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2027: O ano em que a economia não dará trégua ao próximo presidente

O próximo governo terá de enfrentar uma escolha que Brasília costuma adiar: definir prioridades e melhorar a qualidade do gasto

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 27/09/26 10:00
2027: O ano em que a economia não dará trégua ao próximo presidente

Quem assumir a Presidência da República em janeiro de 2027 poderá mudar ministros, prioridades e discursos. Não poderá, porém, escolher a economia que receberá.


Independentemente do vencedor da eleição, três desafios estarão sobre a mesa desde o primeiro dia.


1. Arrumar as contas públicas


Este será o problema mais urgente. O Brasil precisa compatibilizar despesas crescentes com uma capacidade limitada de arrecadação, estabilizar a dívida pública e recuperar a confiança na trajetória fiscal.


Para o cidadão comum, isso parece distante. Não é. Quando cresce a desconfiança sobre a capacidade do governo de controlar dívida e despesas, aumenta o prêmio exigido para financiar o país. O efeito acaba chegando aos juros, aos investimentos, ao emprego e ao crescimento.


O próximo governo terá de enfrentar uma escolha que Brasília costuma adiar: definir prioridades e melhorar a qualidade do gasto, em vez de simplesmente procurar novos impostos para financiar despesas cada vez maiores.


2. Fazer o Brasil crescer de verdade


Crescer por estímulos temporários ao consumo ou aumento do gasto público é relativamente fácil. Difícil é sustentar crescimento durante muitos anos.


Isso exige produtividade.


O Brasil ainda convive com burocracia, insegurança jurídica, infraestrutura deficiente, baixa qualidade educacional e um ambiente que frequentemente torna caro produzir, contratar e investir.


Sem reformas que ataquem esses entraves, poderemos continuar presos à velha armadilha brasileira: pequenos voos de crescimento seguidos por longos períodos de mediocridade.


O desafio de 2027 será transformar crescimento episódico em desenvolvimento permanente.


3. Romper o círculo de juros altos e crédito caro


Existe uma consequência direta dos dois problemas anteriores. Um país com incerteza fiscal, baixa produtividade e expectativas de inflação pressionadas dificilmente terá dinheiro barato de maneira sustentável.


E juros elevados têm enorme poder destrutivo.


Encarecem o financiamento das empresas, dificultam a compra da casa própria, sufocam famílias endividadas e tornam projetos produtivos menos atraentes. Pior: quanto maiores os juros incidentes sobre a dívida pública, mais difícil fica organizar as próprias contas do governo.


Forma-se um círculo perverso: dívida elevada alimenta juros altos; juros altos aumentam o custo da dívida; e ambos comprimem o crescimento.


Romper esse círculo exigirá responsabilidade fiscal combinada com reformas que ampliem a capacidade produtiva do país. Não existe canetada capaz de substituir essa combinação.


A conta finalmente chegou


O grande desafio econômico de 2027, portanto, poderá ser resumido numa palavra pouco popular na política: escolha.


O próximo presidente terá de escolher onde gastar, quais despesas enfrentar, quais reformas realizar e quais privilégios contrariar.


O Brasil possui mercado consumidor, recursos naturais, energia, agronegócio competitivo e enorme potencial de investimento. O problema nunca foi falta de possibilidades.


O problema é continuar acreditando que crescimento pode ser comprado com gasto, que dívida pode crescer indefinidamente e que juros podem cair por vontade política.


Em 2027, talvez a pergunta econômica mais importante não seja quem venceu a eleição. Será se o vencedor terá coragem de enfrentar a conta que encontrou sobre a mesa.


Foto: Divulgação

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José Croelhas é economista,

consultor, escritor e palestrante

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.