Audiência hoje em Belém debate riscos da exploração na Margem Equatorial Caso Vorcaro revela R$ 30 milhões para documentário sobre Lula e mais suspeitas Sem avanço na infraestrutura, Marco do Saneamento para 2033 não passa de teoria
CONTAS

Eleição movimenta R$ 12,2 bilhões e reúne mais de 20 mil candidaturas no País

A dois dias da votação, TSE registra 20.988 pedidos de registro, mais de R$ 8 bilhões em despesas pagas e quase 2 milhões de mesários convocados.

  • 444 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 02/10/26 17:00
Eleição movimenta R$ 12,2 bilhões e reúne mais de 20 mil candidaturas no País
A


eleição geral de 2026 chega à reta final com números que ajudam a dimensionar o tamanho da operação eleitoral brasileira. A dois dias do primeiro turno, marcado para domingo, 4, o Tribunal Superior Eleitoral registra mais de R$ 12,2 bilhões em receitas declaradas pelas campanhas em todo o País. Do total, 91,3% são recursos públicos e 8,6%, privados. Mais de R$ 8 bilhões já aparecem como despesas pagas.

Trinta partidos registrados no TSE receberam quase R$ 5 bilhões para financiamento de campanha/Fotos: Divulgação.
Os números fazem parte da prestação de contas diária disponibilizada pelo TSE e ainda podem sofrer alterações com a atualização das informações pelas campanhas.

Quase 21 mil candidatos

O TSE registra 20.988 pedidos de registro de candidatura para as eleições deste ano. Até esta quinta-feira, 20.273 haviam sido julgados e 715 continuavam em tramitação. Entre as candidaturas consideradas válidas, 65% são de homens e 35% de mulheres. A faixa etária com maior concentração é a de 45 a 49 anos, com 3.612 candidatos. Em seguida aparecem os que têm entre 50 e 54 anos, com 3.428.

 A escolaridade também revela um perfil predominantemente de nível superior: 12.319 candidatos declararam graduação completa. Entre as ocupações informadas, mais de 2.600 candidatos se declararam empresários, 1.718 são advogados, 582 são policiais militares e 570, médicos.

 Quem está nas urnas

Os dados declarados ao TSE mostram também a composição racial das candidaturas. São mais de 10 mil candidatos autodeclarados brancos, 7.308 pardos, 2.842 negros e 196 indígenas. Mais de 99% declararam-se cisgêneros e pouco mais de 96% heterossexuais. O cadastro eleitoral registra ainda 107 pessoas transgênero, 153 bissexuais, 140 gays, 95 lésbicas, 25 pansexuais e 11 assexuais.

Entre os candidatos, 510 declararam possuir algum tipo de deficiência. Desse total, 209 informaram deficiência física e 112, deficiência visual. Também aparecem 70 candidatos no espectro autista e 59 com deficiência auditiva. Os dados são autodeclaratórios e integram as informações prestadas pelas próprias candidaturas à Justiça Eleitoral.

Número de mesários

A operação eleitoral não termina nos candidatos. Para garantir o funcionamento das seções eleitorais, foram convocadas 1.985.403 pessoas para atuar como mesários no primeiro turno.

 A função não é remunerada. Cada mesário recebe auxílio-alimentação de R$ 65 por turno e tem direito a folgas correspondentes aos dias trabalhados na eleição, conforme as regras da Justiça Eleitoral. Os homens representam 71% dos convocados e as mulheres, 29%. A faixa etária com maior concentração é a de 40 a 44 anos, com mais de 347 mil pessoas.

Pará tem 71 pesquisas

A corrida eleitoral também produziu um volume expressivo de pesquisas registradas no TSE. Até quinta-feira, haviam sido divulgadas 3.457 pesquisas eleitorais em todo o País. Foram 1.293 para presidente, 2.070 para governador, 2.012 para senador, 887 para deputado federal, 858 para deputado estadual e 99 para deputado distrital. O Pará aparece com 71 pesquisas registradas.

Goiás lidera o levantamento, com 209 pesquisas, seguido pelo Piauí, com 183. Roraima aparece na outra ponta, com 26. Entre os contratantes, aparece a Globo Comunicação e Participações S.A., incluindo TV Globo, Rede Globo, Globo.com, canais Globo, Globoplay e Eletromídia, com despesa declarada de R$ 15,5 milhões relacionada às pesquisas.

Fundo Eleitoral

Os 30 partidos registrados no TSE receberam, juntos, quase R$ 5 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado Fundo Eleitoral. O dinheiro é público e destinado ao financiamento das campanhas, depois da proibição de doações empresariais. A distribuição considera, entre outros critérios, a representação dos partidos no Congresso Nacional.

O PL recebeu o maior volume, cerca de R$ 881 milhões. Na sequência aparecem PT, com aproximadamente R$ 615 milhões, e União Brasil, com cerca de R$ 526 milhões. Somadas, as três legendas concentram quase 40% dos recursos distribuídos pelo Fundo Eleitoral.

Gastos dos candidatos

Em julho, o TSE decidiu manter para 2026 os mesmos limites de gastos adotados na eleição de 2022. A decisão levou em consideração a ausência de mudança legislativa sobre os limites, a manutenção do Fundo Eleitoral em R$ 4,9 bilhões e a necessidade de preservar o equilíbrio financeiro das campanhas e as políticas de inclusão.

O teto para a candidatura à Presidência da República é de R$ 88.944.408,59 no primeiro turno. Se houver segundo turno, o candidato poderá acrescentar R$ 44.472.204,30.

No Pará, o limite para a campanha de governador é de R$ 11.562.724 no primeiro turno. Em caso de segundo turno, pode ser acrescentado o equivalente a 50% do teto do primeiro turno: R$ 5.781.362. Os limites consideram não apenas despesas contratadas diretamente pelos candidatos, mas também outros gastos relacionados à campanha, conforme as regras de prestação de contas.

Eleição de bilhões

Os números ainda não são definitivos. As campanhas continuam sujeitas à atualização das prestações de contas e à análise posterior da Justiça Eleitoral. Mas, a dois dias da abertura das urnas, o retrato já é expressivo: quase 21 mil candidaturas, cerca de 2 milhões de mesários mobilizados, milhares de pesquisas registradas e mais de R$ 12 bilhões em receitas declaradas.

É uma operação eleitoral que envolve candidatos, partidos, tribunais, fornecedores, institutos de pesquisa e milhões de eleitores. E, neste domingo, tudo isso desemboca em um único lugar: a urna.

Papo Reto

• Faltando dez dias para as procissões do Círio de Nazaré, a decoração temática ainda não apareceu com a intensidade de outros anos pelas ruas de Belém.

• A tradicional imagem gigante de Nossa Senhora de Nazaré, instalada na Doca de Souza Franco, também terá novidade.

• Em vez do formato adotado anteriormente, a estrutura deste ano será inspirada nas imagens sacras tradicionais, com cabeça, braços e pés definidos, todos recobertos por iluminação.

•A promessa é de uma mudança visual significativa. Resta saber quando a cidade começará a perceber que o Círio está chegando.

• A Foz do Amazonas pode guardar 10 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, estima a EPE. A riqueza é potencial, só falta a broca confirmar.

• Aliás, a Margem Equatorial pode redesenhar o mapa econômico brasileiro, com Pará e Amapá na linha de frente. Se as descobertas avançarem para produção comercial, os dois estados poderão atrair investimentos, infraestrutura, empregos e receitas petrolíferas.

•  Quer dizer, o petróleo ainda está no subsolo, mas a oportunidade de transformar riqueza natural em desenvolvimento já está sobre a mesa.

• Amizade salgada: a China esgotou a cota da carne brasileira e, desde ontem, injeta mais 55% de tarifa no excedente. No governo Lula, silêncio absoluto, afinal, tarifaço só vira atentado ao livre comércio quando o carimbo não vem de Pequim.

• Paradoxo fatal: as farmácias passaram anos virando varejistas; agora o varejista está virando farmácia. Mercado Livre atravessa o balcão das farmácias e causa alvoroço nas Bolsas.

•A Espanha desmontou esquema que levava brasileiras grávidas, irregulares na UE, para parir no país e tentar garantir nacionalidade espanhola aos bebês. A cegonha cobrava até € 2,5 mil e já entregava o berço com plano migratório.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.