Áudios e vídeos atribuídos a assessores da prefeitura relatam cobrança política e temor de exoneração após a eleição.
Em gravação atribuída a Fernando Braun, servidor municipal teria sido questionado sobre suas escolhas políticas/Fotos: Rede Social.
liberdade do voto, princípio básico de qualquer eleição, ganhou contornos diferentes em Marituba. Áudios e vídeos obtidos pela coluna registram conversas atribuídas a servidores municipais com relatos de pressão relacionada às suas escolhas políticas e temor de perder o cargo depois da votação deste domingo.
Os registros envolvem dois assessores da prefeitura:
Fernando Braun, secretário especial de Governo, e um assessor identificado pelo
prenome de Felipe. Segundo os relatos que acompanham as gravações, os dois
teriam feito contatos com servidores para cobrar apoio ao candidato a deputado
federal defendido pelo grupo político da prefeita Patrícia Alencar.
A ressalva é importante: os materiais obtidos pela coluna
apontam para a atuação dos assessores citados, mas não demonstram, até o
momento, participação direta da prefeita nas ligações. As denúncias, por sua
vez, foram encaminhadas à Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os fatos e os
elementos apresentados.
Em uma das gravações atribuídas a Fernando Braun, um
servidor é questionado sobre sua posição política e sobre continuar seguindo as
orientações da prefeita ou permanecer alinhado a um vereador, inclusive na
escolha do candidato a deputado federal. O servidor reafirma um compromisso
político que, segundo afirma na conversa, mantém há mais de quatro anos.
Braun nega que esteja fazendo ameaça, mas, na sequência,
fala em “dar uma oportunidade”. O trecho ganha relevância porque o servidor
relata na própria conversa o receio de ser exonerado na segunda-feira seguinte
à eleição.
Os relatos recebidos pela coluna indicam ainda que a
cobrança não teria ficado restrita a servidores que fazem oposição ao grupo da
prefeita. Funcionários que afirmam apoiar Hana Ghassan também teriam sido
pressionados em relação à escolha para deputado federal. A situação, se
confirmada pelas autoridades, coloca em discussão uma questão que ultrapassa a
disputa entre candidatos: a utilização da estrutura administrativa para
influenciar a escolha individual do servidor.
O voto é secreto e o cargo público, por sua vez, não pode
ser convertido em instrumento de controle sobre a preferência eleitoral de quem
ocupa uma função na administração.
Segundo as informações encaminhadas à coluna, as denúncias
foram apresentadas à Justiça Eleitoral na noite de sábado, véspera da votação.
Caberá às autoridades verificar a autenticidade e o contexto
das gravações, identificar os responsáveis pelas condutas relatadas e decidir
se os fatos configuram assédio eleitoral ou outra eventual irregularidade.
A Prefeitura de Marituba, Fernando Braun e o assessor
identificado como Felipe devem ser procurados para apresentar suas versões
sobre os fatos. A quem interessar possa, a coluna defende o seguinte: ninguém
deveria precisar escolher entre o voto e o emprego –, mas disponibiliza espaço
para eventuais esclarecimentos dos interessados e envolvidos.

• O ex-prefeito Zenaldo Coutinho (foto) escreveu nas redes
sociais: “Tempos estranhos”, criticando quem, segundo ele, festeja a ausência
de debate como jogada inteligente, em referência à decisão da Globo.
• Zenaldo lembrou os tempos em que esteve em lados opostos
nos debates, mas sem que a divergência política eliminasse “humanidade e
afeto”. Para ele, a polarização brasileira está produzindo “coisas muito
esquisitas de ambos os lados”.
•É uma boa lembrança
para um domingo de eleição: adversário político não precisa virar inimigo.
• Belém já entrou no clima da maior festa religiosa do
Brasil, mas os hotéis, quem diria, estão com ocupação pouco acima de 40%. O
setor reza para chegar a 70% na semana do Círio.
• E já encontrou um vilão para tanta cama vazia: o preço das
passagens aéreas. Para muito romeiro, no frigir dos ovos, o primeiro milagre do
Círio será conseguir chegar a Belém sem deixar uma promessa no cartão de
crédito.
•O eleitorado quilombola no Pará saltou de 12,6 mil para
23,4 mil entre 2024 e 2026, alta de 85%. Entre os indígenas, passou de 11,1 mil
para 17 mil.
• Povos tradicionais ganham peso também nas urnas. E isso,
em uma eleição, está longe de ser detalhe estatístico.
• Na quinta-feira, 1º, o jornalista Lucas Contente, do
portal Cidade 091, registrou boletim de ocorrência contra o ex-prefeito de
Muaná e atual secretário municipal de Gestão e Planejamento, Biri Magalhães,
relatando ameaça de agressão durante uma ligação telefônica.
• O episódio ocorreu após a publicação de reportagem sobre o
cenário político de Muaná e a atuação do grupo político de Biri.
•No mesmo dia, uma postagem do perfil Segue a Pororoka sobre
os candidatos de Lula a deputado estadual do Pará saiu do ar sem explicação
pública conhecida.
• Também houve pedido da coligação da candidata Hana Ghassan
para impedir previamente a divulgação de um vídeo anunciado pelo influencer
David Mafra. A liminar não foi concedida, e o vídeo acabou publicado na
sexta-feira, 2.
•Enquanto isso, o perfil oficial do Folha do Pará no
Instagram continua fora do ar, também sem explicação pública conhecida, e as
postagens estão sendo feitas por uma conta reserva.
• Em eleição, liberdade de expressão não deveria ser um
privilégio de quem está ganhando.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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