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FEIRA DO LIVRO

Inquieto, sem ponto final: Josué Costa provoca leitor com pensar além da página

Professor e jornalista lança obra que reúne crônicas, artigos e narrativas nascidas entre a sala de aula, a redação de jornal e as conversas da vida.

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  • Por Olavo Dutra
  • 01/09/26 17:00
Inquieto, sem ponto final: Josué Costa provoca leitor com pensar além da página
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uem conhece Josué Costa das redações talvez não se surpreenda com o título do seu novo livro. “Inquietudes” é, de certa maneira, uma extensão do jornalista que sempre esteve atento ao que acontecia ao redor - e do professor que transformou a observação cotidiana em matéria para reflexão.

O lançamento acontece neste sábado, 5, às 18 horas, no estande da Imprensa Oficial do Estado, na Feira do Livro/Fotos: Divulgação.
 Ex-colega de redação e professor de filosofia, Josué lança seu segundo livro neste sábado, 5 de setembro, às 18 horas, no estande da Imprensa Oficial do Estado (Ioepa), durante a Feira Pan-Amazônica do Livro. A obra reúne crônicas, artigos e narrativas sobre temas diversos, escritos a partir de experiências acumuladas no magistério, na imprensa, nos bastidores da Igreja e nas conversas que surgem onde a vida acontece: em casa, nas feiras, nos encontros ocasionais e, naturalmente, nos balcões dos botecos.

É justamente essa mistura que dá ao livro uma característica particular. Josué não parece interessado em separar rigidamente o que é digno de reflexão daquilo que, à primeira vista, seria apenas conversa de ocasião.

Da redação à filosofia

A experiência de redação aparece no olhar atento sobre o cotidiano. A experiência de professor aparece na necessidade de questionar aquilo que parece pronto. “Inquietudes” não foi escrito, segundo o autor, para oferecer respostas definitivas. Tampouco para impor ao leitor uma determinada maneira de enxergar o mundo. A proposta é mais incômoda: provocar.

Josué admite que o leitor pode discordar de suas reflexões, considerá-las rasas, lineares ou até mesmo bobagens. E está tudo bem. O que importa, para ele, é que o texto seja capaz de provocar alguma reação e fazer com que o leitor se aproprie do tema, acrescentando suas próprias ideias.

É uma concepção que tem muito de jornalismo e de filosofia: observar, desconfiar, perguntar e não aceitar a primeira resposta como necessariamente definitiva. 

Sabedoria de boteco

Há também no livro uma crítica ao excesso de solenidade intelectual. Josué questiona o chamado “academicismo aparente”, aquela situação em que alguém admira uma obra, uma ideia ou uma manifestação artística que não compreende completamente, mas finge compreender para se adequar ao gosto ou à etiqueta dos outros. Daí a importância das coisas simples.

Uma conversa casual pode conter uma reflexão mais interessante do que um discurso sofisticado. Uma observação feita numa feira pode render uma pergunta filosófica. E uma conversa de boteco pode revelar alguma coisa sobre a vida que passaria despercebida em ambientes supostamente mais nobres.

Não por acaso, o autor reconhece essas conversas como parte da matéria-prima do livro - inclusive as conversas com aqueles personagens que aparecem na vida sem qualquer compromisso com a academia. Até com algum bêbado - um livro para não concordar

A grande provocação de “Inquietudes” talvez esteja justamente aí: não é preciso concordar com Josué para que o livro cumpra sua função; ao contrário. Se o leitor termina um texto discordando, mas pensando sobre o assunto, a conversa continua. E é isso que o autor parece buscar: não o ponto final, mas a possibilidade de prolongar a reflexão para além da página.

O livro reúne, assim, aquilo que Josué foi acumulando ao longo dos anos - ideias ditas em sala de aula, conversas com filhos, alunos e amigos, pensamentos amadurecidos no silêncio e coisas ouvidas de pessoas que cruzaram seu caminho.

Entre a experiência do jornalista, o olhar do professor e a informalidade das conversas de boteco, “Inquietudes” propõe uma espécie de exercício permanente de pensar. Talvez seja justamente a inquietação - e não a certeza - que nos mantém atentos à vida.

Lançamento: sábado, 5, às 18 horas, no estande da Imprensa Oficial do Estado, durante a Feira Pan-Amazônica do Livro.

Papo Reto

A senadora Leila Barros (foto) decidiu manter a essência da MP das Blusinhas, inclusive a possibilidade de imposto federal zero até US$ 50. 

•As 112 emendas à MP das Blusinhas puxam o texto em sentidos opostos. Há propostas para ampliar a isenção até US$ 100 e outras para preservar taxação de roupas. 

A comissão mista que analisa a suspensão da taxa das blusinhas adiou para hoje a leitura do parecer de Leila Barros. A pausa servirá para ampliar as negociações. 

•O governo prevê salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, aumento de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621. O valor consta do Orçamento enviado ao Congresso e ainda poderá mudar conforme a inflação. 

A oposição tenta flexibilizar PEC que acaba com a escala 6x1. Entre as 25 emendas estão propostas para preservar jornadas de até 44 horas, dar mais espaço a acordos e exceções e ampliar de 14 meses para até quatro anos a transição para as 40 horas. 

•Senadores apresentaram 48 emendas à PEC da Segurança. As propostas incluem prisão após condenação em segunda instância, mudanças na PRF e novas regras de financiamento, mas Rogério Carvalho sinaliza que pretende rejeitar todas. 

Prioridade do governo, o Redata chega à votação no Senado hoje com 22 emendas e discussão sobre o que exigir das empresas em troca dos incentivos. 

•Tereza Cristina apresentou três emendas ao projeto dos minerais críticos, que prevê até R$ 7 bilhões em incentivos. 

Augusto Cury cresceu nas pesquisas, nas redes sociais e na mira dos políticos. Seja à esquerda ou à direita, o presidenciável virou alvo e entrou no embate.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.