Entre os petistas em disputa à Câmara Federal, Dilvanda Faro, mulher de Beto Faro, é a campeã, com R$ 2,34 milhões; o filho Yuri, estreante na disputa, já recebeu R$ 800 mil.
distribuição dos recursos públicos para a eleição de deputado federal começa a expor as prioridades internas dos partidos no Pará. E, no PT, os números alimentam a crise que já vem sendo travada nos bastidores.

O cruzamento dos dados do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o monitor 72Horas, mostra que Dilvanda Faro, mulher do presidente estadual do PT, senador Beto Faro, é a candidata petista que mais recebeu dinheiro para a disputa da Câmara Federal: R$ 2,34 milhões. Já Yuri Faro, filho de Beto e Dilvanda, recebeu R$ 800 mil.
Os valores ganham peso político porque, na outra ponta do ranking petista, aparecem candidaturas que receberam valores muito menores. É o caso de Erika da Moradia, que ficou com R$ 260 mil, e Charles Alcântara, nome histórico da militância petista no Pará, recebeu R$ 155,4 mil. Trocando pelos miúdos: os recursos recebidos até aqui por Dilvanda e Yuri Faro somam mais de R$ 3,1 milhões e significam quase 11 vezes mais do que recebeu Erika da Moradia e 20 vezes acima do recebeu Alcântara.
A diferença entre os beneficiados ajuda a revelar, em números, a concentração de recursos dentro da legenda petista paraense. São R$ 3,14 milhões para duas candidaturas dentro da família Faro. Dilvanda recebeu os R$ 2,34 milhões em um único repasse, feito em 25 de agosto pela Direção Nacional do PT, integralmente provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Com isso, ela aparece em primeiro lugar entre as 48 candidaturas do PT no Pará monitoradas pelo aplicativo 72Horas. O valor de Yuri Faro também foi repassado em uma única transferência com recursos do FEFC. O monitor 72Horas o coloca em quinto lugar entre as 48 candidaturas petistas no Estado, no grupo dos 11% que mais receberam recursos dentro da legenda.
O dado do repasse a Yuri Faro chama atenção por se tratar de um estreante na disputa para deputado federal. Ele estreou nas urnas em 2024, quando disputou a vice-prefeitura de Acará pelo PT e foi eleito. Agora, em sua primeira disputa para a Câmara Federal, já aparece entre os principais beneficiários financeiros do partido no Estado.
Embora seja necessário separar fato de interpretação, já que os registros do TSE comprovam que o dinheiro chegou às campanhas e que foi transferido pela direção nacional do PT e, por si só não comprovam que Beto Faro tenha determinado pessoalmente cada repasse, uma fonte do PT que trabalha em áreas estratégicas de campanhas eleitorais garante que os critérios não são transparentes.
“Essa diferença não é meramente contábil. A gente sabe que ele (Beto Faro) hoje exerce um mandato de senador e participa das decisões, cujos critérios não são transparentes. E claro que quem recebe mais recursos fica com maior capacidade financeira para disputar uma eleição”, avalia a fonte.
A crítica política está, portanto, não nos candidatos receberem recursos do fundo que foi criado para as campanhas, mas na distribuição efetivamente registrada: duas candidaturas da mesma família entre as mais contempladas pela legenda.
O deputado federal Airton Faleiro é justamente a exceção que impede uma leitura simplista. Ele é o segundo maior beneficiário petista, com R$ 1,8 milhão, também repassados pela direção nacional do PT em 25 de agosto.
Mas os números na família Faro ajudam muito a explicar a insatisfação de setores do partido com o que vem sendo interpretado internamente como uma priorização do projeto eleitoral da família Faro. No caso de Yuri, os R$ 800 mil equivalem a mais de cinco vezes a mediana dos recursos recebidos pelos candidatos petistas que já declararam valores no Pará, segundo o 72Horas. A mediana do partido estava em R$ 124.775. Já Dilvanda está em outro patamar: seus R$ 2,34 milhões representam quase 19 vezes a mediana do PT no Estado.
É essa distribuição, por fim, que traduz a escolha política sobre quais candidaturas terão maior capacidade financeira para disputar uma eleição em que dinheiro significa estrutura, comunicação, deslocamento e presença territorial.

•Em Ananindeua, denúncia de distribuição de combustível em campanha política levou a PM a um posto da avenida Independência. Havia fila, listas sobre as bombas e, segundo o Boletim de Ocorrência, o frentista disse estar “cumprindo ordens” da gerência.
•O coronel Tabaranã (foto) foi acionado, chamou a Polícia Civil e determinou a apreensão das listas. A ocorrência ganhou a classificação oficial de “fato atípico” - e arquivamento automático. Semana passada, a coluna contou caso semelhante envolvendo o deputado Antônio Doido que, pelo visto, passou despercebido da autoridade policial.
•O caso Master já ultrapassou os limites de uma investigação criminal e expôs uma perigosa conflagração institucional. É justamente quando todos parecem ter acusações a fazer que o País mais precisa de sobriedade para apurá-las.
•Ministros do Supremo trocam acusações de possíveis crimes, o presidente da Corte tenta conter a fratura, o Senado se digladia em torno de impeachment, conselhos de Ética viram extensão da batalha e o próprio desenho do STF volta à mesa.
•Instituições não podem operar pela lógica da retaliação, da autopreservação corporativa ou do justiçamento político. Quando os árbitros entram em campo para guerrear entre si, preservar as regras deixa de ser formalidade; vira sobrevivência institucional.
•Se relatórios da PF, recheados de adjetivos escritos por um policial - com todo o respeito à corporação -, servirem de justificativa para retirar do ministro André Mendonça a relatoria da investigação contra Daniel Vorcaro, será melhor o Supremo começar a entregar sua jurisdição constitucional a outro órgão.
•Como o marido traído que troca o sofá, o STF reagiu às imagens de ministros gargalhando em meio ao escândalo Master: não conteve o riso; tapou a fresta.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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