Universidade aguarda regulamentação do MEC após fim da lista tríplice, enquanto Justiça Federal impõe prazo para escolha do novo reitor.
sucessão na reitoria da Universidade Federal Rural da Amazônia voltou a mergulhar a instituição em um ambiente de instabilidade política, jurídica e administrativa. A eleição para a gestão 2026 enfrenta novo impasse institucional justamente no momento em que a Justiça Federal determinou prazo para encerramento do processo e envio da lista ao Ministério da Educação, em Brasília, até o próximo dia 25 de maio.

O problema é que a própria universidade decidiu interromper o andamento da consulta pública enquanto aguarda regulamentações do MEC sobre a nova Lei nº 15.367/2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de março deste ano.
A legislação alterou profundamente o modelo de escolha de reitores das universidades federais ao extinguir a tradicional lista tríplice e determinar que o presidente da República deverá nomear diretamente o candidato mais votado pela comunidade acadêmica.
A mudança foi celebrada por entidades universitárias como um marco histórico na defesa da autonomia universitária e no fortalecimento da escolha democrática dentro das instituições federais.
Publicada em 30 de março, a nova lei encerrou um modelo que, durante décadas, permitia ao presidente escolher qualquer um dos três nomes encaminhados pelas universidades. Na prática, o novo texto vincula a nomeação ao resultado da consulta acadêmica, reduzindo espaço para intervenções políticas externas no processo.
A legislação manteve, porém, o formato do mandato: reitores e vice-reitores continuarão nomeados pelo presidente da República para mandatos de quatro anos, permitida uma recondução mediante nova eleição. Na Ufra, a mudança acabou criando um impasse adicional.
Em nota oficial divulgada em 7 de abril, a administração superior informou que optou por aguardar a regulamentação do MEC antes de prosseguir com a consulta eleitoral. Segundo a universidade, a medida busca assegurar “segurança jurídica, transparência e legitimidade institucional”.
Apesar da indefinição, os bastidores eleitorais seguem em movimento.
Uma nova Comissão Eleitoral Geral foi formada e iniciou os trabalhos ainda em janeiro deste ano para organizar o pleito em modelo paritário - sistema no qual votos de técnicos, professores e estudantes possuem peso igual.
Compõem a comissão os professores Ruth Helena Almeida, como presidente; Antônio Tavares, vice-presidente; e Jorge Antônio de Souza, primeiro-secretário. O grupo recebeu oficialmente as orientações da administração superior para condução do processo e organização das etapas eleitorais.
O cenário institucional, porém, segue longe da normalidade. A Ufra iniciou 2026 sob greve docente e em meio a acusações de intervenção administrativa decorrentes da crise eleitoral de 2025 e das contestações envolvendo a atual reitora pro tempore.
A Associação dos Docentes deflagrou paralisação alegando defesa da autonomia universitária, da legalidade e da democracia interna diante do que classifica como prolongamento da intervenção na instituição. O ambiente interno deteriorado ampliou disputas políticas entre grupos acadêmicos e aprofundou o desgaste administrativo da universidade.
Em paralelo à crise eleitoral, denúncias envolvendo contratos administrativos passaram a circular nos bastidores da instituição. As acusações atingem especialmente contratos milionários ligados à manutenção de ar refrigerado e serviços prediais, além de críticas sobre suposta falta de transparência na gestão.
Na semana passada, um site de Belém chegou a publicar reportagem contendo trechos de documento com denúncias direcionadas à atual administração da Ufra. O material, porém, acabou retirado do ar posteriormente, aumentando ainda mais a circulação de especulações dentro da comunidade universitária.
Mesmo com a retirada da reportagem, a Pró-Reitoria de Administração e Finanças divulgou esclarecimentos públicos sobre os contratos questionados. Segundo a universidade, o contrato de manutenção dos equipamentos de refrigeração encerrou em março de 2025, sendo realizado novo processo licitatório, com retomada dos serviços em fevereiro deste ano. A gestão confirmou ainda a existência de processo em tramitação no Tribunal de Contas da União envolvendo possíveis irregularidades no certame, mas informou que todos os esclarecimentos já foram apresentados administrativamente.
A Reitoria sustenta que a condução do processo observou “rigorosamente os princípios da legalidade, isonomia e vinculação ao instrumento convocatório”, acrescentando que é prudente aguardar análise definitiva do TCU antes de conclusões sobre o caso.
Outro foco de desgaste envolve a manutenção predial da universidade. O contrato anterior venceu em junho de 2025 e um novo processo licitatório foi aberto. Segundo a administração, a fase externa da concorrência está em andamento, com edital publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação em abril deste ano.
A abertura das propostas estava prevista para esta sexta-feira, 8 de maio.
Enquanto isso, a própria universidade reconhece as dificuldades enfrentadas pela comunidade acadêmica e afirma considerar legítimas as reivindicações relacionadas aos serviços essenciais da instituição.
Agora, sob pressão judicial, insegurança política interna e denúncias administrativas, a Ufra tenta concluir um processo eleitoral que virou símbolo da turbulência nas universidades federais em tempos de transição institucional.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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