Ruptura individual, política orientada e maioria masculina silenciam Taty Rodrigues, a mais votada do município.
Vereadora mais votada nas últimas eleições foi cassada por uma maioria masculina, depois de ter denúncia silenciada e a palavra cerceada em plenário /Fotos: Divulgação.
Câmara Municipal de Bragança decidiu avançar onde a Justiça havia mandado parar. Ignorou liminar judicial em vigor, atravessou decisões do Tribunal de Justiça do Pará e cassou o mandato da vereadora Tatiana (Taty) Rodrigues, do PSDB - a mais votada do município -, em um gesto que expõe a política orientada, submissa e impermeável ao contraditório.
O episódio não foi fruto de uma virada coletiva de lado, mas da consolidação de uma maioria já alinhada, temperada com a ruptura isolada de um vereador que, antes, caminhava com a parlamentar cassada. É essa ruptura que explica a temperatura elevada nas redes sociais e o foco quase exclusivo das cobranças públicas.
O estopim do processo foi o cerceamento de fala em plenário. Taty Rodrigues se inscreveu para denunciar assédio e perseguição política e teve o microfone cortado pelo presidente da Casa, Júnior do Pneu, do MDB.
A reação veio fora do protocolo. Ao deixar o plenário, a vereadora classificou a condução da sessão como autoritária. A crítica virou quebra de decoro, a denúncia saiu de cena e o processo entrou em marcha.
Com o Processo Administrativo Disciplinar nº 001/2025 instaurado, a disputa migrou para o Judiciário. A 1ª Vara Cível e Empresarial de Bragança suspendeu qualquer deliberação que pudesse resultar em cassação, decisão depois mantida em instância superior. Mesmo assim, a Câmara deliberou. Decidiu tratar a liminar como obstáculo político, não como limite institucional. O voto incendiou as redes
Na sessão decisiva, o placar foi claro: 15 votos pela cassação, duas abstenções e um voto contrário, da vereadora Manu Oliveira. O presidente não votou. A indignação popular, porém, não se concentrou no bloco majoritário já conhecido, mas no voto do vereador João Paulo, o JP, irmão do presidente da Casa. Eleito em primeiro mandato e até recentemente associado ao grupo político da vereadora cassada, JP rompeu publicamente e votou a favor da perda do mandato.
Questionado, foi direto: votou assim porque “não faz mais parte do grupo” e hoje integra outra base política.
Não foi a cassação em si que surpreendeu parte da cidade - foi o rompimento individual e suas motivações, explicitadas sem rodeios.
Nas redes, JP tentou enquadrar a decisão como ato de consciência e responsabilidade pessoal. Em respostas sucessivas, deixou claro que pertence hoje a um grupo político e que suas decisões obedecem a esse alinhamento. A lógica é conhecida: não se vota contra o consenso do grupo, ainda que exista ordem judicial em sentido contrário.
O resultado final produziu uma imagem incômoda: uma vereadora eleita pelo voto popular, mulher, foi cassada por uma maioria masculina, depois de ter sua denúncia silenciada e sua palavra cerceada em plenário. O mérito das acusações que tentou fazer nunca foi enfrentado. O processo avançou sobre a forma, não sobre o conteúdo.
A defesa de Taty Rodrigues reagiu no mesmo dia com mandado de segurança, que já conta com parecer favorável do Ministério Público. Caso a Justiça confirme a ilegalidade, a Câmara poderá ser obrigada a reverter o ato e devolver o mandato, além de responder pelo descumprimento da liminar. Se isso ocorrer, o roteiro se inverte: a vereadora retorna ao plenário com o direito de dizer, no microfone, tudo o que tentou dizer antes.
Em Bragança, o episódio deixa uma lição desconfortável: a política pode até ser orientada, o voto pode até ser obediente, mas a Justiça, quando ignorada, costuma cobrar com juros.

• Fogo no parquinho dos Bombeiros: major Araújo, ajudante de ordens do comandante-geral da corporação, coronel Jayme Benjó (foto), foi preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos.
•As investigações apontam indícios de uso irregular de milhões de reais do cartão corporativo da corporação, destinado exclusivamente a despesas emergenciais em situações de calamidade.
•Na madrugada de domingo, 14, Janary Maciel foi morto a tiros e outras três pessoas foram baleadas em um bar na travessa dos Apinagés, em Belém.
•Desde o início da atuação em Belém, há dois anos, o Instituto Fogo Cruzado na Grande Belém mapeou 32 tiroteios em bares da região, sendo que 21 pessoas morreram e 22 ficaram feridas.
•Em Curitiba, o vereador Eder Borges votou contra a própria emenda ao notar apoio da bancada do PT. A proposta acabou rejeitada, após o parlamentar classificar o texto como "equívoco" em plenário.
•O deputado estadual Clécio Alves anunciou durante sessão da Assembleia Legislativa de Goiás que viajará ao exterior nos próximos dias, com direito a réveillon em Dubai, para "representar o Poder".
•Vereadora de Senhor do Bonfim, na Bahia, chamou atenção durante sessão da Câmara ao misturar mensagem de Natal com um ataque aos seus críticos.
•No discurso, desejou boas festas aos apoiadores e disse que os opositores poderiam usar as "pedras" do caminho para "fazer uma escada para as profundezas do inferno".
• Na Assembleia Legislativa de Goiás, uma reunião da CCJ precisou ser suspensa após briga entre dois parlamentares.
•Em meio a trocas de ofensas e acusações, os deputados estaduais Clécio Neves e Talles Barreto precisaram ser contidos pelos colegas para não agredirem um ao outro.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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