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Honraria

Unicamp reconhece professor paraense da Unifesspa como egresso de destaque

Homenagem a Abílio Pachêco de Souza celebra o impacto de pesquisas, livros e projetos de extensão desenvolvidos por ele no Pará e no Tocantins

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  • Da Redação
  • 21/10/26 18:00
Unicamp reconhece professor paraense da Unifesspa como egresso de destaque

Belém, PA - O professor e pesquisador Abilio Pachêco de Souza, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) acaba de ser homenageado com o reconhecimento de egresso de destaque da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A honraria celebra o alcance e o impacto de sua produção acadêmica, docente e literária alcançadas nos anos seguintes à conclusão do seu doutorado em Teoria e História Literária, em 2020. 


Embora a tese defendida no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) tenha lançado as bases teóricas de sua investigação, foi a partir de sua atuação posterior na Unifesspa e em parcerias na Região Norte que seu trabalho conquistou projeção nacional e forte relevância social. 


A distinção concedida pela Unicamp reflete a transformação dos pressupostos teóricos de sua pesquisa em ações concretas de ensino e defesa dos Direitos Humanos na Amazônia. Atuando na Unifesspa e em colaborações com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Abílio passou a liderar grupos de pesquisa dedicados ao estudo da literatura de testemunho e à formação de leitores. Suas iniciativas conectam o ensino de poesia aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e capacitam professores da educação básica na rede pública de ensino. 


Essa fase de intensa produção pós-2020 traduziu-se em importantes prêmios e no fortalecimento de sua carreira literária. Entre as conquistas recentes destacam-se o 6º Prêmio Literário Afeigrafa (2024) e o lançamento das obras poéticas Anamnese em frente ao espelho (2024), Inventário de andanças (2025) e Paisagem de assombros (EdUFNT, 2025) - esta última contemplada com prêmio de edição -, além da publicação em livro de seu estudo crítico sobre o escritor paraense Benedicto Monteiro (Nepan, 2023). 


A contribuição do docente ultrapassa os muros da universidade e chega diretamente à comunidade por meio de projetos culturais e de divulgação científica. Sob a coordenação de Abilio Pachêco, surgiram ações de impacto como o Podcast Palafita, a organização de coletâneas poéticas escritas por estudantes e a oferta continuada de oficinas literárias para professores e alunos de escolas públicas da região. 


O reconhecimento da trajetória do pesquisador manifesta-se também na formação de novos quadros acadêmicos. Nos últimos anos, orientandos de Iniciação Científica, Pós-Graduação e Projetos de Ensino sob sua supervisão na UNIFESSPA foram contemplados com prêmios de excelência acadêmica, comprovando o efeito multiplicador de sua prática pedagógica e científica no Sul e Sudeste do Pará. 


O alicerce desse percurso teve início durante sua pós-graduação no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, onde obteve o título de doutor em 2020, com estágio de pesquisa na Freie Universität Berlin. Em sua tese, analisou a obra de Benedicto Monteiro sob a perspectiva do materialismo histórico, da montagem e do testemunho sobre a ditadura militar na Amazônia, construindo o estofo teórico que orienta suas ações atuais. 


Ao homenagear Abilio Pachêco de Souza, a Unicamp reitera o papel fundamental da universidade pública em formar lideranças intelectuais capazes de transformar a realidade social de suas regiões. Sua trajetória pós-doutorado demonstra que o título acadêmico serviu como ponto de partida para um compromisso renovado com a educação, a cultura e a memória na Amazônia.


“Acho importante destacar que a Unicamp não premiou um pesquisador da obra de Shakespeare, não premiou um pesquisador da obra de Horário ou de Dostoiévski. Premiou um pesquisador de obras escritas na Amazônia, pesquisas sobre Ademir Braz, sobre Benedicto Monteiro, sobre Myriam Scott, sobre Monique Malcher, dentre outros, e isso me deixa ainda mais horado e feliz. Enfim, é um prêmio para a pesquisa em literatura na Amazônia”, diz Pachêco.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.