Campanha lançada neste domingo, 12, pede que brasileiros não percam a fé na Seleção e promete mudanças para o próximo mundial
domingo 12/7/26 ficou marcado como data oficial de lançamento da campanha rumo ao hexa - a sexta desde de que o Brasil venceu o Mundial de 2002 na Coréia do Sul e no Japão. O vídeo que protagonizou esse lançamento foi publicado nas redes sociais da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol, num roteiro misto de pedido de desculpas e apelo por novos votos de confiança.
O que pouca gente leva em consideração nesse “novo ciclo”, no entanto, é quanto de características europeias o Brasil terá que absorver para reformular o time e superar as seleções do velho continente - principal calo na chuteira da Canarinho. E, para mais além, quanto isso vai custar, em muitos aspectos, ao futebol brasileiro?
Essa reflexão começa pelos títulos conquistados até agora. O Brasil superou seleções de outros continentes e sagrou-se 5 vezes campeão mundial justamente por possuir uma escola superior às demais. Desde a invenção do futebol, o Brasil despertou a atenção do mundo por ser dono de um futebol único, cheio de arte e que associava qualidade técnica e ginga em jogadas mágicas mundo a fora.

Agora o desafio passa por desconstruir parte dessa identidade para se igualar a uma escola que possui zero de ginga e dez de qualidade técnica - a escola europeia. O futebol se modernizou, passou a utilizar recursos da medicina esportiva e do condicionamento físico num nível extremamente profissional com busca não mais no brilho que o futebol pode oferecer, mas unicamente em resultados e conquistas.
A principal razão pela constante busca do aprimoramento está na monetização que faz do futebol um dos negócios mais lucrativos do mundo. Ter um bom time significa participar de muitos torneios, um mais lucrativo que outro, com cotas de TV, placas de publicidade, patrocínio pomposo, público pagante sempre presente e negociações de jogadores a peso de ouro.
O Brasil é o maior exportador de jogadores do mundo. Mais de 1.300 atletas brasileiros estão espalhados atualmente por todos os continentes do planeta jogando futebol. Todos em busca de oportunidade e dinheiro. Quantos deles superariam um time europeu jogando pela Seleção Brasileira? Os que atuam na Europa e foram convocados para a Copa deste ano não conseguiram.
A europeização da Seleção começou com a chegada de Carlo Ancelotti, há um ano, e ganhou enorme fôlego com a renovação do contrato do ex-treinador do Real Madrid até 2030, antes mesmo do início da Copa do Mundo desde ano. Uma prova de que Ancelotti precisa de tempo para emplacar seu estilo. Talvez a única forma para tirar as seleções europeias do caminho e, enfim, alcançar o tão sonhado hexa. Temos 4 anos para isso.
R$ 58,8 milhões - é quanto pode custar um ingresso para a final da Copa do Mundo deste ano no mercado paralelo, nos Estados Unidos.
25 jogos em Copas - é o recorde alcançado por Didier Deschamps no comando da França após a vitória sobre Marrocos. A marca era do alemão Helmut Schön, que ocupava o topo da lista desde a Copa de 1978.
3 países - no comando do Brasil, Arabia Saudita e África do Sul, o brasileiro Carlos Alberto Parreira é o terceiro da lista com 23 jogos.
Aos 71 anos - Jorge Jesus assume a Seleção de Portugal. Antes de Carlo Ancelotti, ele também havia sido cogitado para assumir o Brasil.
Aos 41 anos - Cristiano Ronaldo se despediu de Copas do Mundo. Foi o primeiro jogador da história a marcar gols em 4 mundiais diferentes. Vai deixar saudades.
120 minutos - foi quanto Messi ficou em campo contra a Suíça. A atuação gerou enorme desgaste físico e tirou o craque do treino de reapresentação. Sinal de alerta ligado.
10 representantes - é quanto jogadores tem o Barcelona entre as seleções semifinalistas do Mundial. Prova clara da força e do valor - em euros - que possui o clube catalão.
3,5% - foi quanto caíram as ações da Ambev na Bolsa de São Paulo com a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo. Sem jogo, sem cerveja.
89 mil - foi o número de publicações abusivas encontradas pela Fifa nas redes sociais envolvendo o Mundial deste ano. Isso é 13 vezes mais do que o registrado na Copa do Catar.
11% - dessas publicações têm caráter de discriminação racial. O principal alvo dos internautas é o atacante francês Kylian Mbappé.
Foto: Divulgação/CBF
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Pedro Paulo Blanco é jornalista
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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