De fora da Copa por não se classificar, Polônia seria homenageada, ainda que indiretamente, pelo Haiti, mas a Fifa barrou
Copa do Mundo não é feita apenas dentro de campo. As dificuldades enfrentadas pelo Irã no atual mundial, por exemplo, mostram que atos políticos sempre estiverem associados a todas as edições do evento, sobretudo, pela magnitude e quantidade de nações, povos, línguas e culturas que participam do torneio. O momento político de cada edição da Copa também pesa muito.
Este ano, um desses atos antecedeu o início da competição e foi barrado antes mesmo de a bola rolar. A polêmica envolveu o uniforme do Haiti, que, numa mensagem intrínseca, tentou levar à Copa, mesmo que por uma representação imagética, a Polônia, que ficou de fora do Mundial de 2026.
O primeiro uniforme proposto pela Federação de Futebol do Haiti trazia uma imagem da vitoriosa Batalha de Vertières, de 1803, que sacramentou a independência do Haiti, então colônia francesa. Os detalhes dessa batalha trazem a importância do povo polonês para a libertação do Haiti e como essas duas nações seguem ligadas por laços que ultrapassam a mera diplomacia política.

Em 1791, os escravos haitianos se rebelaram contra o domínio francês e, depois de 10 anos de guerra, em 1801, Napoleão Bonaparte enviou milhares de soldados poloneses para o Haiti com o objetivo de massacrar os revoltosos e encerrar a revolução. Acontece que quando chegaram ao país, os poloneses se recusaram a lutar contra um povo que lutava por sua própria liberdade.
Então o incrível aconteceu. O exército polonês se uniu aos revoltosos haitianos e, em 1803, os soldados de Napoleão foram derrotados. Foi assim que, o Haiti - antiga colônia francesa de São Domingos - se tornou o primeiro e único país livre em todo o mundo, até hoje, a nascer de uma revolução vitoriosa feita por pessoas escravizadas.
Em 1804, já independente, o líder da nação, Jean-Jaques Dessalines, concedeu cidadania haitiana aos poloneses e os chamou de “os negros da Europa”. A Copa do Mundo de 2026 mostra que o Haiti, 222 anos depois, segue honrando a amizade com os poloneses.
A camisa do Haiti carregava não apenas uma representação da grandeza que certos homens possuem no campo de batalha, mas uma dívida de honra, amizade e nobreza que resiste ao tempo e às incoerências políticas do mundo atual. Caribe e Europa unidos por uma história de liberdade que quase ninguém conhece.
Uma pena que a Fifa tenha barrado.
----------------------------
74 gols em 24 partidas - a primeira rodada da Copa teve média de 3,08 gols por jogo: a maior em 68 anos de mundiais.
5 gols num único jogo - a marca histórica é do russo Oleg Salenko, que marcou cinco dos 6 gols da Rússia na goleada por 6 a 1 sobre Camarões, em 1994.
1 minuto e 4 segundos - é o tempo do gol mais rápido desta Copa, até aqui. Depois não saiu mais nenhum e o Paraguai venceu a Turquia por 1 a 0.
11 segundos - é o gol mais rápido de todas as Copas. O recorde é da Turquia e foi marcado por Hakan Suku na vitória sobre a Coreia por 3 a 2, em 2002.
WxO - a única ausência em campo na história das copas foi em 1938. Depois de ser anexada pela Alemanha nazista, a Áustria perdeu seus jogadores e não teve atletas para enfrentar a Suécia.
6 copas - é o recorde compartilhado do português Cristiano Ronaldo, do argentino Lionel Messi e do mexicano Guillermo Ochoa: todos chegaram ao seu sexto mundial.
241 gols - com os resultados até aqui, Brasil e Alemanha estão empatadas como seleções que mais marcaram gols em copas do mundo.
Em 2026 - o hino do Brasil foi eleito, pelo New York Times, como o mais bonito entre as seleções que participam do Mundial. Na sequência vieram França, Portugal, Colômbia e Escócia. Em último lugar ficou o da Inglaterra.
60 anos - foi quanto durou o recorde brasileiro de sequência sem derrotas em copas. O feito agora é da Holanda, que chegou a 14 partidas sem perder após golear a Suécia, por 5 a 1, na segunda rodada do Grupo F.
20 jogadores - obtiveram dupla cidadania para defender outras nações no Mundial deste ano. Quatro deles são brasileiros: Matheus Nunes - Portugal; Maurício - Paraguai; Lucas Mendes e Admílson Jr - Catar.
Foto: Divulgação
____________________________________
Pedro Paulo Banco é jornalista
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.