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Imunizante contra malária produzido no Brasil deve mudar realidade na Amazônia

Brasil registrou 118 mil casos de malária no ano passado, segundo o Ministério da Saúde, dos quais 99% ocorreram na região amazônica.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 11/10/26 12:00
Imunizante contra malária produzido no Brasil deve mudar realidade na Amazônia
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e janeiro a junho deste ano, o Pará teve confirmados 9.344 casos de malária em diferentes regiões do Estado, segundo o Boletim Epidemiológico da Sespa. Os números mostram um aumento de 20,58% em comparação ao mesmo período de 2025. Em cidades da região da Transazanônica, como Altamira, Brasil e Medicilândia, é raro encontrar quem vive da agricultura ou pesca e ainda não contraiu a doença. Pelo contrário, há quem se orgulhe de ter sobrevivido a 10, 20 infecções de malária.

Só este ano, o Pará já registrou 9.344 casos de malária, um aumento de 20,58% em comparação ao mesmo período de 2025/Foto: Divulgação
O quadro para quem mora na Amazônia Legal, onde ocorrem 99% dos casos de malária de todo o Brasil, pode ganhar novos contornos com o avanço nos estudos que entram em fase de finalização para criar a primeira vacina contra a malária vivax, o tipo mais comum da doença e para a qual ainda não existe imunizante aprovado no mundo.

Esta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos estudos em humanos de uma vacina brasileira contra a doença. Chamado Vivaxin, o imunizante foi desenvolvido por pesquisadores do CTVacinas, grupo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.

Casos na Amazônia

Em 2025, o Brasil registrou 118 mil casos de malária, segundo o Ministério da Saúde. Desse total, 85% foram do tipo vivax e 99% ocorreram na região amazônica. A doença causou 39 óbitos no País, no mesmo ano. A transmissão ocorre principalmente pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles. Febre, calafrios e dor de cabeça estão entre os sintomas mais comuns.

O CTVacinas destaca que o País mantém um Plano Nacional de Eliminação da Malária, com a meta de interromper a transmissão local da doença até 2035 e que "uma vacina contra o Plasmodium vivax, caso tenha sua segurança e eficácia demonstradas ao longo do desenvolvimento, poderá acrescentar uma ferramenta às estratégias de controle”.

Os dois imunizantes contra a malária recomendados atualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M, têm como alvo o parasita que causa a malária falciparum, tipo mais grave e letal e cuja ocorrência é mais comum na África.

Como foi criada a vacina

O produto experimental usa uma tecnologia em que os pesquisadores produzem em laboratório uma proteína com variantes de uma proteína presente na superfície do parasita Plasmodium vivax, causador desse tipo de malária. Essa substância funciona como uma apresentação do invasor ao sistema imunológico, estimulando a produção de anticorpos capazes de reconhecê-lo se a pessoa tiver contato real com o parasita.

Próximos passos

A autorização da Anvisa refere-se aos estudos clínicos de fase 1, que servem principalmente para testar a segurança de um novo medicamento ou vacina. No caso de um imunizante, essa etapa também busca avaliar a resposta imunológica dos participantes, ou seja, se o produto induziu a produção de anticorpos contra o alvo em questão.

O protocolo de pesquisa "prevê 48 participantes saudáveis, de 18 a 59 anos, sem infecção prévia por malária".

Essas pessoas serão divididos em dois grupos por um ano: um deles receberá a Vivaxin, enquanto o segundo terá a administração do placebo. Os participantes não saberão em qual grupo estão. O esquema estudado prevê três doses da vacina, com intervalo de 28 dias entre elas.

Se a fase 1 demonstrar a segurança da vacina, ela seguirá para as fases 2 e 3 dos testes clínicos, que são feitos com um número bem maior de voluntários e buscam avaliar a eficácia do imunizante, além de seguir monitorando sua segurança.

Papo Reto

•A ascensão de Ed Wilson (foto) no futuro governo Daniel Santos teria provocado inquietação na Seduc, na Seplad e na PGE.

•Professor de carreira da Educação, ele foi demitido após sindicância e processo administrativo na gestão Helder Barbalho. Ed e seus advogados sempre sustentaram que o caso tinha motivação política.

•Se houver mudança de rumo, será preciso conhecer os fundamentos administrativos e jurídicos. O que não falta no Pará é processo com duas versões e uma fila de perguntas.

•Reeleito deputado federal pelo PT com mais de 90 mil votos, Airton Faleiro deverá assumir o papel de interlocutor entre as diferentes correntes do partido no Pará.

•A legenda elegeu dois deputados federais e três estaduais, mas a campanha deixou marcas e distanciou velhas lideranças. Faleiro terá trabalho: unir o partido sem transformar divergência interna em guerra de trincheira.

 •As urnas deram um recado aos candidatos que ainda confundem barulho com voto. Instagram, TikTok e outras plataformas tiveram papel importante nas campanhas dos vencedores.

•Carreatas, comícios e grandes eventos continuam rendendo fotografias de multidão, mas não garantem, sozinhos, a conquista do eleitor. A política foi para a tela - e o palanque precisa aprender a dividir espaço.

•Entre as milhares de pessoas contratadas para agitar bandeiras nas ruas durante a campanha, muitas estariam sem receber o combinado, em média R$ 200 por semana.

•Há relatos de calote por parte de candidatos ou de coordenadores que teriam retido o dinheiro. A denúncia precisa ser apurada, mas a pergunta é inevitável: se a campanha prometeu pagar pelo trabalho, quem ficou com a conta?

•O calor acima do habitual exige reforço no estoque de água durante o Círio. Com a previsão de temperaturas elevadas, muitos fiéis podem preferir a Trasladação noturna e reduzir a exposição ao sol no domingo.

•Hidratação, proteção solar e atenção aos sinais de mal-estar também fazem parte da preparação. Fé não derrete, mas o corpo sente o calor.

•Brasília negou um pedido de aeronaves para combater incêndios no Amazonas. O fato é documentado, mas a rede social, sempre econômica no contexto e generosa na indignação, já resolveu o caso: a culpa inteira é do Planalto.

•A negativa merece explicações. Só não vale transformar uma parte da história na história toda - nem usar a fumaça para esconder o resto.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.