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DIA DO TRABALHO

A conta oculta da corrupção endêmica no Brasil e o preço pago pelo trabalhador

Estimativas sob investigação vão de centenas de milhões a bilhões e revelam um padrão recorrente: perdas difusas, difícil recuperação e impacto direto sobre o contribuinte.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 01/05/26 11:30
A conta oculta da corrupção endêmica no Brasil e o preço pago pelo trabalhador
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ntre planilhas, autos e relatórios técnicos, uma conta paralela cresce sem alarde - e sem dono aparente. São cifras associadas a esquemas sob investigação em áreas distintas do Estado e do mercado, que, somadas, ajudam a explicar um desequilíbrio persistente: arrecada-se muito, entrega-se menos.

 

PF investiga Receita Federal, farras bancadas por Daniel Vorcaro e rombo no INSS - a conta apenas muda de endereço/Fotos: Divulgação.

No centro desse descompasso estão perdas que vão de centenas de milhões a bilhões de reais, em casos que não se comunicam entre si, mas compartilham um mesmo efeito final: o custo recai sobre quem trabalha, consome e paga impostos.

Aduana entra na roda

A operação recente da Polícia Federal no Porto do Rio de Janeiro escancarou um universo de R$ 86,6 bilhões em importações sob suspeita ao longo de anos. O número é expressivo, mas não representa desvio direto. Trata-se do volume de operações potencialmente contaminadas por um esquema de facilitação indevida na liberação de cargas.

A estimativa mais concreta até aqui aponta para perdas na casa de R$ 500 milhões, relacionadas a tributos não recolhidos, multas evitadas e enquadramentos fiscais flexibilizados.

Mais relevante que o valor absoluto é o mecanismo: a investigação indica interferência na engrenagem de controle aduaneiro, com potencial para distorcer a concorrência, fragilizar a fiscalização e abrir espaço para mercadorias irregulares.

Velhinhos enganados

No sistema previdenciário, o problema assume outra forma - menos concentrada, porém contínua. Auditorias e apurações recorrentes apontam: concessões irregulares de benefícios, uso de intermediários para fraudes estruturadas e dificuldade crônica de revisão e cancelamento. As estimativas variam conforme o período e a metodologia, mas frequentemente alcançam patamares bilionários ao longo dos anos.

Trata-se de uma perda difusa, que se dilui no orçamento e raramente retorna integralmente aos cofres públicos - o que pressiona ainda mais o equilíbrio de um sistema já tensionado pelo envelhecimento da população.

Efeito sistêmico

No caso envolvendo o Banco Master, o cenário ainda é de apuração em curso e versões em disputa. Relatos e documentos que circulam no mercado financeiro levantam questionamentos sobre operações estruturadas com fundos, exposição a ativos de maior risco, modelos de captação e alocação de recursos.

Nesse caso, o impacto potencial não se limita a perdas diretas. O risco maior está no chamado efeito contágio: quando estruturas sob suspeita geram instabilidade, o custo tende a ser absorvido por investidores, correntistas e pelo próprio sistema - com reflexos na economia real.

Falhas que se repetem

Apesar das diferenças de contexto, os três casos convergem em pontos sensíveis: fragilidade de controles internos, uso de estruturas legítimas para finalidades irregulares e resposta tardia dos mecanismos de fiscalização. O resultado é um modelo conhecido: perdas pulverizadas, baixa capacidade de recuperação e socialização do prejuízo.

Quem paga a conta

No fim da cadeia, a matemática é simples - ainda que raramente explicitada. Recursos que deixam de entrar, ou que são desviados, tendem a ser compensados por aumento de carga tributária, redução de serviços públicos e encarecimento do crédito e da atividade econômica. Em outras palavras, a conta não desaparece; ela apenas muda de endereço.

De um lado, o contribuinte submetido a regras rígidas, cobrança imediata e pouca margem de erro. De outro, sistemas complexos que, quando falham, permitem perdas expressivas e de difícil reversão. Não se trata apenas de corrupção isolada. É um problema de estrutura, controle e eficiência - cujo custo, invariavelmente, recai sobre quem trabalha.

O problema é que tudo acontece sob o mesmo governo, “pai” do “Desenrola” da próxima semana, segundo anuncia o presidente.

Papo Reto

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Matriarca da família Maiorana, Lucidéa Batista Maiorana (foto) teve atuação decisiva na continuidade do legado de Romulo Maiorana e na consolidação de um dos maiores conglomerados de mídia da Amazônia. Nossos sentimentos à família.

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O que se sabia é que o ex-secretário do Pará, depois que perdeu o cargo em Minas, engatou uma primeira e se integrou à pré-candidatura presidencial de Romeu Zema, do Novo

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Moradores de Mosqueiro ocupam o feriado de hoje com uma grande passeata em defesa da instalação de uma Usina da Paz. 

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Coordenadores do Festival Psica, de Belém, integram a comitiva de artistas e produtores brasileiros da Plataforma Música Brasil, dentro da programação do Ano Cultural Brasil-China, a convite do Ministério da Cultura. 

•O objetivo da visita, que começou na terça-feira, 28, é criar conexões reais por meio da música e destacar a cultura amazônica. 

Além do Psica, os artistas paraenses Manoel e Felipe Cordeiro, pai e filho, guitarristas, estão na viagem e se apresentam no JZ Spring Festival, mostrando a música produzida no Pará.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.