Pressionado por uma campanha antecipada para eleger sucessora, governador tenta minimizar desgaste da errática administração da capital.
urante a gestão de Edmilson Rodrigues, Belém se acostumou a uma tese que misturava ironia e ressentimento: a cidade teria dois prefeitos - o de direito, eleito pelo voto, e o de fato, sentado no Palácio dos Despachos. A leitura, embora temperada pela maledicência típica da política, tinha lastro real: o governo do Estado sustentou parte relevante da administração municipal até onde deu.

Com a eleição de Igor Normando, primo do governador, o MDB acreditou ter resolvido o problema estrutural da capital: prefeito e governador alinhados, partido único, fluxo livre. O que parecia engrenagem perfeita, porém, enferrujou rápido.
Desde os primeiros meses, Igor Normando passou a administrar Belém como se estivesse em mandato-teste de independência: nomeou e desnomeou auxiliares sem ouvir o mentor político, embarcou familiares na máquina, criou ruídos desnecessários e acumulou atritos - inclusive com aliados do próprio campo, como o ex-vice Cássio Andrade, hoje acomodado no governo estadual.
O resultado foi uma gestão errática, sem centro de gravidade político, num momento em que o Estado precisa de Belém funcionando - e funcionando bem.
A boa notícia - rara, mas real - é que Helder Barbalho decidiu agir. Pressionado por uma campanha antecipada para eleger Hana Ghassan e pelo desgaste crescente da administração da capital, o governador voltou os olhos para Belém e acionou o freio de emergência.
Nos bastidores, a palavra usada foi “enquadramento”. Na prática, tratou-se de uma intervenção política clássica, daquelas que não se anunciam, mas se impõem.
O recado veio acompanhado de decisões. Helder determinou mudanças no secretariado municipal, começando pela nomeação de Lélio Costa - ex-deputado estadual e ex-secretário na gestão Edmilson - para a Secretaria de Ciência e Tecnologia.
Na Secretaria de Governo, a Segov, houve troca de comando: saem Cleiton Chaves e Felipe Cabral; entra Orlando Reis, ex-prefeito da gestão tucana, ex-vereador e ex-presidente da Cohab, nome de confiança e trânsito político conhecido.
Na Saúde, o sinal foi ainda mais claro. Romulo Nina deixou o cargo; Ivete Vaz, recém-exonerada da Secretaria de Saúde do Estado, e Heloísa Guimarães foram descartadas. Segundo interlocutores, a mudança na área é tratada como emergencial pelo próprio governador. Nota de redator: a Secretaria de Saúde de Belém virou alvo de uma apuração nacional sobre atraso nos repasses de verbas do SUS, favorecimentos e concentração de poder que atende pelo nome de Vitor Fonseca, diretor Administrativo que segue no cargo.
Na reunião tensa entre Helder e Igor Normando, a frase foi direta, sem rodeios: quem está remando contra que deixe o barco. O recado não ficou restrito ao gabinete. Foi transmitido ao secretariado, aos grupos que orbitam o prefeito e, sobretudo, a núcleos específicos: o de Pau D’Arco, município do sudeste do Pará e o de Pernambuco. A reunião teve direito a fotos, inclusive com os novos indicados pelo governador.
Resumo da ópera: acabou a gestão paralela.
A entrada direta de Helder em Belém é, sim, uma boa notícia para a cidade. Não porque representa harmonia institucional, mas porque restabelece comando, reduz ruído e cria previsibilidade. Belém, hoje, precisa menos de autonomia performática e mais de governo funcionando. Mas convém não romantizar. A intervenção não nasce do zelo administrativo, e sim da matemática eleitoral.
Com Hana Ghassan em campanha informal, a capital não pode seguir tropeçando. Ainda assim, para uma cidade que vinha sendo governada no improviso, ter alguém puxando o freio já é avanço.
A engrenagem voltou a girar. Resta saber se agora haverá manutenção - ou se Belém seguirá rodando apenas até a próxima curva eleitoral.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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