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Copa em História e Números

História de honra e amizade que a Fifa escondeu por considerar 'ato político'

De fora da Copa por não se classificar, Polônia seria homenageada, ainda que indiretamente, pelo Haiti, mas a Fifa barrou

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  • Pedro Paulo Blanco | Especial para a COD
  • 22/06/26 12:00
História de honra e amizade que a Fifa escondeu por considerar 'ato político'
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Copa do Mundo não é feita apenas dentro de campo. As dificuldades enfrentadas pelo Irã no atual mundial, por exemplo, mostram que atos políticos sempre estiverem associados a todas as edições do evento, sobretudo, pela magnitude e quantidade de nações, povos, línguas e culturas que participam do torneio. O momento político de cada edição da Copa também pesa muito.


Este ano, um desses atos antecedeu o início da competição e foi barrado antes mesmo de a bola rolar. A polêmica envolveu o uniforme do Haiti, que, numa mensagem intrínseca, tentou levar à Copa, mesmo que por uma representação imagética, a Polônia, que ficou de fora do Mundial de 2026.


O primeiro uniforme proposto pela Federação de Futebol do Haiti trazia uma imagem da vitoriosa Batalha de Vertières, de 1803, que sacramentou a independência do Haiti, então colônia francesa. Os detalhes dessa batalha trazem a importância do povo polonês para a libertação do Haiti e como essas duas nações seguem ligadas por laços que ultrapassam a mera diplomacia política.


Camisa do Haiti barrada pela Fifa em 2026/Foto: Divulgação

Em 1791, os escravos haitianos se rebelaram contra o domínio francês e, depois de 10 anos de guerra, em 1801, Napoleão Bonaparte enviou milhares de soldados poloneses para o Haiti com o objetivo de massacrar os revoltosos e encerrar a revolução. Acontece que quando chegaram ao país, os poloneses se recusaram a lutar contra um povo que lutava por sua própria liberdade.


Então o incrível aconteceu. O exército polonês se uniu aos revoltosos haitianos e, em 1803, os soldados de Napoleão foram derrotados. Foi assim que, o Haiti - antiga colônia francesa de São Domingos -  se tornou o primeiro e único país livre em todo o mundo, até hoje, a nascer de uma revolução vitoriosa feita por pessoas escravizadas.


Em 1804, já independente, o líder da nação, Jean-Jaques Dessalines, concedeu cidadania haitiana aos poloneses e os chamou de “os negros da Europa”. A Copa do Mundo de 2026 mostra que o Haiti, 222 anos depois, segue honrando a amizade com os poloneses. 


A camisa do Haiti carregava não apenas uma representação da grandeza que certos homens possuem no campo de batalha, mas uma dívida de honra, amizade e nobreza que resiste ao tempo e às incoerências políticas do mundo atual. Caribe e Europa unidos por uma história de liberdade que quase ninguém conhece.


Uma pena que a Fifa tenha barrado.


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Copa e Números


74 gols em 24 partidas - a primeira rodada da Copa teve média de 3,08 gols por jogo: a maior em 68 anos de mundiais.


5 gols num único jogo - a marca histórica é do russo Oleg Salenko, que marcou cinco dos 6 gols da Rússia na goleada por 6 a 1 sobre Camarões, em 1994.


1 minuto e 4 segundos - é o tempo do gol mais rápido desta Copa, até aqui. Depois não saiu mais nenhum e o Paraguai venceu a Turquia por 1 a 0.


11 segundos - é o gol mais rápido de todas as Copas. O recorde é da Turquia e foi marcado por Hakan Suku na vitória sobre a Coreia por 3 a 2, em 2002.


WxO - a única ausência em campo na história das copas foi em 1938. Depois de ser anexada pela Alemanha nazista, a Áustria perdeu seus jogadores e não teve atletas para enfrentar a Suécia.


6 copas - é o recorde compartilhado do português Cristiano Ronaldo, do argentino Lionel Messi e do mexicano Guillermo Ochoa: todos chegaram ao seu sexto mundial.


241 gols - com os resultados até aqui, Brasil e Alemanha estão empatadas como seleções que mais marcaram gols em copas do mundo.


Em 2026 - o hino do Brasil foi eleito, pelo New York Times, como o mais bonito entre as seleções que participam do Mundial. Na sequência vieram França, Portugal, Colômbia e Escócia. Em último lugar ficou o da Inglaterra.


60 anos - foi quanto durou o recorde brasileiro de sequência sem derrotas em copas. O feito agora é da Holanda, que chegou a 14 partidas sem perder após golear a Suécia, por 5 a 1, na segunda rodada do Grupo F.


20 jogadores - obtiveram dupla cidadania para defender outras nações no Mundial deste ano. Quatro deles são brasileiros: Matheus Nunes - Portugal; Maurício - Paraguai; Lucas Mendes e Admílson Jr - Catar.


Foto: Divulgação

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Pedro Paulo Banco é jornalista

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.