Com cerca de 1 farmácia para cada 3 mil habitantes, o comércio de medicamentos mostra-se lucrativo em razão da alta demanda e uma regulamentação permissiva.
Fatores econômicos, sociais e regulatórios estão por trás da enorme quantidade de farmácias no Brasil. Vamos a eles:
A população, gigante e adoecida, não obstante de possuir um sistema de saúde público (o SUS - que só é universal no papel), enfrenta cronicamente a falta de medicamentos, levando-a a comprar remédios em farmácias privadas, retroalimentando um comércio bilionário centrado na automedicação, aliás um fato bastante comum no País.
Noutro aspecto, os medicamentos têm alta rotatividade e margens de lucro significativas, especialmente os genéricos e os produtos de venda livre (caso das vitaminas e analgésicos).
Outro fator que alimenta a explosão do número de farmácias vem da permissão para venda de itens não farmacêuticos (cosméticos, produtos de higiene, suplementos etc.), que engordam a rentabilidade.
Por outro lado, a facilidade de abertura e regulamentação, comparado a outros negócios relacionados à saúde, fazem da farmácia uma alternativa de negócio bem chamativa, sem contar que o modelo de franquias facilitou a expansão em larga escala.
Destaco ainda que o Brasil, diferentemente de outros países, não impõe limites geográficos rígidos para a abertura de farmácias próximas umas das outras, permitindo alta concentração nas áreas urbanas.
Por outro lado, as farmácias há muito funcionam como "lojas de conveniência" de saúde, muitas vezes abertas 24 horas, turbinadas por programas de fidelidade e descontos agressivos, atraindo clientes frequentes.
Importantes também pontuarmos dois fatos omportantes: o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas, que turbinam a busca por
medicamentos de uso contínuos.
Finalmente, a falta de fiscalização rígida por parte dos organismos governamentais estimula a venda de medicamentos sem receita, até mesmo os controlados, numa farra bizarra que nunca para de crescer.
Não há como negar que o Brasil possui uma das maiores densidades de farmácias do mundo - cerca de 1 farmácia para cada 3 mil habitantes -, devido a um modelo de negócio lucrativo, alta demanda e uma frouxa regulamentação.
Especialistas avaliam que enquanto a saúde pública não suprir todas as necessidades reais de medicamentos da população, as farmácias privadas continuarão se multiplicando, com riscos de efeitos colaterais como o estímulo à automedicação, o uso indiscriminado de fármacos, a possibilidade de contaminação de produtos, a dificuldade na fiscalização e o risco de efeitos adversos à saúde.
Também, a alta concorrência pode desencadear práticas financeiras irregulares e precárias, com consequências diretas à segurança do paciente, ao meio ambiente e à própria sustentabilidade do negócio.
Foto: Agência Pará
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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