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Prevenção

Sesma monitora morcegos para prevenir a circulação do vírus da raiva

Iniciativa integra o Programa de Vigilância da Raiva e busca identificar a possível circulação do vírus rábico entre esses animais

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  • Da Redação | Com a Agência Belém
  • 11/08/26 14:00
Sesma monitora morcegos para prevenir a circulação do vírus da raiva

Belém, PA - Órgãos da Prefeitura de Belém ir!ao realizar ações de captura e monitoramento de morcegos em diferentes áreas da capital paraense. A iniciativa integra o Programa de Vigilância da Raiva e busca identificar a possível circulação do vírus rábico entre quirópteros, e contribuir para a prevenção da doença em animais e seres humanos.


As capturas ocorrem em pontos previamente definidos pelas equipes da UVZ, principalmente locais com vegetação abundante, árvores frutíferas e possíveis abrigos para morcegos. A atividade é realizada durante a noite, quando são instaladas redes de neblina em pontos estratégicos para a captura dos animais.


Segundo o médico-veterinário sanitarista da UVZ, George Hamilton Silva, há mais de 20 anos não há registro de transmissão da raiva por morcegos em Belém. Ele destaca que a vigilância epidemiológica da raiva passou a dar atenção especial aos morcegos devido à participação desses animais na circulação do vírus no território nacional.


“Os casos de raiva que nós estamos tendo dentro do território nacional têm participação ativa da VG3, que é um vírus que circula entre as populações de quirópteros (morcegos)”, detalha o médico.


Captura e análise


Após a captura, os animais passam por identificação taxonômica, com análise da espécie e de características como sexo e hábito alimentar. Parte dos exemplares é encaminhada ao Instituto Evandro Chagas (IEC) para investigação laboratorial.


De acordo com a pesquisadora em saúde pública Lívia Medeiros, da Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas, as amostras são recebidas para diagnóstico da raiva. O laboratório identifica inicialmente a espécie e analisa, principalmente, o cérebro e as glândulas salivares do animal.


O cérebro passa por análise porque o vírus da raiva se concentra no sistema nervoso central, enquanto as glândulas salivares estão relacionadas à transmissão do vírus.


Entre os métodos utilizados pelo IEC está a Imunofluorescência Direta (IFD), considerada um dos testes de rotina para o diagnóstico. Também podem ser utilizados métodos de biologia molecular, como o RT-qPCR, que identifica o material genético do vírus e pode contribuir para a caracterização da variante encontrada.


“Monitorar morcego é detectar o vírus antes dele chegar em cão, gato, bovino ou pessoa”, explica Lívia.


A identificação de animais positivos também permite que os órgãos de vigilância conheçam as áreas onde há circulação do vírus e adotem medidas de prevenção, como intensificação da vacinação de cães e gatos e avaliação de situações de exposição em seres humanos.


Nem todo morcego representa situação de risco


Apesar da importância do monitoramento, a UVZ alerta que a presença de morcegos em seu habitat natural não significa necessariamente que o animal esteja doente.


Morcegos encontrados dormindo em árvores, forros ou outros locais escuros apenas realizam comportamentos naturais da espécie. O cuidado deve ser redobrado quando o animal aparece em situações incomuns, como dentro de uma residência, caído no chão, morto ou se debatendo.


“Nós sempre temos que ter essa noção do que é normal e anormal, para a gente não criar um pânico daquilo que não existe”, destaca George.


O que fazer ao encontrar um morcego?


Em caso de morcego dentro de casa, a orientação é, quando possível, isolar o cômodo, abrir portas e janelas e permitir que o animal saia sozinho ao anoitecer. Caso seja necessária a captura, a recomendação é acionar a UVZ.


Também não se deve mexer em colônias de morcegos instaladas em árvores ou forros. A situação deve ser comunicada ao serviço responsável para que o manejo seja realizado de maneira adequada.


Se houver contato direto com um morcego, mesmo que o animal pareça morto, a pessoa deve lavar imediatamente o local com água e sabão por cerca de 15 minutos e procurar uma unidade de saúde para avaliação da necessidade de profilaxia pós-exposição contra a raiva.


“Todo contato com morcego deve ser avaliado por um profissional de saúde”, orienta Lívia.


E se um cachorro ou gato pegar um morcego?


A atenção também deve ser redobrada quando cães ou gatos entram em contato com morcegos. De acordo com George, o animal doméstico deve ser mantido sob observação e a situação comunicada à Zoonoses.


A vacinação antirrábica também é uma das principais formas de proteção dos animais domésticos. A UVZ mantém um posto fixo de vacinação contra a raiva.


Ao encontrar um morcego:


- Não toque diretamente no animal;
- Não mate o morcego;

- Evite manipular o animal com as mãos;

- Se estiver dentro de casa, isole o ambiente e, quando possível, permita que ele saia sozinho;

- Acione a Unidade de Vigilância de Zoonoses para orientação e manejo;

- Se houver contato direto, lave o local com água e sabão por 15 minutos;

- Procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação;

- Se cão ou gato tiver contato com um morcego, mantenha o animal sob observação e procure orientação da Zoonoses;


Foto: Agência Belém

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.