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CIÊNCIA E PATRIMÔNIO

Ação humana - e não alienígena - marca passado da ocupação da região amazônica

Estruturas milenares revelam sociedades complexas e pressionam proteção contra avanço econômico.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 13/05/26 17:00
Ação humana - e não alienígena - marca passado da ocupação da região amazônica
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uase seis décadas após o best-seller “Eram os Deuses Astronautas?”, do suíço Erich von Däniken, a tese de que civilizações antigas dependeram de visitantes extraterrestres perde terreno diante de novas evidências científicas - inclusive na Amazônia brasileira.

Geoglifos indicam organização social, uso ritual ou político do espaço e capacidade de planejamento em larga escala na região/Fotos: Divulgação.
 No livro, Däniken associava grandes obras antigas - como as pirâmides do Egito e as linhas de Nazca - a um suposto “empurrão tecnológico” vindo do espaço. Hoje, o avanço de técnicas de sensoriamento e a ampliação das pesquisas arqueológicas apontam em outra direção: sociedades humanas organizadas, com planejamento e domínio ambiental.

Tempo e espaço

No Brasil, os geoglifos identificados principalmente no Acre mudaram o eixo do debate. Já são mais de 800 estruturas catalogadas - círculos, quadrados e retângulos escavados com valas e muretas - datadas entre 2 mil e 2,5 mil anos. Longe de obras isoladas, apresentam padrão e repetição. A leitura dominante entre arqueólogos é de que não há evidência de intervenção externa. Os geoglifos indicam organização social, uso ritual ou político do espaço e capacidade de planejamento em larga escala.

Amazônia ocupada

A descoberta também derruba um antigo consenso acadêmico: o de que a Amazônia teria sido um “vazio demográfico”. As evidências mostram ocupação humana contínua por milênios, com manejo de solo, domesticação de espécies e transformação da paisagem.

Datações por carbono 14 apontam construções iniciadas ao menos mil anos antes de Cristo, ou seja, muito antes da chegada europeia havia sociedades estruturadas moldando a floresta.

Revelação do oculto

Sem necessidade de desmatamento, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais vêm usando tecnologia LiDAR para mapear estruturas sob a copa das árvores. O método - que utiliza laser embarcado em aeronaves ou drones - já identificou novos geoglifos em Estados como Acre, Amazonas, Pará e Mato Grosso.

Os dados resultaram em artigo na revista “Science”, indicando que o número de sítios pode ser muito maior. Em áreas analisadas, surgem conexões por estradas antigas e sinais de domesticação de dezenas de espécies vegetais.

Pressão e dano

O avanço econômico, no entanto, ameaça esse patrimônio. Um caso no município de Capixaba (AC) resultou na destruição parcial de um sítio arqueológico para plantio de soja. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional já havia registrado a área. O Ministério Público Federal acionou os responsáveis, com pedido de indenização superior a R$ 530 mil e medidas de proteção, como cercamento e restrição de uso.

Em 2018, o Iphan tombou o geoglifo do sítio Jacó Sá, no Acre - primeiro reconhecimento formal desse tipo. Ainda assim, especialistas alertam: o ritmo de descoberta é menor que o de destruição.

Se antes serviam de combustível para teorias sobre visitantes do espaço, os geoglifos amazônicos hoje contam outra história - mais terrestre e mais complexa. Não há mistério alienígena. Há engenharia humana, memória indígena e um patrimônio que ainda disputa espaço com a fronteira econômica.

Papo Reto

A fala da primeira-dama Janja (foto) sobre “gente bebendo detergente contaminado” provocou uma avalanche de críticas nas redes. Mas a reação parece ter ido muito além do conteúdo da frase.

•O comentário surgiu após vídeos de pessoas ironizando um alerta sanitário envolvendo lotes de detergente, em cenas que misturavam militância política, encenação e desafio digital.

Janja chamou isso de “ignorância”. E foi aí que o debate saiu do detergente para entrar na guerra política permanente.

•Na prática, pouca gente discutiu a insanidade de transformar alerta da Anvisa em performance ideológica. 

O alvo virou a própria Janja, personagem que hoje desperta reações automáticas - sobretudo entre opositores que enxergam nela excesso de protagonismo e declarações frequentemente atravessadas pela arrogância política.

•O episódio revelou mais sobre o ambiente tóxico das redes do que sobre detergente: no Brasil polarizado, beber produto de limpeza pode render curtida; chamar isso de ignorância, não.

A Câmara analisa projeto que permite ao hóspede escolher horário do check-in em hotéis e fixa período da diária em 24 horas. 

•A judicialização da saúde e a incorporação de novas tecnologias dominaram os debates do Fórum Executivo FenaSaúde 2026, realizado em Brasília. 

Parlamentares e representantes do setor defendem maior integração entre SUS e saúde suplementar, além de regras mais claras para tratamentos de alto custo.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.