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ELEIÇÕES 2026

Definição do vice sela aliança com o MDB, mas amplia racha interno no PT

Escolha de Dirceu Ten Caten fortalece acordo, mas expõe divisões no partido e fecha portas para outras composições na disputa.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 09/08/26 12:00
Definição do vice sela aliança com o MDB, mas amplia racha interno no PT
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confirmação do deputado estadual Dirceu Ten Caten, do PT, como candidato a vice-governador na chapa da governadora Hana Ghassan, do MDB, encerrou semanas de especulações sobre a composição majoritária, consolidou a aliança entre MDB e o PT mas, ao mesmo tempo, aprofundou as fissuras internas dos petistas paraenses.

 

Embora minimizando críticas à condução do partido, Charles Alcântara segue fazendo carga contra Beto Faro/Fotos: Divulgação.

O anúncio também sepultou de vez as especulações de que o deputado federal Celso Sabino, do PDT, poderia ocupar a vaga de vice, hipótese que a coluna rechaçou na pré-campanha após apurar que era tratada apenas como conjectura nos bastidores.

Se, para o MDB, a escolha garante a manutenção da parceria com o principal partido da base do presidente Lula no Estado, dentro do PT o movimento está longe de representar unanimidade. A disputa pela vaga de vice evidenciou divergências entre a direção estadual, comandada pelo senador Beto Faro, e setores históricos da legenda, que já vinham criticando a condução das negociações e o enfraquecimento do debate interno.

 Debate interno

 Um dos críticos mais contundentes é Charles Alcântara, dirigente histórico do PT paraense. Dias antes da oficialização da chapa, ele classificou como “humilhante” a postura da direção petista ao insistir publicamente pela vaga de vice antes mesmo de uma confirmação do MDB.

Após o anúncio oficial, Alcântara mudou o foco da crítica. Em novo texto, avaliou que a confirmação de Dirceu Ten Caten representou um “mal menor” para o MDB diante do risco de perder completamente o apoio petista.

Pressões políticas 

Na análise de Alcântara, a crescente aproximação de militantes do PT com a candidatura de Celso Sabino ao Senado acabou funcionando como elemento de pressão para que o MDB formalizasse o acordo.  Segundo ele, deixar o PT fora da chapa majoritária poderia provocar um forte desgaste na legenda, acelerar a fragmentação interna e desmoralizar sua direção estadual, tornando praticamente inevitável uma debandada de lideranças e militantes. 

Mesmo reconhecendo que houve intensa pressão política “de baixo para cima e de cima para baixo”, Alcântara sustenta que a presença de Dirceu Ten Caten oferece apenas um fôlego temporário ao partido, permitindo à direção tentar conter a diáspora petista durante a campanha eleitoral. A avaliação reforça que a unidade construída em torno da chapa majoritária não elimina as divergências internas, apenas as adia.

Destino de Ana Júlia

A nova configuração também produz efeitos sobre outras articulações eleitorais. Com o PT formalmente integrado à chapa de Hana Ghassan, torna-se politicamente inviável que a ex-governadora Ana Júlia Carepa, filiada ao partido, ocupe a primeira suplência da candidatura de Celso Sabino ao Senado.

Junto com o superintendente da Sudam, o ex-senador Paulo Rocha, Ana Júlia faz parte de uma tendência dentro do PT que é divergente da direção estadual da legenda. Ainda assim, nos bastidores a informação confirmada por uma fonte é que ambos vão continuar apoiando Sabino que, por sua vez, vai confirmar como suplentes o advogado e ex-deputado estadual Ítalo Mácola, e Ney Teixeira, do PDT, vereador em Medicilândia, na região da Transamazônica.

 Reorganização do xadrez

Assim, a definição da vice-governadoria não apenas consolida uma aliança estratégica entre MDB e PT, mas também reorganiza o xadrez das candidaturas proporcionais e majoritárias no Pará, ao mesmo tempo em que mantém abertas as feridas de um PT que, apesar do acordo firmado, segue dividido sobre os rumos políticos adotados por sua direção estadual.

Papo Reto

·Para não passar em branco: a formalização do apoio do PT à chapa de Hana Ghassan mexe também no tabuleiro do Senado.

·Ana Júlia Carepa (foto), nome histórico do partido, vinha sendo apontada como possível suplente de Celso Sabino. Com o PT agora oficialmente integrado à chapa do MDB, essa composição precisa ser revista.

·Uma publicação nas redes sociais chamou atenção para a presença de Miro Sanova, ex-presidente da Funtelpa e candidato pelo PT, em uma academia de alto padrão de Belém.

·A mensalidade divulgada gira em torno de R$ 1.800. A ironia política veio das redes, associando o frequentador ao preço do estabelecimento. Melhor deixar a piada por conta de quem fez a postagem: academia, afinal, não tem ideologia.

·A mesma academia teria sido palco recentemente de uma disputa societária e financeira entre proprietários. Um dos envolvidos chegou ao estabelecimento acompanhado de um caminhão de mudança e iniciou a retirada de bens.

·A ameaça de levar equipamentos de ar-condicionado provocou discussão na recepção e terminou com a presença da Polícia Militar para conter os ânimos.

·A crise do agronegócio começa a deixar marcas que ultrapassam as propriedades rurais. Em Rondon do Pará, no nordeste do Estado, um prédio que já serviu à Assembleia de Deus aparece à venda, com as portas fechadas e a placa anunciando o imóvel.

·A cena é atribuída, nos bastidores, às dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor. É um daqueles sinais pequenos que podem dizer muito sobre o tamanho de uma crise.

·Prestadores de serviço reclamam das dificuldades enfrentadas na operação de cargas na fábrica da Votorantim, em Primavera, nordeste do Pará. Há relatos de caminhões permanecendo até 15 horas na fila do check list de paletes.

·O sistema recebe a carga por aplicativo, mas a precariedade da internet compromete a operação. Tecnologia, quando não conversa com infraestrutura, vira apenas mais uma etapa da burocracia.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.