e junho. Eles afirmam que foram informados de que não existe previsão de quitação ainda neste mês, apesar de acordo firmado anteriormente estabelecer que os salários seriam pagos até o dia 15 de cada mês.

Na notificação encaminhada à administração do hospital, os médicos afirmam que os atrasos se tornaram recorrentes ao longo do último ano, ultrapassando o limite considerado suportável pela categoria. Também reclamam da ausência de diálogo com a administração da unidade, com a empresa responsável pela contratação e com a Secretaria de Saúde de Belém.

Segundo os profissionais, a situação já compromete o orçamento familiar de muitos médicos, que acumulam juros, dívidas e outras obrigações financeiras em razão da falta de pagamento.

Contratos emergenciais

Enquanto a equipe permanente aguarda o recebimento dos salários atrasados, a Prefeitura de Belém teria recorrido à convocação de médicos recém-formados para cobrir parte dos plantões, mediante pagamento imediato.

Também chegaram à coluna relatos de possíveis falhas em prescrições médicas atribuídas a profissionais recém-contratados. Essas informações ainda dependem de confirmação documental e de manifestação oficial da prefeitura e da Sesma e, por isso, serão objeto de apuração complementar.

Uma crise recorrente

A paralisação não surge como um episódio isolado. Nos últimos meses, a saúde pública municipal tem acumulado sucessivos problemas, especialmente na rede de urgência e emergência. Pacientes aguardando leitos por determinação judicial, dificuldades para atendimento pediátrico, denúncias sobre a estrutura das unidades e intervenções do Ministério Público passaram a fazer parte da rotina do sistema.

Apesar das medidas pontuais determinadas pelos órgãos de controle, os problemas continuam se repetindo, indicando que as dificuldades vão além de situações eventuais e revelam uma crise administrativa que ainda não encontrou solução.

Agora, a falta de pagamento dos profissionais alcança justamente um dos serviços mais sensíveis da rede municipal: o atendimento de crianças em situação de urgência.

Alguém pode explicar?

A coluna solicita manifestação da Secretaria de Saúde e da Prefeitura de Belém sobre os atrasos salariais, a paralisação parcial dos atendimentos, a previsão de pagamento dos profissionais e as medidas adotadas para assegurar a continuidade da assistência à população. Eventuais esclarecimentos serão publicados tão logo sejam encaminhados.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.