Evangélicos fecham estratégia e travam disputa por espaço na chapa de Hana Vice-governadores no poder que não viram voto e acendem alerta nos Estados Governo Lula fecha acordo com bancos para lançar programa de quitação de dívidas
ELEIÇÕES 2026

Helder mantém articulação e reforça eixo político fora do Palácio do Governo

Movimentações indicam centralidade política fora do Palácio dos Despachos, enquanto nova gestão busca consolidar imagem própria.

  • 397 Visualizações
  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/04/26 11:00
Helder mantém articulação e reforça eixo político fora do Palácio do Governo
P


assadas as primeiras semanas da nova gestão estadual, interlocutores políticos e administrativos ouvidos pela coluna descrevem um ambiente de transição ainda em curso no centro decisório do governo.

 

Governo passou a funcionar em duas frentes: no campo político, as articulações correm através do ex-governador/Fotos: Divulgação.

A governadora Hana Ghassan assumiu o cargo com o desafio de imprimir marca própria, apoiada no histórico técnico e na experiência acumulada na máquina pública. No entanto, relatos convergentes apontam que a articulação política do grupo permanece fortemente concentrada no entorno do ex-governador Helder Barbalho, que segue ativo no tabuleiro sucessório.

Após agenda internacional, Helder passou a receber lideranças políticas em um escritório na capital, onde têm ocorrido encontros frequentes com prefeitos, parlamentares e aliados. A leitura, entre esses atores, é de que o espaço funciona como ponto relevante de interlocução política do grupo.

Ambiente interno

Fontes com trânsito no Executivo relatam que a rotina no Palácio dos Despachos segue concentrada em agendas administrativas e despachos internos, com foco na organização da gestão e na comunicação institucional. Já no campo político, parte das lideranças afirma buscar interlocução em outros canais do mesmo grupo.

Há também preocupação fiscal no curto prazo. Gestores municipais relatam que, em reuniões recentes, integrantes do governo mencionaram pressão sobre as contas públicas, em especial após o reajuste geral de 6% concedido ao funcionalismo, com impacto já na folha de abril.

Nomeações e sinais

Um dos movimentos recentes que chamaram atenção foi a nomeação de Hilton Alves de Aguiar Jr. para cargo de direção na Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon), conforme registro no Diário Oficial de 22 de abril. A indicação ocorreu após reunião que reuniu lideranças políticas do grupo, incluindo o ex-governador Helder Barbalho e o presidente da Assembleia Legislativa. A nomeação reacendeu o debate, recorrente no Estado, sobre o equilíbrio entre critérios técnicos e políticos na ocupação de cargos estratégicos.

O novo diretor tem atuação no setor privado, com perfil voltado ao mercado imobiliário. Até o momento, não há registro público de experiência prévia em regulação ou fiscalização de serviços públicos - áreas centrais para a atuação da agência.

Pesa ainda o fato de a Arcon atravessar um momento sensível, com a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar a transição dos serviços de saneamento concedidos à iniciativa privada, tema que já apresenta críticas e desafios operacionais em diferentes regiões do Estado.

Arranjo de sucessão

No pano de fundo, o movimento é lido como parte de um arranjo político mais amplo. Helder Barbalho atravessou dois ciclos de governo, consolidou alianças e mantém protagonismo na condução do projeto político do grupo para 2026.

Hana Ghassan, que o acompanha desde a gestão em Ananindeua, surge nesse contexto como peça central dessa engrenagem - com o desafio simultâneo de governar e afirmar autonomia dentro de uma estrutura política já estabelecida.

Papo Reto

·Quase uma semana após as chuvas que deixaram a RMB sob água por mais de 24 horas, o ex-prefeito Edmilson Rodrigues (foto), do Psol, voltou ao debate público.

·O retorno, porém, teve efeito inverso ao esperado: nas redes, o discurso foi amplamente criticado. A reação sugere desgaste de imagem em um ambiente que hoje funciona como termômetro imediato de popularidade.

·Também nas redes, redes, a vereadora Marinor Brito entrou na discussão das chuvas com uma comparação com 2006.

·A fala ignorou variáveis centrais - mudanças climáticas, expansão urbana, aumento da frota e da produção de resíduos - e acabou contestada. Em política, analogia mal calibrada cobra preço rápido.

·Em Cotijuba, o humor azedou. A Cooperativa dos Barqueiros anunciou reajuste na tarifa - de R$ 10 para R$ 13 a partir de maio - alegando impacto do diesel nos custos.

·O argumento é conhecido, mas o timing pesa: moradores reclamam da combinação entre aumento e qualidade do serviço, reacendendo o debate sobre regulação e subsídios no transporte fluvial.

·A Frente Parlamentar Ambientalista expressou preocupação com a tramitação do marco regulatório de minerais críticos em regime de urgência. A bancada afirma que a proposta inicial possui diversas fragilidades estruturais, e pediu aprofundamento dos debates. 

·Foi aprovado na Câmara o projeto que permite o uso de imóveis residenciais em condomínios como sede de partidos políticos. A medida flexibiliza regras e pode gerar debate sobre o uso de espaços privados para atividades partidárias. 

·Douglas Ruas pediu ao STF para assumir imediatamente o governo do Rio após ser eleito presidente da Alerj. O pedido será analisado por Luiz Fux, enquanto Ricardo Couto segue no comando interino do estado por decisão do Supremo. 

·O presidente Lula externou o desejo de levar um pé de jabuticaba para "acalmar" o presidente Donald Trump. A fala ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e EUA. 

·Com apoio da oposição, Hélio Lopes protocolou denúncia por crime de responsabilidade contra o ministro da Justiça. A ação questiona a atuação da Polícia Federal em desdobramentos da prisão de Ramagem nos Estados Unidos. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.