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"TAXA DO CRIME"

Caixa-forte do crime organizado ameaça trabalhadores em Belém e no interior

Operação do MP revela milhões movimentados enquanto comerciantes e até hospitais seguem sob ameaça e sem resposta efetiva do Estado

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 28/04/26 11:00
Caixa-forte do crime organizado ameaça trabalhadores em Belém e no interior
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nquanto o Ministério Público do Pará e a Polícia Civil anunciam o desmonte de uma engrenagem milionária do crime organizado, nas ruas da Região Metropolitana de Belém e do interior do Estado, a realidade segue marcada pelo medo, pela extorsão e pela ausência de amparo imediato às vítimas.

 

Operação Babayaga expôs núcleo financeiro de organização responsável por uma movimentação de quase R$ 60 milhões/Fotos: Arquivo.

Deflagrada em 24 de abril, a “Operação Babayaga” expôs o núcleo financeiro do Comando Vermelho no Pará, com a prisão de investigados apontados como operadores da facção e a identificação de uma movimentação estimada em R$ 57 milhões.

A ação, conduzida pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Civil, mirou crimes como organização criminosa armada, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, evidenciando o grau de sofisticação e estrutura da facção no Pará.

Expansão do crime

Fora dos autos e das coletivas oficiais, o que se vê é outro é uma realidade ainda mais aterrorizante, com a expansão territorial e o controle cotidiano imposto pelo crime.

Em bairros de Belém, Ananindeua e Barcarena, comerciantes relatam uma rotina silenciosa de coação. A chamada “taxa do crime” virou regra informal. Quem paga, segue funcionando. Quem se recusa, entra na mira.

Ameaça real

A ameaça não é abstrata, é direta, personalizada e, muitas vezes, imediata. Em Ananindeua, um proprietário de clínica popular relata que médicos e pacientes passaram a ser ameaçados por telefone.

Do outro lado da linha, criminosos se identificam como integrantes de facção e deixam o recado: ou a “taxa” é paga, ou o estabelecimento será incendiado. Casos como esse deixaram de ser exceção. Tornaram-se padrão.

Consolidação no Pará

Dados do estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2024, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Mãe Crioula, apontam que o Comando Vermelho se consolidou como a principal facção atuante na capital paraense, e em cidades estratégicas da região metropolitana.

A contradição é evidente: de um lado, operações robustas, com inteligência, mandados judiciais e apreensões que revelam o fluxo financeiro do crime; de outro, uma população exposta, que denuncia - quando denuncia - sem garantias de proteção ou resposta rápida.

Ditando regras

Embora a “Operação Babayaga” represente um avanço no enfrentamento estrutural às facções, atingindo o coração financeiro da organização, ela escancara também uma lacuna: a dificuldade do Estado em traduzir essas ações em segurança concreta no dia a dia de quem está na ponta.

O resultado é um cenário em que o crime organizado não apenas movimenta milhões, mas regula territórios, impõe cobranças e dita regras, enquanto comerciantes, empresários e até unidades de saúde operam sob ameaça constante. Entre o caixa bilionário das facções e o balcão de quem tenta trabalhar, há um vazio que ainda não foi ocupado pelo poder público.

Papo Reto

•A empresa multinacional Panini lançou o álbum de figurinha da Copa do Mundo 2026 com os 48 países que irão disputar o torneio.

Para surpresa de muitos, a foto de Neymar (foto) não aparece no álbum, vendido ao preço de R$ 7 a embalagem com sete cromos dos atletas.

•A Usina de Belo Monte quer repetir a experiência de Itaipu e instalar milhares de painéis fotovoltaicos sobre o lago do rio Xingu, gerando energia renovável para potencializar a produção e distribuição de energia hídrica.

Segundo estudos preliminares, uma área de 10% do reservatório coberta de placas poderá gerar tanta energia quanto a hidrelétrica.

•O ministro Gilmar Mendes pediu desculpas após citar homossexualidade ao criticar Romeu Zema. O ministro reconheceu erro na declaração, feita em meio a pedido para incluir o ex-governador no inquérito das fake news. 

Enviado especial dos Estados Unidos, Paolo Zampolli afirmou em entrevista que brasileiras seriam "prostitutas" e "programadas para causar confusão". 

•O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad propôs que Paolo Zampolli seja declarado persona non grata no Brasil. 

Levantamento da Global Intelligence and Analytics, encomendado pela Amobitec, revelou que a "taxa das blusinhas" não trouxe o benefício esperado: os preços no varejo subiram acima da inflação, e as ofertas de emprego no setor permaneceram iguais. No Congresso Nacional, já tramitam propostas para derrubar a alíquota. 

•Avança na Câmara projeto que proíbe a exclusão de mães, gestantes ou mulheres casadas em concursos de beleza. A Câmara também analisa projeto que proíbe o uso das expressões "quarto de empregada" e "dependência de empregada" em contratos e comunicações. 

O TSE reconheceu que Cláudio Castro deixou o governo do Rio por renúncia, e não por cassação. A decisão pode favorecer eleição indireta pela Alerj, mas caberá ao STF definir o futuro do Palácio Guanabara. 

•O ministro Cristiano Zanin determinou a permanência do presidente do TJRJ, Ricardo Couto, no cargo de governador interino do Rio de Janeiro até que a Corte defina o rito de eleição para o mandato-tampão. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.