Com crises simultâneas e falta de diálogo, prefeito enfrenta reação na área cultural e vê projetos urbanos virarem foco de desgaste político.
gestão do prefeito Igor Normando mal completou seus primeiros meses e já enfrenta um problema clássico de governos que envelhecem antes da hora: a sensação pública de desorganização. Não se trata apenas de uma crise isolada ou de uma obra atrasada. O que começa a se desenhar em Belém é uma sucessão de episódios que têm algo em comum - a incapacidade de comunicação, planejamento e diálogo político da administração municipal.

Na última semana, a prefeitura conseguiu a proeza de acumular desgaste em áreas completamente distintas: falhou na preparação da cidade para fortes chuvas, cancelou pela segunda vez uma reunião com moradores da Bacia do Mata Fome, entrou em rota de colisão com o setor cultural por causa do esvaziamento do Museu de Arte de Belém (Mabe) e ainda viu o anúncio da reforma da Praça Brasil se transformar em crise nas redes sociais.
Até quando tenta acertar, a gestão consegue produzir ruído.
A situação mais explosiva continua sendo a da Bacia Hidrográfica do Mata Fome. Moradores da região voltaram a protestar nesta segunda-feira, 11, interditando a rodovia Arthur Bernardes após a prefeitura cancelar, pela segunda vez, uma reunião que estava marcada para sexta-feira, 8.
O encontro teria participação da Defensoria Pública, Ministério Público do Pará, moradores atingidos e representantes do Programa de Macrodrenagem da Bacia do Mata Fome. A pauta era objetiva: continuidade das obras, cronograma atualizado e respostas concretas sobre os impactos enfrentados pelas famílias da área. Mas a reunião simplesmente não aconteceu.
O cancelamento aprofundou a percepção de abandono entre os moradores, que convivem diariamente com ruas destruídas, lama, incerteza sobre o andamento das obras e problemas constantes de abastecimento de água.
“Não sabemos mais o que vai acontecer. As obras não avançam e ninguém explica nada”, resume um morador da área.
O ponto mais sensível, porém, não é apenas a lentidão da obra. É a ausência de diálogo. Em praticamente todos os relatos aparece a mesma crítica: a prefeitura sumiu. E quando uma gestão perde a capacidade de conversar com a população afetada, o protesto deixa de ser exceção e vira rotina.
No domingo, 10, Dia das Mães, Belém voltou a registrar fortes chuvas logo pela manhã. Diversos bairros ficaram alagados, sobretudo no Tapanã, onde moradores relataram ruas completamente tomadas pela água e casas invadidas pela enchente.
A cena já virou parte do cotidiano da cidade, mas o desgaste político da vez ganhou outro componente: a percepção de ausência da prefeitura. Moradores afirmam que acionaram a Defesa Civil municipal sem obter retorno. Enquanto isso, vídeos das áreas alagadas circulavam intensamente nas redes sociais.
O problema se soma ao desgaste da semana anterior, quando, durante outro episódio de fortes chuvas, o prefeito Igor Normando apareceu em vídeos descontraídos consumindo cachorro-quente em uma área central da cidade enquanto bairros periféricos enfrentavam alagamentos severos.
Na política contemporânea, imagem é quase tudo. E poucas imagens são mais destrutivas para um gestor do que parecer desconectado do sofrimento da população.
Ainda que o prefeito não tivesse responsabilidade direta sobre a chuva - algo obviamente impossível -, a ausência de comunicação preventiva e de resposta rápida ajudou a consolidar uma narrativa negativa: a de uma prefeitura que parece sempre reagir tarde.
Se na infraestrutura urbana a gestão enfrenta desgaste operacional, na cultura o problema já assumiu contornos institucionais. Durante audiência pública na Assembleia Legislativa sobre museus e políticas culturais, a artista plástica Nina Matos denunciou o que chamou de desmonte silencioso do Museu de Arte de Belém.
Segundo ela, a extinção da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), substituída pela nova Secretaria de Cultura, deixou o Mabe praticamente invisível dentro da estrutura administrativa.
Sem espaço formal no organograma da nova secretaria, o museu teria perdido cargos técnicos essenciais, equipe especializada e autonomia administrativa. A denúncia é ainda mais grave porque envolve não apenas funcionamento burocrático, mas preservação

•A Prefeitura de Belém tem novo secretário de Infraestrutura, secretaria que que planeja, executa e gerencia as obras de engenharia na capital. Trata-se do advogado Fábio Rodrigues (foto).
•Ao que se sabe, esta é a primeira vez na história que o titular do cargo não é nem arquiteto, nem engenheiro. O prefeito de Belém, Igor Normando, não deve ter encontrado o profissional que a função requer no mercado.
•Em tempo: a favor do advogado Fábio Rodrigues conta a vantagem de ser considerado “um cara de grupo, muito gentil e educado”.
•Já não sem tempo, finalmente o STF publicou o acórdão que limita penduricalhos no Judiciário.
•A nova normativa restringe benefícios fora do teto e proíbe até a criação de verbas por resoluções administrativas e leis locais.
•O Ministério Público Federal solicitou que o Tribunal de Contas da União apure se o governo está de fato realizando ações para conter o hantavírus no Brasil.
•Vale lembrar que hantavírus é uma doença grave, transmitida principalmente pelo contato com partículas contaminadas por urina, fezes e saliva de roedores.
•A infecção não apresenta transmissão sustentada entre pessoas, diferentemente de vírus respiratórios como influenza e Covid-19, diz o médico infectologista da Unesp, Alexandre Naime.
•A Anvisa aprovou a exportação de produtos à base de cannabis produzidos no Brasil.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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